“Bye, bye, Brazil”

11jun12

As breves do Desandes são casos a ser compreendidos à luz da expansão ou não das espinhas-de-peixe, para retomar a belíssima metáfora do filme de Cacá Diegues, Bye Bye Brazil. Lamento que algum dos meus dezoito leitores reclame dessa lembrança geracional e um tanto cifrada. Pois é. Faz alguns anos, o blogue tinha uns quinze leitores. A curiosidade humana, em seus insondáveis caminhos, trouxe mais uns três ou quatro e destes alguns me interpelaram: “Mas parece que tu és cronicamente contra as bravas e graves breves!”. Eu (que pouparei os leitores das patéticas passagens de minha biografia brevista dos anos oitenta) resolvi então, pelo amor do esclarecimento, dizer o seguinte: considero as breves um direito dos trabalhadores, categoria na qual me incluo. Nada tenho contra elas, e estou disposto a fazê-las. Ocorre que, como a imensa maioria – eu escrevi a -i-m-e-n-s-a m-a-i-o-r-i-a – dos meus colegas professores das universidades federais brasileiras, não aceitamos parar o que fazemos a menos que exista um consenso majoritário sobre isso. É isso, somos, a imensa maioria dos professores universitários, plebiscitários, e acreditamos nas urnas, ao contrário daqueles que as desprezam, em nome da reunião de quarenta e poucos em assembléia psolista e psutista. O mundo é cruel, bem sei, para todos os lados. Vamos concluir o semestre, daqui a três semanas, e depois vamos nos entristecer juntos nessa farsa.
Eu não sou contra as greves. Apenas não reconheço isso que está acontecendo como um caso de. São farsas breves e encenam um drama destinado a ter o mesmo fim, em breve, que teve o circo do filme do Cacá, Bye Bye, Brazil. Duvida disso? Leia a lista (e confira a adesão) da famosa lista das universidades aderentes.
Repito. Nada tenho contra fazer greve por salário ou plano de carreira ou contra a emepê isso e aquilo. Apenas acho que as greves não devem ser construídas a partir da ausência das espinhas-de-peixe nos locais de adesão. Pena que o filme do Cacá Diegues tenha sumido das locadoras. Como sumirão, em breve, essas breves.

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One Response to ““Bye, bye, Brazil””

  1. 1 Victor da Filosofia

    Seu texto me fez lembrar um episódio em que perguntei à um dos professores da Fil da Ufesm sobre aquele adágio marxista que diz que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

    Perguntei ao professor, então, como era a “História” em sua terceira repetição. Ele pensou por um instante, como sempre faz antes de responder uma pergunta inesperada, sorriu ironicamente como também sempre faz, e lascou:

    “Farsa também.” Deu mais um tempo, e continuou, no mesmo tom: “Depois da primeira, tudo é farsa.” E riu, de novo.

    Essa tal de dialética não é brincadeira, hein?


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