Saiu

09set08

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saiu. Depois de um longo parto, saiu o livro. A Editora Vozes começou a distribuir o “Ensino de Filosofia e Currículo”. Como escrevi no outro blogue, se este livro tem algum mérito, somente os leitores e o tempo dirão. Quando pensei em publicá-lo – e para minha alegria a Editora Vozes comprou a idéia – pensei duas vezes se valia a pena derrubar tantas árvores para mais um livro, que poderia apenas ser um gesto de vaidade e repetição de coisas já ditas. Tentei me convencer que haviam nele ao menos um ou dois argumentos que eu gostaria de tornar público sobre o ensino de filosofia porque eu não encontrava esses argumentos em outros lugares e me parecia que eles poderiam ajudar em nossos esforços para melhorar a escola brasileira. 

Eu acredito, podem me chamar de bobo, se quiserem, em uma escola de muito melhor qualidade do que a que temos. Em primeiro lugar, com a devida valorização profissional e salarial do professor, do funcionário, de toda a gente que trabalha em uma escola, com o devido tempo para aula e para seu preparo e tudo o mais que tem a ver com isso. Mas, junto com esse primeiro lugar tem outro primeiro lugar, que diz respeito a como vemos a escola, como vemos o currículo, como vemos os direitos de aprendizagem do aluno, como vemos o lugar da filosofia no currículo. Escrevi o livro pensando nesse outro primeiro lugar, pensando no que devemos fazer para que esse tipo de crença na melhoria da escola um dia seja realidade.

Agora o livro está indo para a rua e me resta fazer mais uma coisa: pedir que as pessoas interessadas no tema – sejam desconhecidos, amigos, ex-alunos, alunos, colegas de profissão, professores de outras disciplinas, interessados em educação em geral, leitores em geral –  que ainda nutrem esperança pela escola brasileira leiam algumas de suas páginas e julguem por si mesmas se esses argumentos fazem sentido.

Escrevi esse livro pensando na tradição que temos aqui em Santa Maria, de pensar sobre educação e currículo, desde os tempos da antiga Faculdade Interamericana de Educação. Eu acompanhei os tempos da Interamericana meio de longe, mas isso foi suficiente para que eu aprendesse o valor e a importância de se pensar a educação no varejo, no detalhe, na pesquisa de campo em sala de aula. Essa atitude precisou repartir espaço com outras abordagens, mais amplas, que, com o tempo, foram se esgarçando mais ainda. Defendo, no livro, que se volte a pensar mais em ponto menor sobre educação.

Hoje a tarde, vindo do campus, aproveitei o tempo da viagem de ônibus para reler alguns trechos do livro e avaliar, mais uma vez se a versão final do texto conseguiu um ponto de equilíbrio entre uma certa irreverência sem a qual nossa escrita fica aguada e impessoal e a objetividade que o momento exige. Desconfio que esse equilíbrio nem sempre ficou bem distribuído. Quando o ônibus estacionou eu ia concluindo que no mais das vezes o tom do livro ficou assim, assim, temperado. Se a mão pesou em alguns parágrafos, pensei, me resta esperar que o leitor benevolente debite o fato na conta da paixão que o tema desperta por essas horas. Sem tesão, como se dizia, a solução afrouxa.

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22 Responses to “Saiu”

  1. 1 Gisele

    Caro Ronai!
    Primeiro, parabéns pelo livro e, depois: ele já está na cidade?

  2. 2 ronairocha

    Gisele, obrigado. O livro chegará na cidade apenas na semana que vem. Aproveito para te convidar para o lançamento, que vai ser no dia 15 de outubro, 19.00 horas, na Biblioteca Pública Municipal.

  3. Se nada extraordinário acontecer (sabe como é o jornalismo.. hehehehe) estarei lá. abraço e cumprimentos ao amigo

  4. 4 Sucedo

    Ronai,

    Parabéns! Espero que seu livro não demore para chegar no centro-oeste.

  5. 5 Bia

    Ronai! Parabéns! Sucesso! Vai ter lançamento em São Paulo?

  6. 6 ronairocha

    Claudemir, Rogério e Bia, obrigado! Acho que chega na semana que vem no centro-oeste, pois a Vozes é muito eficiente nessas coisas. Quanto ao lançamento em São Paulo, ainda não tem nada previsto. Abraço a todos.

  7. Caro Ronái, muito boa notícia esta tua.
    Parabéns. Um livro se defende sozinho, acho que foi isto que você disse do seu jeito no post, mas é bom dar um tapinha nas costas do vivente que cometeu as páginas todas e dizer que ele tem sua cota de admiração e felicidades partilhadas conosco.
    Vou ler e se bobear vou postar uma resenha. Que tal?
    Dia 15 de outubro. É o dia do professor. Isto é de caso pensado ou foi uma coincidência?
    Grande abraço.
    Guina

  8. 8 ronairocha

    Caro Guina, caso pensadíssimo! Vou ficar muito contente com uma resenha tua, naquele estilo já inconfundível dos “Livros que li em 2008”. Grande abraço! E no dia quinze de outubro vamos tomar um vinho e ouvir um blues acústico, se o Artur Aguiar nos der essa oportunidade.

