A assembléia dos órgãos

18abr09

Advertência ao leitor: o texto abaixo pode ser considerado ofensivo. Não leia se tiver problemas com isso. Pode ser divertido, também. É a minha forma de contar uma velha piada. Pode ser uma metáfora, se for manuseada com cuidado.

Um dia os órgãos do corpo resolveram fazer uma assembléia para resolver alguns problemas de funcionamento da coisa toda. Alguns dos órgãos eram de opinião que faltava um pouco mais de coordenação entre eles e que eles deveriam estabelecer uma hierarquia interna. Alguém deveria ser o chefe do corpo, por exemplo. O cérebro, que estava quieto até então, foi o primeiro a se candidatar. Explicou que o corpo não poderia ir a lugar nenhum sem ele, e que ele, cérebro, era o derradeiro critério da presença da vida no corpo. Assim, cabia a ele o cargo. Como era de se esperar, o coração ficou indignado e disse que, por uma questão de importância e de simbolismo era ele, coração, bomba da vida, que devia ser o manda-chuva. Quando todos achavam que a discussão ficaria entre esses dois, o estômago pediu a palavra e botou a boca no trombone, explicando calmamente que essa turma ali encima tinha uma dependência vital de seu trabalho e que ele estava no páreo para o cargo. Os pulmões se combinaram e fizeram sua inscrição, alegando que a falta de ar era uma condição tão importante quanto qualquer outra e, ademais, eles eram um e dois e queriam o cargo. A discussão estava muito animada e eles estavam por fechar as inscrições quando o cu pediu a palavra. Sem muito dizer ele pediu para concorrer ao cargo. Todos olharam para ele, surprêsos, e começaram a sorrir, depois gargalharam. “Imagina, cu, logo tu! Vê se te enxerga, ora tu, lá embaixo, todo sujinho, querendo ser o chefe do corpo! Não vai dar!”. O cu ficou muito chateado, como era de esperar e ficou quieto. Não apenas ficou quieto. Fechou-se. Completamente. Inteiramente. Por ele não passava nem vento. Três dias depois os órgãos do corpo acharam que era hora de conversar com o cu. Ele estava por baixo, mas estava na ativa.

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One Response to “A assembléia dos órgãos”

  1. Ouvi essa historinha com seis anos de idade e depois nunca mais. Que sorte reencontra-la. Um instrumento pedagógico de inesgotável potencial para professores de filosofia e política.


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