La Negra

12abr09

La Negra esteve em Santa Maria no final dos anos setenta, pela primeira vez. Apresentou-se no antigo Cine Independência e depois foi jantar na casa da Lúcia e do Antonio João, com todos os músicos que a acompanhavam. Conversamos animadamente, Marta, eu e ela, num canto da sala, por um bom tempo, sobre suas músicas, sobre o Brasil –  que ela apenas começava a conhecer. Ela ficou ligeiramente admirada ao ver que aqui na Boca do Monte tanta gente conhecia tão bem suas músicas. A noite foi uma alegria só, pois Mercedes Sosa era uma simpatia só. Ela foi embora no outro dia e a gente continuou a escutar, com mais alegria ainda, seus elepês. Com o passar dos anos ela foi se integrando no cancioneiro brasileiro, passou mesmo a ser uma parceira de alguns músicos importantes, que incluiam o mineiro Milton Nascimento, outro que desfrutou da hospedagem do antigo Hotel Jansen.

Ao contrário de Mercedes Sosa, Milton Nascimento entrou quieto em Santa Maria e saiu calado, apenas abrindo a boca para desfilar o repertório ali no Coríntians, onde, mesmo depois de uma dose dupla de natunobilis para espantar o frio ele rompeu os votos de soturnidade.

Volto ao tema de La Negra.  Era normal vê-la cantar com Fito Paez e Charly Garcia e outros parecidos. Nos últimos tempos La Negra mostrou sua paixão pela vida de uma forma mais radical. Primeiro cantou com La Shakira. Isso pode passar sem comentários. Veja aqui no YouTube. Depois, num gesto de notável largueza, La Negra cantou com Soledad Pastorutti a canção Agitando Pañuelos.  La Sole, como se sabe, gostaria de ser a herdeira de Mercedes. E esta, diz-se, teria deixado um dia escapar o comentário que La Sole precisaria fazer mais do que agitar um poncho para ganhar este lugar. Quem conhece La Sole, que fez do agitar do poncho a marca registrada das apresentações não pode deixar de perceber a alfinetada. 

Agitando Panuelos não apenas lembra o agitar de ponchos mas também fala em ir-se;  yo me iré agitando panuelos, diz La Negra. Ela canta todo o tempo sentada, ao lado de uma Soledad Pastorutti em pé, dançante, cantante, alegre por receber das mãos de La Negra o bastão de voz de uma Argentina que ainda lembra de certas coisas do campo.  

Preciso consultar meu assessor para assuntos de cancioneiro latino-americano, Marcio Fernandes, para entender melhor essas coisas. O mundo, definitivamente, não é mais o mesmo.

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One Response to “La Negra”

  1. 1 marcio fernandes

    professor,

    estou saindo em viagem, retornando no domingo. Entremeios, levarei seu tema pelas rodovias que percorrerei para melhor análise. mas, de antemão, aponto aqui: é bom prestar atenção em Gicela Mendez Ribeiro, vinda de Paso de los Libres. A moça canta que é uma beleza. No domingo, quando a segunda já estiver quase se apresentando, voltarei ao assunto aqui, para tentar justificar a confiança da assessoria que me foi delegada.

    Abraços desde o interior do Paraná, por onde o inverno chega primeiro…

    MF


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