Fronteira

06ago08

Em Porto Alegre está acontecendo um ciclo de palestras, “Fronteiras do Pensamento”. Um dos palestrantes do final de semana passado foi o psicanalista Contardo Calligaris, que assim descreveu o tema de sua fala: “Eu vou falar sobre o fato de que nossa subjetividade é fundamentalmente uma história, a história que nós contamos a nós mesmos, a história da nossa vida, digamos assim, e a história que contamos aos outros como sendo a nossa, eventualmente a que os outros nos contam como sendo a nossa e que no fundo é uma história só. E uma história que é construída de maneira sempre dinâmica.

E segue assim a entrevista, concedida ao jornal Zero Hora:

ZH — Algo que se poderia definir como “a vida como criação de uma narrativa?”
Calligaris —
 Sim, seria a vida como criação de uma narrativa e, portanto, regrada muito mais por uma necessidade estética do que ética. A idéia atual é que somos fundamentalmente uma história que vamos compondo a partir do que acontece, mas também a partir das várias histórias com as quais cruzamos ao longo da nossa vida _ as contadas por outros, as que lemos ou às quais assistimos e que constituem um imenso patrimônio das histórias possíveis. Somos essa história em progresso, uma maneira de traduzir a expressão “in the making”, algo que vai se fazendo. E isso é um traço dito “específico da modernidade”, o que é verdade apenas para os últimos 250 anos, e mesmo assim na cultura ocidental. Então no fundo, contrariamente ao que pensamos, o que nos dirige na invenção da nossa vida é muito mais um misterioso princípio estético do que os princípio éticos que nos orientam ou que lamentamos que não nos orientam. Porque os princípios éticos só entram em jogo na construção da nossa vida porque colaboram enquanto elemento de uma poética de nossa vida.”

Aqui na metade sul o resumo da palestra seria assim: mas se não tem graça, qual o proveito?

 Me desculpem os dois leitores que ainda insistem em visitar esse piquete, mas a máquina de escrever estava na oficina. Dia desses eu volto.

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2 Responses to “Fronteira”

  1. Caro Ronai, esse trecho da entrevista também me bateu forte.

    Escrevi um post no meu blog sobre o assunto:
    http://www.oesquema.com.br/conector/2008/08/06/nossas-narrativas/

    Abraços!

  2. Um Ricoeur hedonista – ou uma leitura hedonista de um Ricoeur? Não é, talvez, exatamente o que eu esteja procurando pra dar um descanso pro meu já amarelado Kundera de cabeceira?


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