Vertentes

21jun09

Claudemir propôs um tema tão interessante quanto difícil, o significado do resultado das eleições e se Felipe Muller representaria uma continuidade de uma vertente de 16 anos de poder na universidade. Eu não sei qual foi o sentido dessa idéia de continuidade de poder.
Vamos lembrar umas coisas. Em 1985 o Prof. Benetti tomou posse como reitor da UFSM, onde ficou até 1989. Seguiu-se o Prof. Tabajara, entre 1989 e 1993. Depois tivemos a gestão do Prof. Odilon Marcuzzo do Canto, entre 1993 e 1997. Em 1997 assumiu o Prof. Sarkis, que teve dois mandatos, até 2005, quando assumiu o Prof. Lima, que fica até este ano.
O meu modo de ver as coisas: nos anos oitenta desenharam-se três grupos de disputa de influências. Esses grupos gravitavam em torno de três lideranças principais: Benetti, Sarkis e Sérgio Pires. Se fôssemos usar as categorias tradicionais de classificação política, representariam as posições de centro-esquerda, centro-direita e esquerda. Esses grupos estiveram presentes em quase todos os processos de consulta para reitor, a partir de 1989, já que o grupo aglutinado em torno de Sérgio Pires apoiou Benetti em 1984. O Prof. Sarkis teve sua trajetória de liderança catapultada pelo episódio da Assembléia Universitária, ainda nos anos oitenta. Depois foi diretor de seu centro, entre 1991 e 1995, esperou dois anos e finalmente conseguir ser Reitor. Depois dele a história é recente, não vou falar dela.
Eu estava escrevendo isso quando recebi um mail da Gisele falando sobre a FSP de hoje, que continha textos sobre esses temas de eleição de universidades. Obrigado!
Li as matérias da Folha de São Paulo de hoje sobre esse tema de escolha de reitor. Elas confirmam o que venho insistindo aqui. Nenhuma universidade importante pelo mundo afora escolhe reitor como nós fazemos. Falarei disso em outro momento. O que me importa lembrar aqui é o tema abordado no artigo de Renato Janine Ribeiro, professor do Departamento de Filosofia da USP. No seu longo artigo, do qual destacarei apenas uma idéia, ele aborda o tema da escolha de reitor e aprofunda os argumentos que tenho insinuado aqui e em outros lugares, em especial a forma como devemos compreender a idéia e o ideal de democracia dentro de uma instituição como uma universidade pública. Se a democracia é o governo do povo, em que consistiria o povo de uma universidade? Em nenhum momento ele abre mão do que tenho dito aqui: nesses processos não podem ser aplicados, por analogia simples, os critérios que usamos para a política republicana; dada sua natureza, na universidade deve haver sempre a preponderância da voz do docente. Esse é um dos eixos do artigo dele. Outro eixo é a distinção entre poder e autoridade nas universidades. A voz que se deve ouvir na universidade não é a do poder, e sim a da autoridade. Devemos distinguir entre grupos de poder e grupos de autoridade. O tipo de autoridade que deve predominar nas universidades é aquela de natureza acadêmica. Nesse sentido está por ser escrita uma história política da Ufesm, que mostre de que maneira os grupos iniciais de poder que se constituíram nos anos oitenta (que eu apontei no início) estão – ou não – convergindo para grupos de autoridade, que não se sentem reconhecidos e acolhidos nos ditos grupos de poder e muito menos nos processos de escolha de reitor.
É no contexto de uma história desse tipo que eu gostaria de pensar sobre o que pode representar a gestão Felipe-Dalvan, e o que representaria a gestão Burmann-Martha.

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One Response to “Vertentes”

  1. Bem, Ronai… minha limitação (o que, espero, não queira significar incapacidade de discutir) sobre o tema é evidente. Por isso, inclusive, tenho evitado aprofundar a questão. Não me entendo capacitado. Concordo contigo em relação ao “tempo histórico” – que é pequeno, realmente. E quando escrevi sobre os “16 anos” (e talvez não tenha sido entendido) foi porque me pareceu, então, ter havido uma ruptura com o período anterior – exatamente aquele a que te referiste e com uma trinca bem clara de lideranças e (principalmente) as idéias que elas representavam.
    Ah, para quem eventualmente não leu a coluna do jornal, a reproduzo no meu site. O link é http://www.claudemirpereira.com.br/noticia.aspx?codigo=14371


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