Cartier-Bresson e a filosofia

20jan09

Eu não sei como a Taschen (e algumas outras editoras) consegue publicar livros enormes por preços poucos. Por exemplo, “1001 Discos para ouvir antes de morrer“, da Sextante,  tem 960 páginas em papel couché e custa 48 reais. O livro é ótimo. “Fotografia do Século XX“, editado pelo Museu Ludwig de Colónia, da Taschen, tem 760 páginas de fotografias e custa a mesma coisa. Uma das respostas é essa: ambos são impressos na China. 

Ainda me faltam muitos discos para ouvir. Acho que deveria apressar as audições, mas tem faltado tempo, porque a leitura tem me ocupado mais. Terminei de l/ver o livro sobre fotografia, no qual li uma frase curiosa sobre Cartier-Bresson, que ganhou oito páginas no livro, uma excessão: “… concluiu os estudos de pintura e filosofia na Universidade de Cambridge”. Sublinhei e tal. 

Dias atrás comprei a biografia de HCB, escrita por Pierre Assouline, “Cartier-Bresson, o olhar do século“, L&PM Editores, 2008. Irresistível, muito bem escrita, acabei lendo em poucos dias. O livro joga a gente para dentro da vida cultural francesa a partir dos anos trinta, na perspectiva da formação de um grande fotógrafo. Nunca imaginaria as relações de HCB com Jean Renoir (o filho do pintor) e Paul Nizan, André Breton e Giacometti, para citar uns poucos fora do mundo da fotografia. Tampouco imaginaria sua fome de leitura, sua devoção aos clássicos, tanto da literatura e da pintura, sua grande paixão ao longo da vida. Mas, de filosofia, como quer o livro do Museu de Colónia, não há quase nada. Veja o que Assouline diz sobre a passagem de HCB em Cambridge, onde fica no Magdalen: “… fica ali oito meses, durante os quais algumas vezes segue como ouvinte ocasional cursos de literatura inglesa”. That’s all. Em todo caso, há uma desculpa para a relação entre HCB e a filosofia, além do fato dele ter sido um dos retratistas de Sartre. Em Cambridge HCB conversou demoradamente com – escreve agora Assouline – “o grande filósofo e etnólogo Sir John Frazer na casa deste, enquanto Lady Frazer, que traduzira para o francês seu principal livro sobre a história das religiões primitivas e seus ritos, Le Rameau d’or servia-lhes o chá…” (p. 43.)

Como se diz aqui na metade sul, te falo de fotógrafo…

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