Outubro 14, 2009

O dia que o professor sumiu

A Zero Hora está publicando uma série de reportagens sobre a violência nas escolas. A queixa é que os alunos não mais respeitam os professores, quer nas escolas particulares, quer nas escolas públicas.
Isso me faz lembrar uma história.
Os senhores e as senhoras professores reuniram-se uma vez em assembléia e decidiram que não mais queriam ser chamados de professores. Eles eram, isso sim, trabalhadores. Trabalhadores da educação. Ficaram muito contentes com a brilhante e solidária idéia e com a histórica decisão.
Alguns alunos tomaram conhecimento da idéia e decidiram que deveriam ser solidários com seus mestres, isto é, com os trabalhadores. Fizeram uma assembléia e decidiram que se não existiam mais professores, não mais deveriam existir alunos. Eles seriam os clientes dos trabalhadores. Um deles disse que nas escolas particulares seria mais adequado dizer que eles, que pagavam mensalidades, deveriam ser chamados de patrões.
E assim foi.
Os diretores das escolas, em solidariedade a essa brilhante idéia, decidiram que as escolas deveriam ser consideradas como empresas que prestam serviços. Alguns até abriram franquias. A educação, afinal, é uma mercadoria simbólica, lembrou um filósofo, desses que ficam de plantão para ganhar um aplauso dos distraídos.
Marola da história: há malas que a gente despacha e que custam a chegar. Mas um dia chegam e custam muito caro, a gente nem as reconhece.
Acho que lembrei dessa história porque um dia desses fui num grande evento com os maiores trabalhadores da educação da Ufesm e da Unifra, para discutir os planos nacionais da encucação de Zilbra e ali foi aprovado que temos que nos chamar de “trabalhadores da educacão”.
No pé, o tiro.

Outubro 13, 2009

Dona Romilda

Exposicao (1 of 1)Para os amigos que não puderam ir na exposição no domingo, devido ao mau tempo final da tarde, deixo aqui o telefone da Dona Romilda – 55.3289.1095 – para que possam encomendar um almoço ou janta, passear em Vale Vêneto e ver as codaques que o Pedro e eu fizemos e que estão lá no restaurante. E por lá as codaques ficarão por um bom tempo, não se apressem, podem esperar o tempo ficar mais amigável. Àqueles que atravessaram chuvas e ventos nossos mais sinceros agradecimentos pela presença naquela memorável noite.

Outubro 4, 2009

“Na luz do Vale”

No domingo próximo, dia 11, as 18.00 horas, Pedro e eu estaremos recebendo os amigos no Bar da Dona Romilda, para mostrar as fotos feitas “na luz do Vale”. As fotografias foram feitas, em sua grande maioria, no ano de 2009. Elas não teriam sido possíveis sem a colaboração de dezenas de pessoas, em especial de Dona Romilda, de seu Arlindo, de Rejane e Paula, que nos acolheram generosamente tantas vezes no restaurante, com informações preciosas sobre a região e auxílios diversos. Essa mostra é a primeira parte de um trabalho que vamos continuar fazendo, documentando a região e seu cotidiano. Queremos aqui agradecer a todos os moradores que nos deram parte de seu tempo, permitindo que os fotografássemos no cotidiano. Cito alguns, no sabor da memória: Luis André e Maria Dotto Marin, Leoclides e Leonilda Righi, Ataídes, Idelma e Amauri Pivetta, Dorvalino e Clementina Sartori, Irineu e Célia Bordignon, Zeferino Meneghel e Elsa, Anibal Brondani e filho, Irmã Ana e Irmã Ilza, Lírio Stefanello, Ana e Virgínia Venturini, Santina e Benjamin Righi, Evandro Righi e Daiana, Remo, as professoras e alunos da escola local e muitos outros. Ricardo ‘Cramento’ Bordignon merece um agradecimento especial pelo tanto que nos ajudou.
A impressão das fotos foi uma cortesia do Antonio, da Imagem Digital. Não foi a primeira vez que ele colaborou com a gente, e eu quero deixar aqui registrada a nossa gratidão a ele à sua empresa.
No domingo, 11, haverá almoço típico ao meio-dia e as três horas da tarde o desfile comemorativo à imigração, seguindo-se mateada e música na praça. As 18.00 horas vamos receber os amigos ali no Bar.
Durante a semana acontecerão atividades, em especial de quinta-feira em diante. Dia 17, sábado, haverá um concerto na Igreja com a Orquestra de Sopro da UFSM, as 18.00 horas.

