“Apófrico”

05jun08

Tirando essa grafia, “apófrico”, a suposta carta de Lair Ferst à Governadora que está sendo divulgada na internet pela ZH, está bem escrita e faz sentido no conjunto dos fatos que até agora sobrenadam em meio a tantas versões. De um lado, José Fernandes, Barrionuevo, João Luiz Vargas  e outros; de outro, Lair Ferst, que “tinha um bom relacionamento com o reitor da Universidade Federal de Santa Maria”, e por isso falou com ele “sobre as condições da universidade em tocar o referido projeto o que foi aceito”. Lair conta para a governadora que montou “toda a estrutura do projeto, desde a logística até a implantação efetiva do mesmo”. “Fui contratado pela Fatec”, “situação que ficou insustentável por não concordar com posições tomadas pelo Sr. José Fernandes”… Conclui ele: “Foi um golpe de mestre digno da máfia”, etc. 

A menos que Lair prove que a carta seja “apófrica”, fica cada vez mais sem volta a prova que a Ufesm foi feita de estacionamento gratuito para os interesses de dirigentes universitários que nunca tiveram a menor idéia do que pode ser uma Universidade. Foram anos e anos de magnífica predação do que deveria ser o espírito de Humboldt, do Cardeal Newman, de Darcy Ribeiro  e outros tantos.

Grande demais para Santa Maria, pequena diante de si mesma, a Ufesm se apequena dia a dia.

Veja bem a versão que nos traz a carta do Senhor Lair: um certo senhor das quantas, alheio aos quadros da Ufesm, um dia topeteia o magnífico e lhe vende um projeto de milhões; o magnífico convoca servidores, diretores, aspones e quetais e determina que executem o redentor serviço para ontem. E dá no que dá. 

Há uma cena complementar a essa, que todos conhecemos: dia após dia crescem os puxadinhos no campus, às custas de financiamentos de pesquisas que passam ao largo dos conselhos departamentais; os departamentos são apenas locais de lotação docente; o professor realizado tem estacionamento próprio na Ufesm e emula os antigos catedráticos; dinheiro, auxiliares, tudo lhes abunda, desde que passem em um obscuro gabinete de projetos e carimbem uma folha de papel, registrando um projeto que ninguém mais pode discutir na instituição; as universidades federais, ao longo dos anos, transformaram-se em republiquetas de pseudo-catedráticos; eles são devidamente titulados no exterior e devidamente competentes em suas áreas de pesquisa; de outro lado, são irremediavelmente autistas em sua vida institucional; eles não devem nada à universidade, ela lhes serve tanto quanto o poste ao joão-de-barro. Eles distribuem bolsas e vão levando a vida. O complemento administrativo adequado para os “puxadinhos” do campo,  é a “facilitação” dos dirigentes, descrita na suposta carta do Sr. Lair Ferst, o visionário sedutor de magníficos. Tudo suposto, por certo.

Grande demais para Santa Maria, cada dia menor diante de si mesma, até quando?

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5 Responses to ““Apófrico””

  1. 1 Saucedo

    Oi Ronai! A coisa tá ficando cada vez mais feia. Olha só a gravação que apareceu na CPI do Detran envolvendo a Yeda “Cruzes”. Cruzes!!!
    Abraço.

  2. 2 jose reghelin

    Muito lúcida tua análise sobre o momento que vivemos no Estado do RS e na nossa Universidade.
    Estes acontecimentos provocam um desencanto com a humanidade.
    Ver, ouvir os nossos antigos “mestres” no noticiário policial é pura frustração,decepção.
    Tudo isto em função do dinheiro??
    Será que se achavam acima da lei??

    Um abraço

  3. 3 Maria Luiza Furtado Kahl (Marilu)

    Caro Rona,
    Não me surpreendeu nadinha essa história FATEC/José O Pensador Fernandes e quetais. Lembra quando eu solicitei um inquérito administrativo contra os desmandos do Departamento de Psicologia, dirigidos (os desmandos e o departamento) pelo Professor Noli Brum de Lima? Lembra que o professor José O Pensador Fernandes, então diretor do CCSH, propôs trocar o pedido de inquérito pela minha saída pra doutorado? Não me parece que a coisa tenha piorado. Ela sempre foi uma grande mutreta daqueles que freqüentaram os mesmos bailes de 15 anos (homenagem a tua comadre suicida).
    Marilu.

  4. 4 Maria Luiza Furtado Kahl (Marilu)

    “Mestres”? De quem???
    Marilu

  5. 5 Frank

    Ronai,

    em entrevista hoje, 15 de junho de 2008, ao “Estado de São Paulo” a governadora Yeda Crusius diz que a UFSM é governada pelo PT. A ladroeira, seguida da Operação Rodin, deve ser parte de uma conspiração para derrubá-la do poder. Muito triste.


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