O fundo da minha alma

17out10


Liguei a tevê e assisti os últimos minutos do debate de hoje entre os dois candidatos a presidência do meu país. Um deles disse que se abriu e falou “do fundo de sua alma”.
Eu poderia votar em qualquer um deles. Ambos tem a ver com coisas ligadas com o fundo da minha memória político-afetiva. Devo escolher, no entanto. Mas nenhum deles fala ao fundo da minha alma. Eu evito tentar adivinhar o que borbulha no fundo de minha alma. Acho que que não resistiria às descobertas. Viver, como diz o Mestre Rosa, é muito perigoso, e é fácil imaginar o que ele não diria sobre as profundezas da alma. Entre o idealismo rotativista e um certo pragmatismo de resultados, escolho o último; as conseqüências do mesmo desembocam, a meu ver, na continuidade de chances de meios-termos e meias-classes e mais umas tentativas de horizontes. No máximo, por certo. Eu acho que essas coisas vagas dependem das sortes e dos azares, mas é por aí que me decido.
O fundo da minha alma é viscoso, líquido, escuro, opaco. Eu diria vulcânico, se isso não fosse uma coisa pedante. Mas eu espiei a cratera do Villarica um dia e por isso me exponho a esse pequeno ridículo, minimizado, espero, pelo desejo de partilhar com alguém a idéia que, no fundo, somos como os bichos, exceto por uma certa angústia pelo futuro.
Uma coisa transparente, que me lembro, foi um rio que atravessei, faz algum tempo, nos Aparados da Serra. E também um outro que subi hoje, na Quinta Dom Inácio, ali nos Três Mártires, no municipio de Silveira Martins, guiado pelo Professor Everton.
Pensando nas eleições, quem votar apenas com a razão, que atire a primeira pedra.
Eu acho que ela vai quebrar o vidro do fundo da alma de todos nós, viventes. O fundo da minha alma, para minha melancolia, não acredita em salvação, exceto pelo que somos capazes, à duras penas, de dizer uns para os outros.
E dizer é, como (aqui apenas imagino) diria Rosa, um assuntar com alma, sem funduras sem xingamentos. Com a calma que os sufocos nos permitem.
Na foto que fiz ontem, um brasileiro tenta, em havaianas, atravessar um lodaçal….

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2 Responses to “O fundo da minha alma”

  1. 1 Gisele

    Querido,
    eu ando às tontas com essas escolhas. E sobre o quanto de razão podemos usar, me pergunto muito sobre, e da resposta não me agrado, e não consigo me entender nas minhas funções.
    Obrigada pelas fotos dos passarinhos.
    Que não passarão.

  2. 2 R

    Querida Gisele, pois aguarde mais fotos de passarinhos, por essa bem lembrada razão; eles não passarão. E nós, bem, ai de nós, não?


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