O baile das máscaras (ou: a pá de cal do Prof. B.)

17maio09

Os comentários deste final de semana do Claudemir me fizeram lembrar antigas leituras de filosofia política, que diziam que o poder é um certo tipo de fluido, se não cabe num lugar, vai para outro. Isso porque o Claudemir indicou para onde foram os fluidos das forças que foram alijadas do poder reitoral na ultima eleição. Isso tudo me fez pensar muito sobre o sentido das consultas para a lista de candidatos a reitor.
O reitor fundador da Ufesm, Prof. Mariano da Rocha, a governou com caneta de ponta desde 1960 até 1973. Foram treze anos de reitorado sem nenhuma eleição de coisa nenhuma, fora dos conselhos. O Prof. Mariano da Rocha nunca foi eleito por círculo maior do que os conselhos superiores da Ufesm. Nem, depois dele, o Prof. Helios Homero Bernardi (1973-1977). Nem depois dele o Prof. Derblay Galvão (1977-1981). Nem, depois dele, o Prof. Armando Valandro (1981-1985). Em 1985 assumiu o Prof. Gilberto Benetti, que foi reitor até 1989. Ali começou a tradição de consultas à comunidade para posterior referendo dos Conselhos Superiores (o Prof. Paulo Sarkis tentou o referendo de seu nome convocando apenas o Conselho Universitário mas não deu certo).
Alguns setores – cada vez mais amplos – da comunidade universitária andam se perguntando até quando vai a … como chamá-la?
Vamos lembrar um detalhe frequentemente esquecido. As consultas- que começaram, na verdade, em 1981, como o Claudemir nunca deixa de lembrar!) tinham um ambiente político externo importante. O Brasil não vivia um Estado de Direito. Os reitores eram vistos como pessoas escolhidas pelos presidentes “escolhidos” pelo Congresso. Não haviam eleições presidenciais no Brasil, ponto.
Depois da volta das eleições diretas desapareceu a maior parte da motivação das consultas para reitor. Assim, seria de se esperar que a partir de 1985 gradativamente desaparecesse essa forma de “motivação” da comunidade que hoje é chamada de “eleições para Reitor”. Da boca para fora, isso não aconteceu. As consultas continuam acontecendo, mas cada vez mais entusiasmam menos: da boca para dentro é cada vez maior o número de pessoas que questiona o processo. Está acabando um ciclo de politização desses processos, no altar da profissionalização das universidades federais. O diabo é que certas notícias demoraram para chegar em certos lugares.
Acabou a tal da ditadura militar no Brasil!!
Mas – sempre tem um porém! Deveria haver uma lei que dissesse que as Universidades tem autonomia para escolher seus dirigentes. Essa lei, pelas mais diversas razões, não foi aprovada e vale a lei que diz que deve haver maioria de docentes nessa decisão. Os conselhos, nos quais há maioria de docentes, parecem ter vergonha da responsabilidade profissional dos professores. Ou falta de memória. Assim, o Conselho Universitário, solitariamente, patrocina essa masquerade.
Se eu tivesse uma fada madrinha faria um pedido: deixa os conselhos resolverem essas coisas, a gente tem mais o que fazer.
Como dizia o Capistrano de Abreu, pior que falta de vergonha é falta de memória.
Antes de me baterem, uma perguntinha: onde, no mundo civilizado ou bárbaro, existe uma coisa parecida com essa brasil-bocamontense “consulteição” para reitor? Respondam isso antes de me crucificarem.
O-n-d-e?
Não façam como a Yeda, que ameaça processar a Luciana e o Ruas e nada! Vamos, onde no mundo tem baile de máscaras como esse?
Espero que as pessoas que gostam de elogiar o reitor fundador da Ufesm (merecidamente elogiado) pensem um pouco mais antes de achar que a consulteição é um tipo de panacéia.

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3 Responses to “O baile das máscaras (ou: a pá de cal do Prof. B.)”

  1. Ronái meu velho, como vais?
    Te convido uma vez mais a participar do Bloomsday no próximo dia 16 de junho. Consulta? Eu pago para não participar de uma bobagem como esta.
    Boa semana para ti.
    Guina

  2. 2 Delmar Bressan

    Caro Ronai,
    a miscelânia é geral, basta ver as imagens de apoiadores das duas chapas. Parte desse novo arranjo (?), em certa medida, já estava presente na eleição anterior.
    Para esse modesto observador da cena universitária, a crise é muito profunda e não há Reuni que consiga dar conta dela. O modelo de escolha do reitor é apenas uma das pontas visíveis do grande imbroglio.
    Abraço

  3. O poder é um fluído? Idéia bonita, mas ando em tempos de ler coisas que me fazem preferir crer no poder da ação humana. Mas flerto e sempre vou flertar com essa coisa cósmica que fazem pequenino o ato de votar (por desesperança, talvez?). Porque se o poder é um fluído, queria saber se ele é uma constante, ou se evapora vezemquando e exige ser chovido de novo pela mão humana. Caso a mão humana seja figurante nessa história, abençoados sejam os que tem suas barragens/currais e foram destinados aos papéis principais.

    E melhor sorte pra nós em outros mundos possíveis (caso isso não acabe com o “nós”), estes que insistimos em acreditar quando colocamos a cédula na urna.


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