Deriva

12jun08

 

A UFRGS está fazendo hoje eleições para Reitor.  São quatro candidatos e trinta e três mil eleitores, que votam em urnas eletrônicas. A Professora Wrana, ex-reitora, concorre, mais o professor Abílio, ambos da velha geração. E mais ainda os Carlos, Netto e Schmidt. O resultado será remetido ao Conselho Universitário, que formará uma lista tríplice. A lista vai para o MEC e lá o Ministro escolhe o novo reitor. Ao que sei, a consulta está sendo feita em um clima de muita cordialidade, já que as regras ainda não foram decididas. Veja o que diz uma notícia da Zeagá: “— As regras ainda não foram estabelecidas, mas nas eleições anteriores o voto de docentes representou 70%, ficando 30% para o resto — disse o coordenador da votação, Celso Chaves.” Ou seja, o povo está votando na confiança que o CU vai decidir pelo melhor, na hora de compor a lista. 

O tema, como se sabe, é difícil. As universidades federais estão em clima de deriva. Veja o caso da Ufesm. Os ultimos reitorados retomaram a tendência de centralização do poder na reitoria, que por sua vez, abarrotada de dinheiro de uso mais flexível, oriundo dos percentuais gerados pelo trabalho de setores específicos, como o TV, por exemplo – adquiriu poderes de cooptação até então impensados. Na penúltima eleição para reitor, quando o Professor Ronaldo Mota – hoje na Sesu –, perdeu para o Prof. Sarkis – hoje réu – um apoiador do vitorioso, no apogeu do orgulho, garantiu que eles fariam dois votos por um contra a gente. Eu, que havia vendido meu precioso Volpi para ajudar em nossa campanha, apostei uma janta e um vinho. Ganhei a aposta, perdemos a eleição. Abarrotada de dinheiro, a Reitoria ganhou o segundo mandato e seguiu em frente. Junto a esse processo constituiu-se uma geração de Diretores de Centro, em sua maioria, mais pacientes e respeitosos; funcionalmente,  constitui-se um novo espírito de trabalho dos pró-reitores, mais pró-ativos, capazes, por exemplo, de conduzir uma reunião de trabalho com os diretores de centro na ausência do Reitor. Alguém diria que um fato desses mostra a deriva da Ufesm: um assessor do reitor, nomeado em confiança, conduzia reuniões com os Diretores e muitas vezes ganhava no braço os rumos; aos poucos quebravam-se as estimas, substituídas por jogos de pequenos rancores, nos quais o que menos contava era o espírito acadêmico, que definhou aos poucos. Sobrou o que sobrou. Veja-se a situação atual do Reuni, praticamente imposto pela administração, e boicotado na prática. 

Um dia houve na UFSM uma coisa chamada “vestir a camiseta”. Muita gente a vestiu, com os mais variados cortes e feitios. Muita gente se quebrou por fazer isso sem pensar muito no futuro, confiando quase cegamente nos dirigentes de plantão. (Até mesmo no Rodão tem casos disso.)

Este ano é véspera de eleição e convém pensar no significado dessa coisa complicada que é o “vestir a camiseta”. Vamos fazer uma eleição, no ano que vem, em clima de deriva. Aqui, ao contrário da Ufrgs, um ex-reitor de dois mandatos não vai poder concorrer de novo. E não vai faltar quem diga que o fogo purificador virá das urnas. Pensar sobre o que é uma universidade, que é bom, nem pensar.

Esqueci de dizer que eu ganhei a aposta, pois perdemos a eleição mas não foi na base do dois por um, como garantia o depois futuro pró-reitor. Não cobrei a janta e o vinho, entretido que fiquei pensando no buraco da parede deixado pela gravura do Volpi que eu vendi para ajudar na campanha. 

Os cachorros foram fotografados pelo Pedro, que não vota mais para reitor da Ufesm.

 

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One Response to “Deriva”

  1. Ronái.
    Eu que sou um carbonário por opção digo alto e bom som: Eleições para Reitor de uma IFES? Pois no mínimo 100% de votos para os docentes doutores! Discentes têm de sentar e estudar. Ponto. Servidores Técnicos-administrativos têm de fazer o trabalho de apoio. Ponto. Só neste Brasil onde titãs mentais podem até inventar regras onde semi-analfabetos podem chegar a qualquer alto cargo é que se imagina e se acha normal fazer eleições paritárias para uma reitoria de universidade. Churchill disse uma vez que uma guerra é algo muito importante para ser deixada para militares opinarem e conduzirem-na. Algo similar deve valer para as reitorias das IFES. Boa sexta-feira meu caro.


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