O médio ensino

04maio09

Foi manchete hoje na Folha de São Paulo uma proposta do Conselho Nacional de Educação (CNE) que falava em coisas como eixos curriculares e aumento da carga horária didática. Na entrada da noite o MEC procurou esclarecer melhor o assunto, que estava se prestando para todo tipo de especulação. Na versão apresentada pelo MEC, fica-se com a impressão que a proposta visa um grupo específico de escolas, aquelas que tem as menores notas no Enem. Elas seriam contempladas com recursos financeiros e ajuda pedagógica, dentro dos parâmetros da tal proposta que está sendo cozinhada no CNE e que seria implementada a partir do ano que vem. A nota do MEC esclarece que não haverá a troca das disciplinas tradicionais por qualquer outra coisa, como os tais de quatro eixos (a matéria da Folha era vaga a esse respeito). O xodó do projeto, segundo a nota, é “trabalhar de maneira articulada com núcleos centrais, mas flexíveis, com projetos integradores, para facilitar a aprendizagem dos alunos”. Em resumo e traduzindo, como diz um certo professor da Ufesm, o MEC gostaria que as disciplinas e os professores conversassem entre si. Como se sabe, o médio ensino funciona na base do presépio, os reis magos e magros não curtem esse papo de planejar, conversar, saber o que o outro está fazendo.
A nota do MEC esclarece que “faz parte ainda da proposta associar teoria e prática, com grande ênfase a atividades práticas e experimentais, como aulas práticas, laboratórios e oficinas, em todos os campos do saber; valorizar a leitura em todas as áreas do conhecimento; e garantir formação cultural ao aluno.”
Ou seja, que a escola seja uma escola, assim como era no Olavo Bilac, ali nos anos sessenta.
Esse tema vai longe.

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One Response to “O médio ensino”

  1. A notícia comentada no seu post lembrou-me o último capítulo do seu livro “Sentimentos de Outono”, lugar em que o senhor discorre sobre o envolvimento da educação com a política e faz uma análise sobre as ilusões dos fundamentos na educação. Eu o tinha guardado em casa desde 2003, mas faz poucas semanas que o retirei do armário para ler.

    Tanto a proposta do CNE quanto os temas abordados no seu livro são aos meus olhos – o de um estudante universitário que está engatinhando na docência – tópicos relativamente obscuros. Não pela complexidade do que é dito em si, mas por notar que a ferida na educação brasileira é grande e antiga. E longe de termos uma posição relativamente sólida sobre como dar jeito na educação média, temos uma colcha de retalhos composta por debates que ainda estão tentando definir o que é um bom “fundamento para a educação”.

    Enfim, ainda bem que li seu livro neste ano. Hoje em dia meu código é um pouco mais rico do que antes (ou menos pior, poderia dizer), e ele permite que eu consiga captar, mesmo que minimamente, as mensagens construídas por alguns desses destinadores da educação que tentam estabelecer contratos de leitura comigo.


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