A UFSM e a pedagogia do abacate

08abr09

Diz o sítio da Ufesm: “A UFSM, em um primeiro momento, não pode aderir à proposta”, declarou o reitor em entrevista à TV Campus e à Rádio Universidade, na manhã desta quarta-feira. “Precisamos de tempo”, reitera. “Como a instituição vai abrir mão de um perfil que permite ao jovem ingressar de forma diferenciada no ensino superior?”, questiona Clovis Lima. “São coisas muito complexas que precisam ser amadurecidas”, completa.O reitor disse que as características regionais não estarão presentes. “Eu não estou convencido. Não vejo a perspectiva de que o novo processo vá qualificar o ensino médio, nem alterar a qualidade de acesso no ensino superior. Adotar o Enem agora pode, inclusive, suscitar processos judiciais”, disse o reitor referindo-se à avaliação seriada do Peies.Lima lembra que a experiência do Peies, com todas as suas ações pedagógicas e todo o investimento aplicado, deu certo. “Não se pode abandonar tudo, são muitos aspectos que devemos avaliar para fazer uma mudança”.

Acho que o Reitor acerta ao lembrar que o Peies pode ser visto como uma promessa feita aos jovens para um ingresso diferenciado. Eles prestaram exames e agora esperam que a coisa vá adiante. Cortar o ingresso pelo Peies de uma hora para outra seria visto, no mínimo, como uma traição ou falta de palavra da Ufesm. OK, isso nos dá ao menos três anos pela frente, até limpar a fila de espera do Peies.

Acho que o Reitor erra em apostar muito nas tais “características regionais”. O argumento do MEC está baseado na idéia de que a demonstração do teorema do Pitágoras não tem variações regionais. O argumento do MEC é exatamente o de cortar os butiás regionais para morder no caroço do abacate do conhecimento. 

Me desculpe o Reitor, mas quando eu ouço alguém falar em conhecimentos básicos do ensino médio sujeitos a variações regionais, me dá uma frouxura nas tripas. Trata-se de uma contradição em termos. Falta mais pedagogia do abacate em nosso país.

Para ver a perspectiva que a proposta possa contribuir para qualificar o ensino no país basta a gente deixar de pensar o Brasil exclusivamente nos termos do sul-maravilha, como dizia o finado Henfil.

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