Um mocho no meio do mato

01jun08

 

Rodrigo é o do meio, na foto. Durante umas duas horas e meia foi meu guia em uma caminhada pelos cerros de Quilombo. Perguntei de onde veio esse nome “Quilombo”, se algum negro morava ainda por ali. Não, “aqui não mora nenhum moreno”, ninguém sabe a origem do nome.

Subimos o cerro em busca de uma estrutura de metal colocada no topo do mesmo, faz muitos anos, “no tempo das guerras”, diz Rodrigo. E lá nos fomos, na esperança de comprovar o que os moradores dali insistiam, “um lugar de onde se pode ver São Pedro do Sul e Santa Maria e até onde a vista alcança”. Uns vinte minutos de jipe, mais uma meia hora de caminhada por uma trilha de tirar o fôlego, que inclui a travessia de um milharal no topo do cerro, lá estava, disfarçada no meio do mato, a tal estrutura. Quatro barras de ferro cravadas no chão, bem parafusadas, e lá no topo o que parece ser uma cadeirinha para um índio sentar e ficar espetando o olho no horizonte que escorrega cerro abaixo e campo afora. Acontece que a predação natural de visitantes ocasionais retirou qualquer chance de escalar a tal estrutura. Um dos pés foi serrado, outro está em estado precário, e se havia uma escadinha, foi levada. Ao redor da estrutura havia uma outra, maior ainda, o que sugere um local onde foi feito um certo investimento, apesar da precariedade do acesso. O topo da mesma, onde Rodrigo garante haver a tal cadeirinha, está tapado pela copa das árvores e não se consegue divisar claramente a forma como a estrutura termina, exatamente acima da copa das árvores. Imagino que a estrutura tenha de oito a dez metros de altura.

Descemos e fomos visitar o pequeno galpão de pedra que fica nas proximidades da casa de Rodrigo. Alison e Andrei, seus irmãos, foram juntos. Os três estudam em Boca do Monte. Este ano tiveram uns probleminhas com o transporte escolar, agora vai tudo bem. Rodrigo está terminando o médio no ano que vem mas não quis me falar muito de seus planos de continuar os estudos ou o quê. Por agora, estuda, ajuda o pai na lavoura e na criação e tem seu time em primeiro lugar no campeonato de futebol sete promovido pela prefeitura de São Martinho. Pelo que me contou Pedro, pai do Rodrigo, o guri rola bem a bola. Ficamos ali de conversa no pé do sábado frio, tomando um mate e assuntando quem teria construído tal espiador de horizonte em tão ermo lugar. E se foi a tarde.

Fiquei pensando como esses antigos eram previdentes, espiando os horizontes no olho, mateando, para ver de onde o perigo surge. Hoje a gente nem sabe direito para onde espiar, pensei.

Aqui embaixo está uma fotinho mal-feita da estrutura. Pensei em voltar lá um dia desses e sentar naquele mochinho no meio do mato. Além daquela serventia a que constantemente se refere dom Guina, dali a gente poderia ficar apreciando a batalha do Frentão contra o Pacão. Vai tinir a espora ali na Bozano, afinal, vai ser quase uma guerra.

 

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One Response to “Um mocho no meio do mato”

  1. Ronái meu caro, como vais?
    Quando leio sobre tuas andanças fico a ponto de mudar meus hábitos e comprar enfim uma lambreta. Dá vontade de explorar também algo destes pagos. Agora que o “sesqui” acabou oficialmente vamos a ver quais serão as cenas dos próximos comícios, ops, baixou uma aloprada por aqui, capítulos.
    Boa semana meu caro.


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