Aos oito, boa sorte; para nós, o azar.

15maio08

Ao redor de oito professores da Ufesm, entre aposentados e em atividade, passaram da condição de “indiciados” para a condição de “denunciados”. A aceitação da denúncia pela juíza fará com que passem a condição de réus.

O que me interessa mais é pensar sobre como surgem, na história da universidade pública brasileira, esses espaços institucionais cinzentos que possibilitam situações igualmente cinzentas como essa, na qual somos levados a concluir que alguns dos oito tem culpa no cartório e outros dos oito podem estar carregando esse piano destemperado por conta de confianças mal-havidas.

Desde 1985 estamos tentando repensar e reorganizar as universidades federais, em bases diferenciadas das repartições públicas convencionais. Até agora o modelo permanece engessado. Nessa hora ocorre a poucos pensar sobre o palco, tudo nos leva a querer compreender a alma dos atores no vazio do cenário. 

Uma vez, nos idos de 1984, tentando compreender esse fenômeno que é a Ufesm, me ocorreu que ela era grande demais para a cidade de Santa Maria, e pequena demais diante de si mesma. 

Um dia pensei em convidar Mestre Guina para a gente fazer uma chapa de protesto e concorrermos à reitoria da Ufesm na próxima eleição. Repensei o assunto. A gente tem muita coisa para fazer no azar de um dia após o outro. Agora, quanto aos murismos de uns e aos purismos de outros, que, juntos e em grupos cada dia maiores começam a se intensificar no caminho do cetegê, nessas coisas do campo eu deixo a rédea solta.

Quanto aos oito, boa sorte para todos, que cada um se defenda como puder e que a justiça venha de bom tamanho para todos. 

Quanto à Ufesm, é grande o suspiro que a gente dá quando pensa no caminho que ela tem para andar para ser uma boa universidade republicana; ela é grande para a cidade, por vezes pequena diante de si mesma. Entre o azar e a sorte, por vezes ela fica só espiando de longe, seja por covardia, seja por timidez.

 

 

 

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