Regras

06maio09

passo-do-verde-1-of-11Via de regra, como dizia o Paulo Francis, é vagina. Via de regra, eleição no campus da Ufesm dava uma certa animação. Agora está difícil animar o povo, pelo que se vê nos picolés fincados na grama. Entre o redondinho e o verdinho, a melancolia avança. Os candidatos, me apresso a dizer, pouco tem a ver com isso, agora que estão nas regras. O problema são as regras. Ou a ausência delas. O que causa uma profunda melancolia no campus da Ufesm, se entendo bem os suspiros, é que mais uma vez as entidades se renderam a uma analogia equivocada: uma universidade pública não é uma miniatura de cidade, não é um arremedo de república. Uma universidade é uma instituição com classes de atividades bem definidas: ensino, pesquisa e extensão, e com objetivos que igualmente deveriam ser bem definidos. Isso nada tem a ver, nem em sonhos, com eleição arremedada aos executivos municipais ou quejandos. Mas é o que acontece, faz anos, por default. Quanto mais provinciana a universidade, mais ela quer imitar as eleições convencionais. “Veja como somos democráticos”, parece ser esta a mensagem das entidades, agora temos o voto paritário-empacotado. É o sinal definitivo da queda da ponte do Verde, o divórcio que se acentua entre a farsa do civismo e a academia entristecida: picolés enfiados na grama, os candidatos correndo de departamento em departamento, numa maratona que não consegue disfarçar o enfado pelo tempo que não passa.
Comitê de busca, isso seria decente. Demais? Bueno, então que os senhores conselheiros do três conselhos da Universidade, um colegiado de mais de cem pessoas assumam a responsabilidade pela instituição, abram inscrições, sabatinem os candidatos e escolham. E nos poupem desse jogo de comadres: repassam a responsabilidade para umas entidades que tomam decisões sem consultar seus membros, que foi isso o que aconteceu: tamanha responsabilidade por regras foi assumida por diretorias autistas, que sequer consultaram suas assembléias sobre a forma de eleger o dirigente supremo da instituição. Nos fizeram de bobos, empacotaram o que quiseram, distanciaram quem bem entenderam e fica tudo por isso mesmo. E os conselheiros, via de regra, vão engolir mais essa.
Um dia chegaremos ao voto universal. E sobre o memorial inacabado do fundador serão plantados uns picolés.

Anúncios


One Response to “Regras”

  1. 1 Delmar Bressan

    Caro Ronai,
    concordo com a sua análise. Se faltava uma pá de cal para enterrar esse tipo de processo, eis aí a dita cuja. Acho, no entanto, que o modelo já estava falido antes das últimas invenções de gabinete.
    A missão do dia seguinte será formatar um novo modelo sustentado em preceitos e regras acadêmicas (e sem bandeirinhas e pirulitos). Não tenho a fórmula, felizmente.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: