O 17 de maio: a gente somos nós e eles

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O 17 de maio é feriado em Santa Maria, aniversário da cidade, cento e tantos anos. Mas o dia também é bom para pensar se a gente somos apenas a gente ou se somos um pouco eles. Eles, aqui quer dizer aqueles que a gente chama de diferentes, com uma ponta de receio de reconhecer que no fundo somos todos iguais.
Em 1990, a OMS (Organização da Saúde) fez um favor para milhões de pessoas mundo a fora: retirou a homossexualidade da lista oficial das doenças mentais. Com essa providência o dia passou a ser comemorado com o Dia Mundial de Luta contra a Homofobia.
O fato teve conseqüências: no quase vizinho município de Bagé já houve um caso de criança adotada por pessoas com a mesma orientação sexual.
Mas, como se sabe, falta muito. Tenho amigos homosexuais e muitas vezes me surpreendo, me colocando no lugar deles; tenho alunos homosexuais e por vezes penso na forma como podem se sentir no mundo e tento honrar isso nas minhas aulas; tive ou tenho parentes homosexuais e senti de perto os dramas pelos quais passaram; até hoje nunca pude esclarecer se um deles suicidou-se ou foi assassinado; de outro não tenho essa dúvida. E sempre que beijo algum amigo na face não posso esquecer que aquilo sei desses dramas incluiu, em algum momento, algum grau de acquaintance. Enfim, conheço muitas pessoas que, quando desenham para si o horizonte de suas vidas incluem nele preces por maior compreensão para com a forma como vivem suas sexualidades. Por tudo isso a gente pode pensar que falta muita caminhada na aceitação da diferença, na luta contra a homofobia. Santa Maria é cidade grande e bonita, que tem centenas, milhares de pessoas grandes e bonitas que pertencem a essa comunidade, assim chamada de alegre, mas que, por vezes, é muito sofrida. Eu brindo a eles, hoje, a luta deles, que deve ser a de todos.
A gente, no fundo, somos todos nós.

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One Response to “O 17 de maio: a gente somos nós e eles”

  1. Ministrei aulas durante 44 anos na UFSM e nos “cursinhos” da cidade. Tive milhares de alunos e, entre eles, centenas de homosexuais. Tenho uma sobrinha que mantém uma união civil estável com sua parceira há quase dez anos. Tive colegas de docência homosexuais.
    A opção sexual dos mesmos JAMAIS interferiu na minha relação com eles e tão pouco tive qualquer preconceito contra o fato. E olha que estou falando de quase meio século atrás, quando as coisas pertinentes ao assunto sexo eram bem complicadas.
    Graças a Deus, nos tempos atuais há clareza e entendimento sobre a opção alternativa de sexualidade humana, pelo menos na cabeça da maioria das pessoas.
    Por isso, parabenizo pela oportunidade do presente comentário e registro da data que marca o
    “International Day Against Homophobia”.


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