Um campo de concentração em Rosário do Sul? – O buraco da chepa, III

13mar11


O segundo comentário de Jorge Telles dá conta de um episódio na história de Rosário que é de arrepiar. Ele afirma que nos anos cincoenta o exército americano veio a Rosário trazendo para ali alguns japoneses que eram prisioneiros de guerra, combatentes de Iwo Jima. Eles foram trazidos para introduzir o cultivo de tomate na região, para que fosse industrializado pela Swift. Isso seu origem a uma lenda urbana que ali em Rosário teria havido um campo de concentração. Deixo que ele conte a história:

“Cheguei a ouvir pessoas mais antigas dizerem que as alfaces, couves e rúculas que a Swift servia nas refeições era bóia para vaca. Lá pelos anos 50, durante a Guerra entre a Coréia e os EUA, temia-se o expansionismo comunista no mundo no caso dos EUA serem derrotados na Coréia. Um dia aterrizaram no aeroporto de Rosário do Sul dois grandes aviões da Força Aérea Americana, comandados pelo General Mullins, com dezenas de militares americanos. Eram forças de ocupação que controlariam o grande investimento americano na Swift com o fim de identificar algum tipo de infiltração comunista por ali. Entre o pessoal desembarcado vieram alguns prisioneiros japonese feitos nas ilhas de Ivo Jima na Segunda Guerra
Mundial. Esses prisioneiros japoneses foram assentados em dois locais: na chácaras do Dr. Mário Vasconcellos, atrás do quartel do 4°RCC e na chácara do Dr. João Alves Osório, na várzea do Rio Ibicuy D’Armada. Os japoneses deveriam cultivar tomates para industrialização na Swift. É falsa a afirmação que correu de que Rosário do Sul foi um campo de concentração de prisioneiros japoneses dos EUA. Os japoneses tinham uma vida livre e logo se ambientaram, apesar da dificuldades do idioma. Os militares americanos que vigiavam a Swift sempre se apresentavam a paisana durante o tempo de serviço. Com o tempo a Swift abandonou a plantação de tomates e os japoneses foram embora. Ainda hoje o local, que fica atrás do 4°RCC, onde está o Centro Hipico, se chama Campo do Japonês.”

Acima, uma foto atual da fachada do hotel que foi construído pela Swift, nos anos de ouro do frigorífico. O hotel era casa de passagem para seus funcionários e fica nas proximidades do campo de golfe de Rosário do Sul, igualmente construído pelos norte-americanos. O complexo era conhecido ali como “Vila Swift”.

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29 Responses to “Um campo de concentração em Rosário do Sul? – O buraco da chepa, III”

  1. 1 Gisele

    Causo digno de um Gabo, Borges ou Casares.

    • 2 Jorge Telles

      O Dr. Mario Ortiz de Vasconcellos, proprietário das terras onde foram assentados os soldados prisioneiros japoneses ainda está vivo e lúcido, apesar dos seus 104 anos. Também ainda trabalham no local o casal Luis e Arizolina, assim como os vizinhos mais antigos das imediações. Esses citados acima são boas fontes testemunhais e de informação. Abraço.

  2. 3 Iguatemi Esteve Lins

    Meus caros

    Me criei em Rosário do Sul, mais precisamente ao lado do hotel da Swift, cuja foto eu olho com muita tristeza pois, foi aí ao lado desse hotel que eu passei os melhores momentos de minha infância e adolescência.
    Hoje moro em Palmas, Tocantins com minha familia, mas não esqueço jamais da minha terra Natal e creio que essas histórias são lendas.

    um abraço

    • 4 Antonio Cezar Ross de GArcia

      Antonio Cezar Ross de Garcia
      O Hotel nunca foi campo de concentração. Os japoneses, pelo que sei apareceram por lá nos meados dos anos sessenta.
      Passando o Colégio General Abreu, quem vai para o aeroporto, dobrando a esquerda (tinha uma Bica na parte de cima do campo, e uns buracos enormes, que não sei o que eram), descento, a direita tinha um laguinho e uns eucaliptos. Alí tinham uns japoneses, livres, leves e soltos.
      Produziam hortaliças como uns loucos. Não falavam nossa lingua.
      O Hotel da Swift sempre foi um hotel. Lindo, muito lindo.
      Era muito diferente para os nossos padrões.
      Uma história real que participei (aos sete anos), foi os testes que eles faziam conosco no Centro de Saúde. Como comecei estudando no General Abreu (colégio popular), seguidamente eles nos levavam no Centro de Saúde e nos aplicavam uma picada de alguma coisa (tinha gente falando outra língua). Antes do meu pai morrer, nos anos noventa, falei sobre isto, e ele, que nunca soube da história, me disse que ja tinha ouvido falar das atuações dos Norte Americanos.
      Fui cobaia dos norte americanos em algo, mas não sei o que foi.
      Mas, a minha terra é maravilhosa, embora esteja fora há muito tempo.
      Prezado Iguatemi, bom mesmo era o agito no Paraíso.

  3. 5 Iguatemi Esteve Lins

    Abraço

  4. 6 jorge marcos telles de oliveira

    Antonio, desenhaste muito bem o cenário, o Colégio General Abreu ficava abaixo dos Quartos Brancos, ao lado dos trilhos e na estrada do aeroporto que ficava nos fundos da Swift. Os japoneses que tu fala é os que foram assentados na chácara do Dr. João Osório abaixo de uma estranha bica que parecia uma casamata ou bunker de concreto e pedra. Os alunos que estudavam no Colégio Gal. Abreu eram na sua maioria filhos de operários da Swift, moradores da antiga vila do Carrapicho, que após mudou o nome para Vila Aliança quando foram construidas novas casas, presente dos americanos em agradecimento pelo Brasil ter votado na Convenção da OEA em Montevidéu em 1962 pela expulsão de Cuba. O nome Aliança do novo bairro homenageava a “Aliança Para o Progresso”, nome da política americana para os sul-americanos. Santana do Livramento, onde tinha outro tentáculo americano, o Frigorífico Armour, também ganhou uma vila identica, que recebeu o nome de Vila Kennedy.

  5. 7 Iguatemi Esteve Lins

    Queridos Amigos

    Lembro dos Quartos Brancos la embaixo no fim da rua perto do colégio, meu irmão Irapuãn estudou la, eu estudei no Nossa Senhora do Rosário com muito orgulho, minha diretora foi a Dona Ody Motta, e fui tarolero mór da Banda…..(Lilian Motta), Sonia Maria Paz era a Balisa, inclusive, nessa rua morava um amigo meu chamado Pedro Ricardo Inchausti que hoje nos visitamos aqui no Tocantins, pois ele mora em Paraiso do Tocantins e eu moro em Palmas. Quando nos encontramos é só pra falar de Rosário do Sul. Eu acho que é por causa da idade e pela distância dos pagos, a gente conversa tanto sobre a nossa infância e sobre Rosário, que depois cada um vai para a sua casa e perde o sono querendo lembrar o nome de todo mundo quem morava aonde filho de quem, pai de quem,mãe de quem. Ja ía me esquecendo, sou filho De Alvaro Lins e Elza Lins, meu pai era veterinário da Swift era conhecido como Dr. Lins. Um abraço pra todos…

    • 8 Antonio Garcia

      Fala Iguatemi….
      Meu pai era o Ruben Garcia. Realmente moravamos num Paraíso.
      Eu resido em Pelotas faz 40 anos. Fui uma vez lá na Villa, lá pelos anos oitenta. Que nostalgia. A Villa tava lá, mas as pessoas eram todas estranhas.
      Depois evitei de ir lá. Fico muito deprimido! Saudade dos amigos.
      Um abraço a todos….

      • Morei muitos anos em Rosário do Sul,terra muito boa de seviver.Sinto saudades daqueles pagos.Hoje moro em Porto Alegre há 20 anos.E, 1967 seu Rubens Garcia e sua esposa foram meus padrinhos de casamento.Ele ,o seu Rubens era colega de meu pai na Swft.Saudades.

  6. 10 Ubirajara Esteve Lins

    Sou irmão do Iguatemi Esteve Lins e também me criei ao lado desse hotel, e hoje me entristeço pelo estado de conservação do hotel e da Caixa Dàgua…
    Ubirajara Lins

    abrassss

    • 11 Antonio Garcia

      Prezado Bira…
      sou um pouco mais novo que tú. Mas fomos contemporâneos. Morei na casa da Esquina, aquela com parede de telha de zinco.
      Que Esquina! Dona Lia e seu Clovis, Dona Edith e seu Nascimento e o Leãozinho e a dona Nenai.

      • Também morei em Rosário do Sul, na Swifft, quanta saudade. Meu pai aina mora por la.Sr Nascimento e dona Edith ambos faleceram, assim como sr Mário Vasconcellos. Um local maravilhoso, morei na rua principal da swifft, antes da esquina em frente entrada do golf, a cerca viva ja nao existe mais, uma das belezas do bairro. Alguém poderia postar fotos.

  7. visite o site rosariodosul.blogspot.com com um grande acervo de fotos de Rosario do Sul.

  8. 15 Lázaro Bastos

    Sou morador de Alvorada, região metropolitana de Porto Alegre. Visitei Rosário há uns 2 anos atrás, certa hora reparei uma grande construção em ruínas, perguntei aos moradores do que se tratava, quando soube me interessei cada vez mais pela história, se alguem puder me falar mais sob a época em que a Swift estava instalada na cidade agradeço.

  9. 16 luis amarilio menezes alvira

    adorei a reportagem, não vivi a época, mas com os comentários me transportei para o cenário, muito bom mesmo.

