A breve branca e o perfume da meninada

01jun12

Novo século, novos costumes. Na próxima quarta-feira, se entendi bem, o Cepe tem sessão extraordinária para discutir a suspensão do Calendário Escolar da Ufesm. Em toda a história da Ufesm nunca aconteceu uma tentativa de chapa branca desse quilate. A história do movimento sindical na Boca do Mato dividir-se-ia em duas, depois de quarta-feira, se o Cepe sucumbir à barrigada brevista: antes e depois da invenção da breve branca.
Com a autorização do Cepe, abrir-se-ia a temporada branca de todo tipo de desastre acadêmico: a suspensão de todos os formandos desse semestre, de seus estágios, mestrados, empregos; a desintegração do ensino com a pesquisa, triturada em nome do combate ao “produtivismo acadêmico”; os eventos, estaduais, nacionais e internacionais ficariam esvaziados e por aí vai. Tudo em nome do protesto contra uma emepê mal costurada e ajustes no plano de carreira.
Eu não sei quem pediu a suspensão do calendário escolar.
Se foram os estudantes, eu compreendo e apenas diria que eles estão entusiasmados; eu aceito isso da parte deles. Talvez não fizesse diferente deles. Loucos, quem sabe, para que fiquem poucos no campo, noites brancas, sei lá o que imaginam para essas jornadas.
Só não posso acreditar que o Desandes aprove a estratégia da breve de chapa branca. Se for assim, quem precisaria de mais evidências para se dar conta que o sindicalismo universitário se desmancha no ar refrigerado?
O meu colega escuta esses devaneios e me arrisca uma análise crítica. “Pois é, diz ele, será preciso muito merchandising para que o povo não pense que o movimento docente não consegue mais caminhar com suas próprias pernas e precisa agora, não apenas das muletas do Cepe, mas do ombro cheiroso da meninada.”
Eu olhei para ele com espanto, pela coragem em pensar essas coisas. Mas ele e eu não sabíamos nada da reunião de hoje, a não ser que haverá essa outra na semana que vem. A gente está enganado, disse.
“A ver”, disse meu colega.

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4 Responses to “A breve branca e o perfume da meninada”

  1. 1 Victor da Filosofia

    Desculpa, professor, mas ombro cheiroso? Só se for a leite. É a primeira vez, em oito anos, que não reconheço as ações da meninada. E não é porque não sou mais menino. Mas a gurizada que vinha herdando o bastão já soube melhor reconhecer o inimigo. Vou dizer uma coisa que neguei quando me jogaram na cara esses dias: tá faltando “formação”. Assumo a minha parte de responsabilidade nisso: me omiti mais de uma vez quando podia ter dito uma palavra, dado uma ideia. Fiquei nessa de ser “companheiro de caminhada” e agora sinto “a força das coisas”. Uns que eram da gurizada do meu tempo também assistiram, atônitos, essa gurizada cair nesse velho ilusionismo. Que parte dessa gurizada ia tentar a barrigada era certo. Minha esperança é que a parte mais forte ainda fosse a mais lúcida. Tá faltando formação.

    • 2 Ronai Rocha

      É, acho que meu colega idealiza muita coisa, entre elas, felizmente, o ombro da meninada. Fica só o ombro, então. Que, assim, vira a segunda muleta. Uma breve sem pernas, portanto. E com o tesão da lesma pela pedra, na esperança de um brilho breve.

  2. 3 Victor da Filosofia

    *minha esperança era

  3. Ronai, apenas parabéns pela lucidez. Tem momentos que é fundamental. Diria, rara.


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