Mobral neles

10jun09

Reproduzi o texto que está no sítio da Ufesm, para que depois não digam que estou inventando. Espero que nos cursos de letras e quetais o perpetrado panfleto seja objeto de estudo:
“Entidades lançam Carta à Comunidade Universitária chamando para a eleição a Reitor
10/06/09 12:06:12
ESSE VOTO VALE!
ELEIÇÕES PARA REITOR: POR QUE VALE A PENA PARTICIPAR!
A Universidade que vivemos é conflitante e, quanto maior o conflito dentro dela, maiores serão as chances de que ela venha a cumprir sua função social, que ela atenda aos ideais que hoje mormente atraiçoa. (GADOTTI, M. A Concepção Dialética da Educação, 1992).
No dia 16 de junho de 2009 acontecerá a consulta à comunidade universitária para a escolha da reitoria da UFSM, a qual gestará a nossa universidade nos próximos quatro anos. As origens e o desenvolvimento histórico das Universidades no Brasil e no mundo nos levam a refletir sobre como estas instituições se configuram como grandes instrumentos de poder. Por estar inserida no conjunto das relações sociais gerais, a educação e, em última instância, a Universidade, instituição secular, tem como uma de suas marcas a reprodução das contradições gerais da sociedade, sendo seu controle e sua direção fundamentais para a manutenção das classes e grupos sociais que detém o poder econômico e político na nossa sociedade, ou para a superação destes.
Para exercer a função social, de manutenção do estado das coisas, o autoritarismo e a centralização do poder no interior das Universidades, sempre foi o instrumento sui generis a ser estabelecido. Entretanto, é por reproduzir tais contradições gerais, que se abriram e se abrem as possibilidades de transformações nas mesmas. Obviamente que estas transformações não são fruto do devir histórico, mas da práxis concreta dos sujeitos históricos.
Fora assim, pela luta de diversos sujeitos históricos organizados coletivamente, que se estabeleceram mudanças, sejam na sociedade, sejam no interior das Universidades. No processo de escolha da direção maior da UFSM podemos ressaltar o importante papel das entidades representativas das três categorias básicas que compõem a UFSM, ASSUFSM, DCE e SEDUFSM que mediante sua ação venceram barreiras antidemocráticas asseguradas na legislação até hoje e com isso conquistaram o voto paritário na nossa instituição. Ampliando a participação da comunidade no debate da construção e gestão da universidade.
A base organizativa das Universidades Brasileiras ainda é conservadora e autoritária. Entretanto, na UFSM sentimos que nos últimos anos avançamos em nossas conquistas principalmente devido ao protagonismo das entidades representativas que são totalmente responsáveis pela realização da consulta paritária para a escolha do Reitor(a) e Vice-Reitor(a). Houve tempo em que se quer existiam eleições e os dirigentes destas instituições eram indicados pelo Poder Executivo Nacional. Esta prática não morreu, existem várias Universidade do Brasil que ainda se utilizam da mesma. Na UFSM, por exemplo, no CCSH (Centro de Ciências Sociais e Humanas) a escolha da direção, ainda, não é feita pela consulta direta aos estudantes, servidores técnico-administrativos em Educação e docentes.
Nesse ano teremos na UFSM uma eleição realmente paritária para reitoria da instituição. Em 2005 tivemos uma eleição nos moldes 30/30/30/10 (o peso dos votos equivalem a 30% Estudantes, 30% Técnico-Administrativo em Educação, 30% Docentes e 10% Aposentados), o que representou um avanço para a época superando o modelo 70/15/15 (70% Docentes, 15% Estudantes e 15% Técnico-Administrativos em Educação). Hoje damos um passo adiante e teremos uma eleição na qual de fato, o voto dos Estudantes terá o mesmo peso do voto dos Docentes e Técnico-Administrativos em Educação, nos moldes 1/3, 1/3, 1/3.
A consulta para escolha paritária da Reitoria da UFSM é uma vitória nossa. Porém, de nada adiantará toda esta luta, se não participarmos por completo desta eleição e dos mecanismos de gestão da Universidade. Por isso, convidamos todas e todos para que no dia 16 de junho expressem nas urnas os anseios da comunidade universitária, pois essa ação é também parte da transformação das universidades.
Participe dos debates e da eleição para reitor da UFSM!
10 de Junho de 2009
ASSUFSM, DCE E SEDUFSM”

Sic, sic, sic, primor de sic! E sic again!!!
Inacreditável! A diferença deste caso para com o texto inicial da Comixão é que esse eu copiei antes que eles retirassem do ar. Quem entender o que eles disseram (e não o que eles vão dizer que quiseram dizer) ganha uma lambreta novinha em folha, presente do blogue.
Se os textos acadêmicos da Ufesm seguem esse padrão, pobre da Ufesm. Não falo aqui das mentiras deslavadas sobre a paridade do voto (o que foi feito dos ex-alunos, hein?) e sobre o desprezo para com a EAD. As entidades poderiam nos ter poupado desse cinismo. E a casquinha que tentaram tirar do CCSH seria risível se não fosse ridícula. É só ler a ata da reunião da tal eleição para ver qual foi a posição das entidades no dia em que foi decidida a eleição pelo Conselho. No Moranafilosofia, se não me esqueço, contei essa história. Quem ficou quieto ali?
O Prof. Ronai presidiu a eleição do CCSH como diretor interino. O que ele tem para dizer agora é o seguinte: se a comissão eleitoral, nessa eleição para reitor, ainda faz questão de falar nisso, que conte toda a história, em especial conte sobre o silêncio e a falta de argumentos das entidades, que, no final das contas, faltaram. Infelizmente, algumas das testemunhas daquela reunião não se encontram mais entre nós, e prevalecem as versões de pessoas que, como bugios, pulam de galho em galho na política da Ufesm. De outro lado, alguns dos prováveis candidatos da época foram, logo a seguir, defenestrados indiretamente pela Polícia Federal. Esse capítulo, no entanto, pela dor pessoal que me provoca, me impede de ir adiante no tema.
Eleições como essa, presididas por comissões como essa?
Flamingos me biquem!

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2 Responses to “Mobral neles”

  1. Professor Ronai! Estou muito confusa em relação a esta eleição para reitor. Eu realmente não sei se vale a pena votar. Escrevi sobre o assunto no meu blog e alguns leitores não me entenderam, acham que eu não vivencio a UFSM e que estou meio alienada. Para estes, está tudo muito claro, são dois projetos completamente diferentes e ponto. Eu não sei. Ler os seus textos me faz ficar com mais dúvidas ainda sobre a relevância de participar ou não deste processo.
    Parabéns pelo blog!

  2. 2 ronairocha

    Prezada Silvana, obrigado pela visita. Eu ando em crise profunda quanto a esses processos eleitorais para Reitor. Não consigo hoje ver sentido em fazer com que o processo da escolha de Reitor se transforme em uma mini-eleição municipal. O tipo de regra que tem sido decidida pelas entidades, por outro lado, tem acentuado o que há de pior nas pequenas eleições municipais: dossiês, por exemplo: nas ultimas eleições isso tem sido uma baixaria total; para mim, está terminando um ciclo. Eu acho que o eleitor de um reitor não precisa ser submetido a esse tipo de processo, com dossiês e pirulitos e bandeirinhas; fenadoces e festas dos divinos, bastariam a que já existem. As entidades deram uma contribuição importante para enterrar o pouco prestígio que esses processos tem, ao não restringir mais fortemente os gastos de campanha. Omissão pura e simples ou falta de imaginação?


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