Uma mudança de temperamento seria uma revolução possível e potente

11ago11

Estou lendo um livro de Richard Sennett, “O Artífice”. E isso me levou a outros textos dele. Ele se considera da “velha esquerda”, um tanto perplexo com os rumos desse tipo de pensamento no mundo de hoje. Em outro texto, divulgado pela “Carta Maior“, ele aborda os impasses da esquerda, uma coisa decadente no mundo de hoje, diz ele. Nos casos em que ela chegou ao poder, apequenou-se e não conseguiu se transformar em um agente confiável de reformas e de iniciativas políticas. A esquerda perdeu espaços na sociedade porque ela fala muito, cheia de verdades que é, e escuta pouco. Ela tem um déficit de escuta. E quem não escuta os outros perde aos poucos sua presença na política.
Mas nem tudo está perdido, ele pensa, pois o mundo está cheio de energia política.
Bem, a gente vê algo assim nos jornais, pensei, e lembrei das manchetes dessa semana sobre o Chile.
Lá pelas tantas Sennett dá uma paulada no movimento sindical. Eis o trecho:
“Algumas pessoas na esquerda desistiram do movimento sindical, o que é compreensível, mas eu penso que se trata de um grande erro. Embora muitos sindicatos tenham se tornado burocracias esclerosadas, obsessivas com privilégios de senhorio, nem todos são assim.”
Segundo ele, há um sindicalismo, iniciado nos anos oitenta, que ampliou a agenda do setor pois soube combinar o engajamento dos trabalhadores com ações de massa. Mas isso é algo ainda muito incipiente. Hoje, diz ele, a esquerda precisa mudar seu temperamento. Precisa pensar menos no político e mais no social. O rumo que ele aponta é o da solidariedade. O desejo por solidariedade levaria a uma superação de certas diferenças. Seus argumentos nos levam a pensar que o sindicalismo excessivamente centrado na política está em baixa. Seria preciso reconhecer os limites das ações políticas e apostar nas forças que surgem da sociedade civil. Seria preciso mudar o temperamento, pois ninguém suporta mais o estilo “hoje eu não tô bom”.
Nessa agenda, é preciso prestar mais atenção às questões locais e pontuais. São elas que mobilizam.
Fiquei me lembrando do caso atual do Chile. Faz já dois ou três meses que os estudantes chilenos pedem uma coisa bem objetiva: a volta da educação pública em um país onde o estado abdicou dessa presença. Taí uma diferença interessante, a explicar, quem sabe, a diferença de agendas entre nós e os chilenos.
A foto é da crise em Santiago, nesta semana.

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2 Responses to “Uma mudança de temperamento seria uma revolução possível e potente”

  1. 1 Gisele

    Ronai,
    sua postagem me remeteu ao vídeo que segue, sobre a situação da educação no Chile, Argentina e Inlgaterra: http://www.youtube.com/watch?v=KDqVctWbaOA&feature=related
    Abraço,
    Gi

  2. Vou comprar o livro do Sennet!


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