O professor

20ago09

Quando o maior líder sindical de Zilbra tornou-se presidente do país, o professor P. foi tomado de uma contida alegria cívica. Ele imaginou, naquele momento, que um ciclo de acontecimentos bons para Zilbra iriam ter lugar. Muitas pessoas logo se decepcionaram com as decisões do novo presidente de Zilbra e abandonaram seus adesivos, nos carros e nas almas, mas o professor P. manteve sua opinião, certas malas vinham pelo trem, ele repetia, lembrando de certas leituras de Max Weber e do destino dos partidos social-democratas no mundo ocidental.
Um ciclo de acontecimentos bons para Zilbra de fato sucedeu-se, continua convicto o professor P. Mas quando o maior líder sindical de Zilbra tornou inequívoco seu apoio e perdão a um obscuro e corrupto senador de Zilbra, Zé Sarnento, a quem o próprio líder havia considerado um medíocre picareta do espírito público, o professor P. achou que ele também devia enfiar sua violinha no saco sem fundo do princípio de realidade. Ele passou na tesouraria das esperanças a varejo e pediu suas contas. Depois, foi no juizado eleitoral e pediu o recibo final.
Era o fim de um ciclo, ele pensava. Paciência tem limite.
E esperança não se inventa.

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5 Responses to “O professor”

  1. 1 Saucedo

    Caro Ronai!
    O problema era com o professor P. Ele não sabia o que o líder sindical sempre soube: política se faz com os pés no chão (que nem sempre é limpo) e não com sonhos.

    Abraço,

    Saucedo

  2. olá ronaí, como vais?
    eu acho que o lula não faz política, ele simplesmente opera para ficar mais rico e tornar os seus mais ricos, não importando muito o que se passa com os sonhos e os projetos alheios. o lula e seus petistas amestrados ainda vão assombrar muitos brasileiros com esta mania de mentir e trapacear o tempo todo.
    bom final de semana.
    aguinaldo

  3. Conheço um aluno Q. do professor P. que definitivamente está na tesouraria das esperanças à varejo e que também acha que política se faz com os pés na lama, embora ache mais ainda que paciência tem limite.

    O aluno Q. viu, inclusive, meses atrás, uns amiguinhos do presidente sindical, em uma província que as vezes é confundida com Porco Alegre e vezes com São Sepéssimo, trazendo a granel o povo para votar no representante provinciano dessa tesouraria. O aluno Q. se sentiu um tanto idiota quando percebeu que foi vencido por mais ou 1000 à 60 (sem erros de digitação, o professor P. bem sabe). Nem quis tomar cerveja com os amigos aquele dia.

    A única dúvida do aluno Q., que é muito novo nessa coisa da coisa pública e nessa vida de humanidades, é a seguinte: se P, então Q?

    Porque sujar o sapato é necessário. Gostar disso não.

    PS: Ainda não tive coragem de perguntar pra companheirada canhota o que eu devo pensar disso tudo. Mas a idéia é não pensar mais.

  4. Meu caro Ronai.

    Em algumas situações em que estamos prestes a tomar uma decisão ou uma atitude de forma contundente e essa deliberação for definitiva, concluímos taxativamente e de caráter irrevogável – irrevogável? – “É hora de a onça beber água”. Pelo visto a anta não bebeu.
    Se na eleição passada um senhor T falou, peremptoriamente, que não renunciava e renunciou. Por que o irrevogável não pode ser irrerrevogável?
    Bueno, eu desviei o tema, mas tudo faz parte desse imbróglio. Se temos um professor P e um aluno Q, falta um servidor P.
    Assim teremos a conclusão desse episódio: P.Q.P. que deve ser o nosso sentimento.
    Abraços
    Athos

  5. Esse seu Zé das oligarquias nordestinas não abandonou a casa como deveria, defendido pela ingerência do líder sindical que confunde os poderes e confunde os apertos de mãos. Dessa vez deu pra ver como um conselho ‘das éticas’ funciona no cerrado. E lá vem 2010, um tanto tarde, sem as reformas à la Jango; Paisinho enrolado essa Zilbra, com poucos trens.


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