Biofonia

30dez08

Eu nunca havia lido essa palavra, até uns meses atrás. Ela se refere aos sons que o mundo faz na ausência dos seres humanos. Aprendi a palavra em uma reportagem da Wired, que o Pedro me trouxe de presente, na saída de um Viracopos. Bueno, se a gente caminha até um fundo de campo, digamos, ali no meio das campinas do Santo Antão, e fica quieto, quieto, e bem quieto, por uns bons e bons minutos, escuta as batidas do coração, o vento, o vento, um bem-te-vi,  e depois uma motosserra, um trator roncando, um boi mugindo, mais vento, uma velha brasilia passa na estrada ao longe, os quatro cilindros funcionam, e depois vem um ruído estranho, estranho o ruído, e escuto e ouço e atento e aí parece ser e é mesmo um avião, dois, quatro motores, um corvão de aço vem vindo, estrugindo, um quadrimotor, hércules aéreo,  vem para a base da boca do monte.

Os basiliscos, no chão, foram advertidos disso? Eu gostaria de dizer que eles estranham esses ruídos de motocicletas, automóveis e aviões. Mas eu posso dizer isso?  

Isso parece-me ser a tal da biofonia. Coisa muito séria, dir-se-á, creio, daqui a muito tempo.

Prometo voltar mais ao Santo Antão e à Boca do Monte em 2009. Agora preciso agradecer a essas visitas do 2008. Lamento pelas vezes nas quais a generosa visita foi retribuída pelo mesmo poste. Prometo fazer mais um esforço, encore un effort.

E que 2009 nos seja mais leve e generoso.

E que a Boca do Monte tenha uma sala de arte como convém.

Tarde demais, por certo, sob alguns aspectos.

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6 Responses to “Biofonia”

  1. 1 Sara

    Parabéns pela matéria no mês de Julho.
    Sobre “ontopsicologia”
    Eu estava pesquisando sobre o assunto e encontrei esse blog.

  2. 2 gisele

    Querido!
    Um bom 2009 pra ti e que o Coisas do Campo continue sendo um respiro no meio de tudo.
    Abraço e biofonias mil,
    Gi

  3. Ronai, por favor , inclui a Bela União para as observações “biofônicas”. É perfeita!
    Bom 2009.Beijos

  4. 4 Thaís

    Terra que cultiva a Tradição

    Viajar pelo Rio Grande é descobrir em cada rincão que se chega, uma história peculiar, ora contada pelo vento minuano que varre campos, coxilhas e serras, ora contada em proza e verso no folclore de sua gente. Viajar pelo Rio Grande é provar o sabor da comida típica feita no fogão a lenha e um churrasco gaúcho junto ao fogo de chão. Sentir o calor humano e hospitaleiro, o frio do inverno aquecido na roda de chimarrão. É sentir-se em casa em cada casa que se entra, vivenciando em cada lugar por onde se passa um pouco da sua essência. Viajar pelo Rio Grande é ver que existe muito mais sobre esta terra do que o indicado nos mapas e livros de história. Uma tradição sentida no aperto de mão amigo, no linguajar misturado da colônia, na paisagem pastoril e nas paredes das estâncias que abrigam a memória farroupilha. Ouvir o grito do quero-quero, sentir o aroma da serra, provar o doce amargo do mate, correr o campo a cavalo ou andar sobre a lavra da terra. Vem sentir esta emoção viajando pelo Rio Grande do Sul- terra de quem vive a tradição

    Fonte: LIZANDRO ARAÚJO
    Coordenador da Disciplina de Tradição e Folclore
    Arroio Grande-RS
    21ª Região Tradicionalista

  5. biofonia e quen ten medo de agumas coisas

  6. / Nah, Einstein não acreditava em um criador. Ele é bem claro nisso. Não acreditava nem mesmo em sobrevivência da consciência ou alma ou espírito. E ele foi bem claro quanto a isso. Para todos os efeitos, ele era ateu, embora se considerasse um panteísta, que via nas leis da natureza motivo para se maravilhar e se inspirar. E, como disse Carl Sagan, não faz sentido rezar para a lei da gra8edadi&#v230;Gostei deste comentário ou não: 1


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