A mania funesta

14set09

300px-Goya_Maja_naga2Acabei de ler a biografia de Goya, escrita por Robert Hughes (Goya, Cia das Letras, 2007). O livro é muito bom, 500 páginas de história da arte, da Europa, da Espanha e da vida desse gênio das artes. Goya é apresentado contra um sólido pano de fundo social e histórico da Espanha, da mentalidade espanhola tal como foi sendo forjada em séculos de recusa do Renascimento e de todas as conquistas espirituais das Luzes ao redor. Espanha e Portugal repartiram esse gesto enclausuramento em suas monarquias porosas aos clérigos e Hughes mostra um Goya que se equilibra de forma notável nesse ambiente.
Ao descrever a política de Fernando VII, El Deseado, filho e herdeiro de trono de Carlos IV, Hughes conta um episódio sintomático desse ambiente opressor para as letras&artes. No início do século 18, as universidades espanholas haviam sido fechadas (em 1717, por Felipe V), por liberais, restando umas poucas. Entre as que ficaram, ele deu destaque para uma medíocre universidade numa cidadezinha entre Madri e Barcelona, chamada Cervera. O currículo ali implantado foi planejado pela Inquisição. “Quando Fernando VII fez uma visita solene ao local, no início de seu reinado, o diretor da Universidade mostrou-se à altura da ocasião, ou melhor, à baixeza, tornando-se figura emblemática na história acadêmica espanhola: ‘Lejos de nosotros, la funesta mania de pensar’, assegurou ao Deseado.”
Sei não. Não sei se rio ou fico nervoso.
Um dia ainda vou ao Prado ver a Maja Pelada ao vivo.

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2 Responses to “A mania funesta”

  1. Olá
    O site das fotos do céu amadoras deste ano premiadas pelo observatório de Greenwich é…
    http://www.nmm.ac.uk/visit/exhibitions/astronomy-photographer-of-the-year/
    Bom divertimento
    em tempo: grato pelas informações que me destes hoje.

  2. olá
    Segue o link para o Robbe-Grillet
    Bom divertimento

    http://minuit.nuxit.net/f/index.php?sp=livAut&auteur_id=1445

    1976-1978. Réalise trois ouvrages où interviennent d’autre artistes : La Belle captive (Bibliothèque des Arts, 1976, avec des tableaux de Magritte), Temple aux miroirs (Seghers, 1977, avec des photographies d’Irina Ionesco) et, en collaboration avec Robert Rauschenberg, Traces suspectes en surface, (paru en 1978, l’ouvrage reprend trois chapitres de Topologie d’une cité fantôme, publié aux Éditions de Minuit en 1976). En 1977, tournée de conférences au Brésil, depuis l’Amazonie jusqu’au Rio Grande do Sul (16 états). Souvenirs du triangle d’or et Un régicide aux Éditions de Minuit (1978). Traversée du Continent par le Transibérien. Conférences au Japon et en Corée. Les Éditions du Seuil annoncent, pour 1979, la parution d’un Robbe-Grillet par lui-même (prévu pour la collection « Écrivains de toujours »). La prépublication en paraît dans le n°31 de la revue Minuit. Le projet, abandonné, donnera naissance aux Romanesques. Trimestres universitaires à l’UCLA (Los Angeles, Californie).


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