A gripe, as alfaces da família Marin e um sonho de vaca

28jul09

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Luis André Marin tem 85 anos, vividos em Vale Vêneto. Ele é casado com Dona Maria Dotto Marin, alguns meses mais velha. Tiveram sete filhos. O casal mora em um enorme terreno, quase uma pequena propriedade rural, no início da rua principal da vila. Ali ele cuidam de alguns animais e do plantio de pequenas culturas, mandioca, feijão, milho e verduras.
Faz mais de quinze anos que a família Marin fornece as verduras para o Festival de Inverno de Vale Vêneto. Antes elas vinham de Arroio Grande, a um preço maior e com gastos adicionais de transporte.
Neste ano, assim que terminou o feriado de Corpus Christi, o filho de Luís, Adair, que trabalha para a prefeitura de Polêsine, revirou a terra para o plantio das verdinhas que seriam comidas pelos estudantes e professores que viriam para o Festival. Depois veio Leonilda, a filha, que semeou a alface, a rúcula e o radite. Seu Luis e dona Maria se encarregavam dos reparos cotidianos e dos contatos com a comissão organizadora do festival, para a entrega diária dos produtos. Foram plantados dois mil pés de alface. Na semana passada a família Marin ficou sabendo que o festival de inverno seria cancelado por perigo de gripe.
Eles ficaram com as alfaces na mão.
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Se você for a Vale Vêneto por esses dias, pare na primeira casa da rua principal, no lado direito e compre umas alfaces do Seu Luís e da Dona Maria. Das rúculas nem digo nada, chegam a ter perfume, são carnudas e crocantes.
É uma casa verde, com um pé de pessegueiro em flor bem ao lado. Nos fundos da casa estão as estufas com as alfaces, verdosas e frescas de chão. São dois mil pés de verduras e não há tanta boca assim no Vale para comer tanta salada. E Seu Luís não tem logística para comercializá-las.
Veja só o que pode fazer uma gripe.
Mimosa, a vaca leiteira da família, anda espichando um olho para o lado das estufas. Se ela sonha, coisa que duvido muito, imagino que são verdes e crocantes, bem diferentes dos pensamentos do Seu Luís e da Dona Maria e de todos que ficamos órfãos do festival de música e inverno.
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7 Responses to “A gripe, as alfaces da família Marin e um sonho de vaca”

  1. Também duvido que vacas sonhem, e não sou chegado às rúculas, mas aquelas alfaces são de abrir o apetite, principalmente de um quase-vegetariano (coisa que também acredito que não existe).

    Andei lendo aquele português comunista que vive numa ilha, aquele livro que ele fala que todo mundo pega uma cegueira branca, livro que até deu um filme com a Julianne Moore e, se não me engano, o primeiro Nobel daquela ilhota. Se eu fosse hipocondríaco, teria sido uma péssima leitura. Como sou apenas quase-filósofo (algo que acho que pode existir mais que um “quase-vegetariano”) ainda estou pensando sobre onde devo depositar a responsabilidade pela não-erradicação dessa epidemia: a mídia faz alarde ou está sendo superficial? As autoridades estão fazendo pouco, nada, o possível ou o de sempre (algo que acho que fica entre pouco e nada)? Se não me engano, foram destacados uns oitenta médicos para a capital. Como disse meu sábio pai, com o ensino fundamental completo, vai dar uma “meia dúzia” de doutores pra cada postinho, e só. Acho que meu pai não vai à capital desde os 70’s, e que uns oitenta cairiam bem por aqui, e que a capital carecia de um pouco mais. Mas não sei. Sorte minha que posso evitar as multidões e, na santa paz do lar, colocar “A Peste” do Camus na lista dos próximos livros a ser lidos.