  9. 9 Marcelo Fischborn

    Somente repetindo o que já disseram acima: parabéns pelo trabalho… Agora resta esperar pra ver, por que pelo visto a expectativa está sendo grande e, para o que já está feito, isto me parece bom.
    Abraço e espero lê-lo em breve.

  10. Pois, meus parabéns professor. 🙂

  11. 11 Carlos Tondo

    Parabéns. Bem que eu desconfiava que voce tinha jeito de escritor.
    Carlos & Julia

  12. 12 ronairocha

    Marcelo, Vitor, Carlos e Julia, obrigado! Estou devendo uma visita a Itaara! Um grande abraço para vocês.

  13. Professor, parabéns pelo livro. Quero logo ler. Abraços>>

  14. 14 Luis Carlos Silva

    Meus pêsames, Ronai. Tipo da inutilidade. O livro será comprado por “acadêmicos” ou pela periferia da universidade que, diga-se de passagem, não têm educação e dinheiro? Você vai dar o livro para escolas que precisam dele, em nome da educação? Infelizmente é para ocupar espaço na prateleira.
    O Brasil não precisa de educação e perda de tempo com filósofos ou pedagogos. Precisa de saúde, habitação, saneamento, energia elétrica… a falta disto, sim, mata (médicos, engenheiros, etc.). Falta de filósofo não mata ninguém. Aliás, se educação fosse o problema do Brasil, não teríamos o presidente que temos (e eleito duas vezes). Filosofia, desculpe, além de ser um dos menos concorridos no vestibular é curso para desocupado (ou pra programinha da GNT – Saia Justa). Afinal, quem se presta para discutir (perder) 4 hs de uma manhã, em uma aula de Ética se roubar leite – ou não – é ético? O problema mais sério não é este. É que, depois de cursar filosofia, muitos formados não terão dinheiro nem para comprar o leite… será que terão tempo de discutir Ética, com o estômago roncando?
    Aliás, como filósofo adora discutir as coisas “no ar”, “verificar a veracidade das proposições” e “cada um pensa o que é”, continues assim: aumentando seu currículo, enquanto a ‘massa’ de alunos desempregados, do curso filosofia da UFSM, cresce cada ano.

  15. Ala putcha! E isto tudo em um dia do gaúcho! Vou lá filosofar um tanto e depois escrevo mais…

  16. 16 ronairocha

    Seu Luís, vamos aos temas:
    1. Acho que o livro vai ser comprado por professores e estudantes de Filosofia que estão interessados em conversar seriamente sobre temas de ensino de filosofia;
    2. Sim, da mesma forma como nunca deixei de dar palestras sem cobrar nada nas escolas públicas, pretendo dar o livro para bibliotecas públicas e para qualquer escola que me solicitar. Tenho uma pequena cota da editora para essas finalidades, e a própria Editora Vozes tem uma cota para professores.
    3. Sim, o Brasil precisa de educação e de filósofos e de pedagogos. Acho que tua frase foi uma “boutade” desprovida de graça, além de ser tolamente agressiva. Fico pensando no que dirias sobre Artes Plásticas, Arquitetura, Música, Artes Cênicas, etc.
    4. Quem se presta para discutir ética? O curso de Medicina tem essa disciplina, engenheiros tem também, etc. De modo geral seres humanos podem ter interesse em temas de ética.
    5. “Falta de filósofo não mata ninguém”: mas de que morte, ó Luis, estás falando? Infelizmente deu essa coisa de haver filosofia na humanidade, desde um tanto antes do Cristo, e parece difícil convencer as pessoas em contrário. Talvez não mate o corpinho da gente, mas o espírito definha.
    6. Depois de cursar filosofia, hoje, tem havido muita oportunidade de trabalho, por esse Brasil afora. É claro que quem quer ficar arrodeando a saia materna tem mais dificuldade, mas seria fácil mostrar como tem surgido oportunidades de trabalho por aí afora. De resto, como em todas as profissões, etc, etc.
    7. Quanto ao meu currículo, vai muito mal, obrigado. Acho que o teu é melhor do que o meu. Ainda não consegui terminar meu trabalho de doutorado, o que me causa certos constrangimentos pessoais, mas sigo em frente, trabalhando, fazendo o que posso para que os alunos do curso de Filosofia que levam a sério sua formação possam viver de trabalho em Filosofia. Entre essas coisas, escrevi um livro que resume dez anos de reflexão sobre esses temas e uma editora importante no Brasil achou que valia a pena publicá-lo. É o primeiro livro no Brasil a dizer certas coisas entre nós, e sei que algumas coisas que ali digo vão me custar caro. Talvez já estejam me custando.
    Um livro, no entanto, como se sabe, precisa encontrar seus leitores. E a vida, como todos nós sabemos, muitas vezes, é feita de desencontros, piscadelas, olhares furtivos e de passagem. Sei lá se meu livro vai ser puro desencontro, se vai encalhar nas prateleiras ou se encontrar ao menos uma alma que o compreenda. O azar é meu. O trabalho de fazê-lo também foi. Meu livro é um “tipo de inutilidade”? Quem sabe? Me permita repetir o que sempre digo, lembrando um italiano: sou pessimista no intelecto e otimista no agir, e por isso acho que entendo esse tipo de pessimismo “no ar”; materializas na tua crítica o que dizes dos filósofos. E no teu agir?
    Sócrates dizia que somente sabia que nada sabia. Alguém devia dizer para Sócrates estudar um pouco mais, para aprender algo, porque para saber algo é preciso estudar. E para conseguir trabalho é a mesma coisa, a gente precisa se preparar bem.
    Boa sorte, Luís.
    PS: na semana que vem as bibliotecas da UFSM já vão ter, cada uma, um exemplar. Quem sabe alguém lê, não?