Setembro 30, 2009

Convite aos amigos e leitores

Anibal (1 of 1) No dia 11 de outubro próximo, no domingo a tarde, Pedro Gomes da Rocha e eu estaremos mostrando algumas fotografias que fizemos neste ano na região de Vale Vêneto. A mostra vai ser no bar da Dona Romilda, em frente à Igreja e estamos convidando todos os amigos para aparecer lá e tomar conosco uma taça de vinho com queijo e cuca. Aqui, por exemplo, está uma das fotos, do seu Aníbal Brondani, vigiando o processo de destilação da purinha que fabrica com zelo.

Setembro 30, 2009

Bruegel (ainda a mania)

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Setembro 14, 2009

A mania funesta

300px-Goya_Maja_naga2Acabei de ler a biografia de Goya, escrita por Robert Hughes (Goya, Cia das Letras, 2007). O livro é muito bom, 500 páginas de história da arte, da Europa, da Espanha e da vida desse gênio das artes. Goya é apresentado contra um sólido pano de fundo social e histórico da Espanha, da mentalidade espanhola tal como foi sendo forjada em séculos de recusa do Renascimento e de todas as conquistas espirituais das Luzes ao redor. Espanha e Portugal repartiram esse gesto enclausuramento em suas monarquias porosas aos clérigos e Hughes mostra um Goya que se equilibra de forma notável nesse ambiente.
Ao descrever a política de Fernando VII, El Deseado, filho e herdeiro de trono de Carlos IV, Hughes conta um episódio sintomático desse ambiente opressor para as letras&artes. No início do século 18, as universidades espanholas haviam sido fechadas (em 1717, por Felipe V), por liberais, restando umas poucas. Entre as que ficaram, ele deu destaque para uma medíocre universidade numa cidadezinha entre Madri e Barcelona, chamada Cervera. O currículo ali implantado foi planejado pela Inquisição. “Quando Fernando VII fez uma visita solene ao local, no início de seu reinado, o diretor da Universidade mostrou-se à altura da ocasião, ou melhor, à baixeza, tornando-se figura emblemática na história acadêmica espanhola: ‘Lejos de nosotros, la funesta mania de pensar’, assegurou ao Deseado.”
Sei não. Não sei se rio ou fico nervoso.
Um dia ainda vou ao Prado ver a Maja Pelada ao vivo.

Setembro 7, 2009

Sinuca embaixo d’água

Aproveitei o feriado para ler o romance de estréia de Carol Bensimon, “Sinuca embaixo d’água” (Companhia das Letras, 2009). Carol é portoalegrense, nascida em 1982, e no ano passado publicou um volume de, digamos, contos, chamado “Pó de Parede”. Agora saiu seu primeiro romance. O livro me fez pensar na voz que cada geração tem que fazer para si mesma, na compreensão de mundo e vida que cada um de nós fabrica para si mesmo e que a cada tanto caduca; caduca para o varejo da gente mesmo, pois a vida da gente por vezes é como focinho de porco, vai adiante antes dos olhos e das idéias e topa com coisas que a gente não revolve bem; mas caduca no atacado, quando nos encolhemos diante do esquema geral de tudo, quando nos refugiamos nas pequenas idéias das pequenas tribos, nos esquemas reconfortantes da salvação da humanidade no atacado das boas intenções. A geração de Carol chegou tarde demais para embarcar nos sonhos do atacado libertário, malemal colaram uma allstar no peito por consideração aos pais e tiveram que sair em busca de outros sinais. Boas escolas fizeram uma diferença; o mundo foi descoberto aos poucos, com garantias; descobriram “os com pouco dinheiro” e a contraditoriedade do mundo, e, como nós, os porcos antigos, foram enfiando o focinho na terra, percebendo a diferença e o intervalo entre o gesto e o pensamento, entre o acontecimento e a idéia. E foram afinando a voz e a percepção, entre a alegria e as pequenas tragédias. Até que.
Tem livros, desses que as editoras vendem, bem fresquinhos, cheirosos como pão da hora, que a gente lê e fica pensando na tristeza das árvores que caíram. Tem outros que me fazem pensar nessa metáfora boba, de porquinhos que focinham com calma, que parecem compreender o intervalo. E daí se metem a escrever, furiosa mas calmamente, intensamente, mas mostrando que sabem o tempo que toma “recompor afetos, reinventar a vida”.
A sinuca de Carol, acho eu, não é de bico.