  2. Olá, Ronai.. não sei quem é o Victor aí de cima, mas o “quase-vegetariano” escreve bem. O que para mim é suficiente. Sem falar na opinião, das bem-colocadas e boas. Gostei dele. E do que “falou”. Quanto a mim, um carnívoro assumido (embora a gordura deixe de lado), concordo com ele. E teu texto, com a tua licença, será lembrado no meu próprio blogue. Que não fala de filosofia. Ou fala? Nunca sei ao certo. Mas que cuida dessas coisas e pessoas que decidem se uma gripe é para se apavorar ou não. Ah, já disse e escrevi, mas não custa repetir, grave ou não a tal moléstia virou um espetáculo para a mídia. Que adora isso, mais que tudo. Salvemos as exceções, que são tão poucas na boca do monte que todo mundo sabe quais são. Ou não?

  3. O Victor que aqui fala é um ex-aluno do professor Ronai, sr. Claudemir, e não escreve tão bem assim. Também é quase-ex-blogueiro, por força dos surtos e crises irregulares e imprevisíveis de inspiração e mau humor. E também tem medo da tal peste, bem como da crise econômica, do derretimento das calotas polares… embora dê risada quando se fala e se faz filme sobre fim do mundo em 2012. E quanto ao quase-vegetariano, é só pra não pensar que sou um “ex-vegetariano”.

    Méritos de quaisquer coisas que eu escreva devem ser direcionados ao professor Ronai que, entre outros, me apresentou algumas formas de tentar pensar direito. =)

  4. 4 ronairocha

    Meu querido Vitor, obrigado pelas palavras. Vamos dedicar esses méritos a quem realmente mereça, quem sabe nem a nós dois, mas à aquilo que buscamos.
    Infelizmente, não sei bem o que é. Mas o bom dessa frustrada busca é que, como toupeiras (ao menos no meu caso) vamos em frente, por menor que seja o pisco da luz.
    Talvez não haja luz.
    Me cago en la leche de la luz.

  5. 5 Angélica

    Recebi a receita do chá “Tamiflu caseiro” por e-mail de uma amiga e não verifiquei se a informação bioquímica é verdadeira ou não. Já preparei e gostei. Lá vai a receita:

    Chá anti-gripal feito com aniz, ingrediente principal do Tamiflu (A empresa que fabrica o Tamiflu é dona de boa parte das plantações de Aniz do mundo. Dali sai seu remédio.)

    Leve para ferver

    2 xícaras de água com
    2 estrelas de anis,
    um pau de canela,
    uma fatia de gengibre,
    um pedaço de casca de tangerina e
    2 cravos.

    Cozinhe por cinco minutos.
    Junte um pedaço de pimenta dedo-de-moça (pimenta calabresa).
    Desligue o fogo e espere amornar.
    Por fim, junte 1 colher (sopa) de mel ou a gosto e
    GLUPT!!
    Não há vírus que resista.
    Depois de uma suadeira, você vai se sentir bem melhor.
    E, acredite, não fica ruim, não.
    OBS: pode servir frio sem açúcar ou mel é bem refrescante.

  6. amigo Victor, não o conheço. Mas já gosto de você. Afinal, qualquer hora vamos fundar (sem ironia, com muita vontade, mas nenhuma atitude prática.. hehehe) a associação dos amigos (e admiradores) do professor ronai.

  7. Consideremos oficialmente fundada, então. Sou bom em participar de coisas que não pedem prática. E muito prazer em conhece-lo também.

    E… tudo bem, professor Ronai. Digamos que só parte de qualquer mérito meu é sua também. “Por razões lógicas” (frase que aprendi por aí, que não se explicar direito mas da qual tenho me servido indiscriminadamente). Por ter escavado uns buracos e criado uns túneis que percorri. =)

    Finalmente, sobre o tamiflu caseiro, acho que é mais seguros que os antibióticos de Assunción que, por desespero, as pessoas têm comprado.

    PS: Professor Ronai… Lhe mandei um e-mail sobre o Lobo da Estepe, não sei se recebeu. Terminei pela segunda vez o romance. Uma terceira, só daqui uns 20 anos, quando talvez eu possa entendê-lo e apreciá-lo adequadamente. 😦


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