Esperanças

12mar09

Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate, dizia o Dante ainda na parte do Inferno. A frase me volta à mente na véspera da campanha eleitoral para mais um reitorado da Ufesm.  Dia desses, ao entrar no meu prédio, fui presenteado por um mosquitinho colorido de uma das candidaturas. Que eu soubesse, os conselhos da Ufesm não haviam autorizado que os seus funcionários e professores saíssem ao campus na caça da gente. 

Uns mirins que prestaram atenção nas cenas de estréia perguntavam se campanha para reitor é assim, que nem para prefeito ou deputado, com mosquitinho colorido. Os mirins achavam que em uma universidade, casa do saber, a coisa era na base do argumento e da conversa séria.

Mirins, sabe como é.

Terço, terço, terço, diziam outros mirins, senão não tem graça. Vai ser eleição ou consulta? Vai ser terço, terço, terço? E interessa para o eleitor o que cada um dos candidatos pensa sobre o que é uma universidade? Ou o negócio é na base do marquetching e do gogó? 

Tem uns loucos poucos que dizem que a gente devia fazer que nem nos isteitis e contratar um administrador, já que a gente tem mais o que fazer, escrever artigos, dar aulas, pesquisar. A gente dá as coordenadas nos Conselhos e os administradores tocam a casa. 

Tem outros loucos poucos que dizem que não, precisamos de um rei momo (quem manda mesmo é o cara de Brasília), que, chave da casa na mão, anima os mais desanimados e dá o rumo da folia. As vezes o rumo desacerta. Que mais pode um rei-tor, pensam esses?

Tem outros ainda que  acham que podem mudar a universidade. Deviam ler o artigo do Prof. Ronaldo Mota, no ultimo número do Ciencia Hoje.  Ele escreveu: “Jose Ortega y Gasset, pensador espanhol, fez uma surpreendente comparação ao destacar a semelhança entre as dificuldades em modificar uma universidade e mover de endereço um cemitério. A analogia, segundo ele, é que os que lá residem ajudam pouco nas mudanças.” De minha parte, acrescentaria a observação de Julio César, ao contemplar um certo rio da Gália. Ele teria perguntado ao seu ajudante de ordens, afinal, para onde corria aquele rio, de tão de-va-gar que o cujo andava. 

O menor dos mirins acha, no entanto, que temos que tocar o barco e isso inclui suportar mais um pleito. Mas bem que o pessoal podia deixar de mimicar campanhas de prefeitos e quetais e fazer uma campanha com padrão universitário, dessa vez, com menos figurinha e mais argumento.

Quem sabe, não? Vamos aguardar. Enquanto isso, uma coisa parece certa: quem parecia ter morrido faz pouco, anda bem vivo. Não está morto quem palpita.

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2 Responses to “Esperanças”

  1. 1 Osvaldo Moraes

    Ronai, este teu texto merece apenas uma complementação. “Como sinto saudades do tempo em que discutíamos a Universidade”.

  2. Como é bom ajudar os pescadores no arrastão de manhã bem cedo. Eles entendem na prática e na vida real sobre trabalho em conjunto e com objetivo bem delineado. E não perdem jamais a simplicidade de espírito. Como tenho aprendido com eles…que nunca ouviram falar em mestrados e doutorados…nem na “arte” de desmerecer os concorrentes rivais.
    Não foi à toa que Cristo escolheu na categoria dos pescadores os seus mais significativos apóstolos…
    Abraço fraterno, Ronai !

    Pizarro, um simplório nas areias de canasvieiras


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