  17. Alô, alô, Ronái, como vais? Hoje é o dia de aniversário do meu gato mais velho, o Salen. Caprichei um tanto na comida, troquei a água logo cedo, arrumei sua areia sem pressa e com cuidado. Afinal quando um vivente é educado e ainda tem tino merece sua cota de respeito. Escrevo isto pois cheguei ontem em casa (estava no campus, fazer o quê?), tirei o Harry – on bullshit – Frankfurt da estante, açodado e pronto para terçar armas, mas resolvi antes pegar teu livro (que a CESMA me forneceu, já na quinta-feira, com cheiro da gráfica de lambuja) e fiquei a folhear. Logo na introdução a senhorita Weil já me desarmou da raiva: “a arte de transpor as verdades é uma das mais essenciais e das menos conhecidas.” Resolvi ficar com a moça de Paris e contigo, seguindo teu texto. Depois te conto mais. Putabraço.

  18. 18 Gisele

    “O Brasil não precisa de educação e perda de tempo com filósofos ou pedagogos.”

    Claro, bom mesmo seria encher a barriga de todo mundo, deixar todo mundo limpinho e bem gordinho, na frente da TV, sem incomodar e, caso resolvessem reclamar, dar uns tapas, que educação é na base do que ‘arde sara’, ou ‘manda quem pode, obecede quem precisa’ ou mais um monte dessas coisas toscas que ainda se dizem por aí!

    Nem sei porque ainda não fecharam as universidades. Ah! Deve ser por causa do curso de engenharia, ou de medicina – os que são úteis.

  19. 19 Celso

    Caro Ronái,
    Parabéns pela idéia de colocara disposição do público um livro sobre um tema tão importante para a formação dos nossos jovens e de informação para os não tão jovens.
    Um grande abraço,
    Celso

  20. Ah, professor, diz aí: o sr. postou em modo fake ali acima só pra sintetizar as possíveis respostas à um possível e disparatado juízo “senso-comum-mode-on”, vai? ;P

  21. Após ler os comentários, resolvi contrapor um tal “Luis Carlos Silva” se é esse o nome verdadeiro do “corajoso” cidadão.

    Primeiramente cordiais saudações a meu caro professor Ronai, um mestre da arte de ensinar. Afinal para qualquer ofício é necessário aprendizagem. E o Ronai como professor é um referencial pra mim, portanto esta agendada a leitura de teu livro.

    Sou licenciado em Filosofia pela UFSM desde 2004, e ainda não vivo da filosofia, mas afirmo que não vivo sem filosofia. Já chega dessa valorização tecnocrata cientificista. Vamos valorizar o Ser Humano na sua mais íntima esssência: o pensar e o ser. Eu como professor (não oficiante) de filosofia não me sinto nem pior nem melhor que qualquer outro cidadão. Mas penso que pensar é tarefa primordial de cada ser humano, pois afinal é o que nos difere das classes de animais que “não possuem entendimento discursivo” como diria Ronai, e com mais reflexão e ação poderemos ter uma nação melhor.

    Um Abraço

  22. 22 marcio fernandes

    Professor,

    pena que o Luís Carlos Silva não voltou para o debate. Geralmente é assim: os que, de cara, recorrem à Lei de Goodwin, não resistem ao segundo round. Parabéns pelo livro, de verdade…


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