O professorzinho

27jun08

O Diário de Santa Maria fez hoje uma matéria com o ex-reitor da Ufesm e réu do Rodão. Ele insiste em um raciocínio intrigante. De acordo com o Diário, ele atribui “o envolvimento do seu nome à disputa pela reitoria da UFSM, em 2004. A denúncia teria partido de um professor e a intenção seria denegrir os dois mandatos do antigo reitor à frente da UFSM.”

O tal professor, especula o ex, “é uma pessoa que convive muito com (a Reitoria e a Fatec). Não é um professorzinho qualquer do corredor que tem aquelas informações (…).”

Nem todos os professores da Ufesm estão dispostos a vestir a carapuça, lembra um certo Mestre Leitor, pois a maioria não se considera “professorzinho de corredor”. 

Um desses professores passou vários minutos da tarde pensando sobre a relação entre as nádegas e a calça: estão muitas vezes juntas, e trata-se, como se sabe para a felicidade de muitos momentos, de uma relação contingente. O mesmo pode ser dito sobre a relação entre a denúncia e os fatos nela apontados; eles podem ou não ser verdadeiros; se eu disser que hoje pela manhã expliquei o conceito de intensão (com esse) para a tataraneta de Sigmund Freud, qualquer leitor entende perfeitamente o que eu disse; se eu fiz ou não isso, são outras calças. Igualmente, se eu disser que tive a intenção (com cedilha) de explicar o conceito de intensão (com esse) para uma criança de quatro anos, o leitor vai pensar que sou meio destrambelhado.

O tal professorzão pode ter muitas intenções, incluindo a de denegrir mandatos, mas para que isso ocorra certos fatos precisam ser provados; por exemplo, que houve superfaturamento em favor de sistemistas sob a supervisão, em algum sentido, da Administração Superior da Ufesm.  Se não houve, o tal professorzão vai ter que pagar milhões em indenização; mas se houve tal superfaturamento, nas barbas e bigodes de diretores de centro e de secretários executivos, ao menos alguns dos réus devem sofrer pena de advertência por distração no serviço. Ou seja: o ex-reitor confunde motivos com razões; ou mistura contexto de descoberta com contexto de verificação, tanto faz.

Algumas enquetes estão sendo feitas no campus: quem são os professorezinhos, quem é o professorzão? (Me desculpe algum leitor, se achar que me passei. Mas admito que fiquei molestado ao pensar na hipótese de alguém, ali no quinto andar da Reitoria, andar chamando a gente de “professorzinho de corredor”.)

 

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One Response to “O professorzinho”

  1. 1 marcio fernandes

    professor,

    ler seus escritos é um prazer. talvez seja pertinente guardar todos os seus posts e reuni-los em livro dia desses. com prazer – e de graça -, faço a diagramação/paginação da obra. em meio a tanta bobagem na web, seu blog é ótimo. e, em meio a tantos ótimos blogs, o seu é do primeiro time.

    abs

    marcio fernandes


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