Agosto 31, 2009

Promemória

Pior que falta de vergonha é falta de memória, dizia o velho Capistrano de Abreu. No Brasil morreu muito mais gente do que nos EUA em conflitos civis (Cabanadas, Baianadas, Farroupilhadas, etc), mas os EUA é que leva a fama de país violento. A história do Detran começou em 2004 com o governo Rigotto, que tocou bandas e fanfarras no campus da Ufesm. Depois, a mesma Ufesm sediou a coordenação do Projovem. Depois que ninguém mais quis essa duvidosa liderança na Ufesm a Fundae foi convencida pelos pensadores a assumir tamanha responsabilidade em todo o território farroupilha e na distante e calorenta cidade de Porto Velho, RO. Era a retomada da Operação Rondon, rebatizada de Rondônia.
Vou tacar meu dente são numa morcilha branca, que ninguém é de ferro.

Agosto 30, 2009

Receita Federal

Não, não se trata desse furdunço com a dona Dilma. No caso da Boca do Monte trata-se de outra polêmica. Na época de ouro dos trabalhos dos pensadores muitos professores e servidores da Ufesm receberam bolsas como contrapartida para a prestação de serviços diversos. Haviam muitas consultorias, todas elas visando desenvolver melhor a metade sul, a metade norte, coisas quetais e outras. Eram fornidas bolsas para diversos, não propriamente bolsas de estudo, mas de trabalho, pesquisa, não sei bem qual seria o termo correto. Havia quem acumulasse função de confiança e bolsa e salário, sob a promessa de mentores que era tudo devidamente e legalmente legal.
Alguns dos mentores e dos garantidores iniciais de tais bolsas estão hoje respondendo processo junto à justiça federal por esses temas do Detran.
A novidade é que a leoa agora mirou nos consultores e assessores de dezenas de projetos, bolsistas, e quer cobrar o imposto de renda deles.
É uma grana e tanto.
A Fatec, que garantia a isenção, vai pagar a conta?

Agosto 28, 2009

Projovem, o retorno

Claudemir Pereira cutucou vespeiro grande com esse tema do Projovem. Tem um lado municipal antigo nesse assunto que há muito espera quem o conte; e tem esse lado municipal novo que revela-se constrangedor, a julgar pelos prazos e providências céleres que ornaram a cuja seleção.
O lado municipal antigo do Projovem conta-se assim: em 2007, quando a gente clicava no sítio da Presidência da República, para ver quem era o responsável pelo Projovem no Rio Grande do Sul, havia a seguinte informação:
“Porto Alegre/RS
Instituição Formadora: FUNDAE – Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura
Nome do Responsável: Professor Johanne Basso Vieira.”
A mesma pessoa e a mesma fundação eram os responsável pelo Projovem no outro lado do país, em Porto Velho, RO:
“Instituição Formadora: FUNDAE – Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura
Nome do Responsável: Professor Johanne Basso Vieira”.
Havia um erro no sítio da Presidência da República. Não se tratava de Sr, e sim de Sra.
Hoje, quando a gente clica no sítio para ver quem coordena o projeto no sul, neca.
Nunca fiquei sabendo quem seria esse professor ou professora.
E nunca foi negado que a Fundae, de Santa Maria da Boca do Monte, estivesse à testa do Projovem em Santa Maria. E em Porto Velho… quem diria!
Acho que o Claudemir atirou no que viu e no meio do rolo tem mais fio.
Santa Maria da Boca do Monte, por meio da Ufesm e da Fundae e de muitos de seus pró-homens, tem uma longa participação no tal do Projovem.
Vai ser uma história e tanto. Em 2007 o Projovem era agilizado pela hoje defenestrada empresa de consultoria Pensant, de José Antonio Fernandes.
Ele contratou muitos assessores para trabalhar no Projovem, recrutados entre universidades do pampa e políticos de prestígio no país. Mas nesse caso não havia necessidade de concurso, eu acho.
Vou ali carnear uma ovelha que meu deu uma fome.