  10. AOS AMIGOS QUE SE REPORTARAM A HISTÓRIA DO JORGE TELLES, SÓ VENHO CORROBORA COM ELA POIS FUI CRIADO AQUI NA AMARO SOUTO, ENFRENTE AO QUARTEL, ONDE HOJE ESTOU DE VOLTA. E A HISTÓRIA DOS JAPONESES É VERIDICA POIS SEMPRE VI OS MESMOS TRABALHANDO E DEPOIS QUE FORAM EMBORA O LOCAL VIROU NOSSO CAMPO DE FUTEBOL, PORQUE TINHA FICADO NIVELADO E UMA GRAMA DE LUXO PARA OS NOSSOS TORNEIOS. UM ABRAÇOS A TODOS.

    • E que baita sombra tinha aquele campo do japonês Pedro Aurélio. E depois da bola te lembra daquela valetão por onde corria a água que era puxada do Ibicuy para a lavoura de arroz, limpinha e onde se tomava banho. As vezes o seu Euclides chegava e nos corria rsrsrsrsrs…

  11. 20 Paulo Ricardo Lopes

    Eu Nasci e me criei na Amaro Souto, e meus avós trabalharam a vida inteira com o Dr. Mario Ortiz, falecido a pouco tempo. A história do Japonês agricultor sempre ouvi falar que atrás da casa da minha avó ficava a horta do japonês que segundo contam, deixou muita saudade ao povo daquela região. O Dr. Mario foi criador de vacas leiteiras e mais precisamente da raça jérsei. A Vila Ana Luisa e as propriedades do exército foram todas doadas a pessoas ex funcionários por este extraordinário ser humano chamado Dr. Mario Ortiz de Vasconcelos , inclusive a casa em que eu nasci que foi o colégio que meu pai estudou. Eu nasci em 1967 e a herança cavalariana por influência do quartel de Rosário, me acompanha até hoje. Que saudades!

  12. 22 Johne994

    That is some inspirational stuff. Never knew that opinions could be this varied. Be certain to keep writing. ebkgfdcfeece

  13. 23 Mari Stel Fialho de Fialho

    Iguatemi Esteves Lins.
    Lembro muito bem daquele tempo eu tbm. Fiz parte dessa é poca dos quartos Brancos.da. Escola General Abreu estudei. dos Japoneses
    Minha vó Leontina mandava comprar tempero Verde.
    Lembro muito do Dr.Lins muito querido por sinal (era magrinho ).
    Eu morava passando os trilhos no lado da oficina dos Badinelli.
    Prima dos Gêmeos Álvaro e Ângelo.
    Tempo da Tia Nenai
    Tio Cavaleiro
    D. Lia e muito mais
    Viajei no tempo…nasci e me criei ali nesse lugar.e ainda vivo aqui em Rosario do Sul. Foi um prazer imenso ter lido esses documentário.
    E ter lembrado de todos vcs…
    Abraços.

  14. Iguatemi E. Lins, conheci teu pai, era amigo do meu Pai Pedro Augusto Gautier que trabalhou na Swift por mais de cinquenta anos e foi estafeta do Mr. Waitses. Publiquei 2 livros “Theatro Municipal – Famílias Gautier e Goñi” e “Rosário do Sul – Villa e Cidade Reminiscências…” Antonio Garcia, meu pai e o teu trabalharam juntos. O Jorge Telles é um grande historiador de nossa Rosário do Sul, meu amigo, e conhece muito a história de nossa cidade, pois sempre foi um incessante pequisador.

  15. Lembro muito no tempo da Swift a cidade era bem movimentada os trabalhadores sempre de branco passavam aqui pela Amaro Souto a onde eu morro ate hoje, apesar ser ser bem pequena na época, eu lembro de uma cidade aonde havia circulação de capital de gente trabalhando de fartura enfim…saudades daquele tempo

  16. 26 Oliverio Vasconcellos

    Meu avô Mario me contava que sempre que passava um avião no céu o Japonês, traumatizado com as bombas atômicas lá no Japão, se encolhia todo quando não se arirava ao chão.

  17. 28 Cezar

    Muito bom ler estes relatos. Grande maioria dos rosarienses possuem um vínculo afetivo com a swift. Eu não sou diferente… abs

  18. 29 paulo elizio figueiredo

    bom sou de rosario nasci em sao simao e fui morar na granja santa maria dos irmaos temp depois vim morar na rua nossa senhora do carmo 242 bem em frente os japoneses que tinha orta ali nos jogava bola no campinho bem ao lado da orta eo japones prendia a bola e furava meu pai morador antigo dali brigava com esse japones era eu e meu amigo galdino do amaral morador da mesma rua e tomava banho no açude do lado tinha umas cortizeiras que tinha uma lança crada que nos nunca podemos tirar dali agora nao tem mais nada ali meu pai seu maximo da rosa e dona tereza da rosa hoje falecidos so restou nossa casa hoje javendida e nos saimos um pra cada lado hoje moro em alegrete desde 12 anos meu pais trabalharam na swift hoje nao tem mais nada tudo mudou mas era boa minha cidade


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