O conto do ponto eletronico na Ufesm

14jun12

Hoje, ao verificar que no bar do prédio onde trabalho o mostruário de pastéis continuava com sua habitual lotação de frituras, comentei que a breve dos servidores mostra-se seletiva e relutante. “Seletiva?” ele me perguntou? “Eu diria, surreal.” E explicou: “Na Europa, um sindicato que fechasse uma biblioteca seria, tesprezado. “Desprezado”, corrigi. “Isso, tesprezado. Não, tesprezar seria pouco. Serria um absurdo, uma coisa que ninguém compreenderia, além da capacidade de imaginação e indignação, um motivo de tristeza, tepressão”. “E aqui parrece que acham pom!”
Nesse momento mergulhamos em nossos pastéis e guardamos um depressivo silêncio.
“E quando ao relutante?”
“Tudo, exceto esse rapto do livros e as novas dietas impostas aos estudantes, parece continuar mais ou menos igual”, eu disse.
“Claro”, disse ele, “tem essa coisa de antes da ponte e depois da ponte, que eu aprendi hoje”. Fiquei curioso com o assunto da ponte, mas antes dele falar sobre isso, ele me contou que o assunto do ponto eletronico era um dos que mais lhe causava espanto. Ele me contou que na Eurropa era muito comum haver exploração de mão de obra de outras paragens do mundo e que então as sindicatos européias, quando faziam creves, incluiam na pauta das reivindicações a introdução do ponto eletronico, para que as horas de trabalho fossem contabilizadas honestamente. Ele me disse que tinha ficado muito surpreso, pois aqui mesmo na Zilbra ele viu que alguns sindicatos, como os dos bancários, exigem o ponto eletronico em suas pautas de creves, e outros, como o das universidades, são contra.
Ele ficou achando que entender o Zilbra não é coisa para amadores. Eu, naturalmente, tive que concordar. Voltamos para as aulas, depois de um combate de pastéis, e ele me disse que amanhã me explicaria a história das pontes da Ufesm e a creve.
Mal posso esperar

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4 Responses to “O conto do ponto eletronico na Ufesm”

  1. 1 Athos

    Meu caro Ronai.
    O ponto eletrônico é uma reivindicação antiga e uma conquista da categoria dos bancários. Eu sou favorável ao ponto eletrônico. Inclusive, se o trabalhador não marca o ponto – o sistema bloqueia – e o gestor tem que justificar o motivo do bloqueio.

    • 2 Ronai Rocha

      Meu caro Athos: então meu amigo estrangeiro revela-se mais bem informado do que esse execrado escriba. Isso quer dizer que não apenas na Europa pratica-se exploração de horas extras não-pagas, mas também aqui nos pancos da Poca do Monte, como diria meu amigo! A controvérsia do ponto eletronico ficou mais rica com tua observação. Resta apenas discutir um aspecto relevante do protesto dos servidores: e quando aos tocentes, como fica? Como se controla o trabalho e o profissionalismo deles. Depois do assunto da ponte, vou conversar com ele sobre a questão do ponto dos professores, pois acho interessante, eu que nunca fui além de Lisboa, conhecer o ponto de vista dos avózinhos.

      • 3 Athos

        No caso dos pancos. Gerentões, gerentes e gerentinhos não precisam marcar o ponto. Assim, eles trabalham além da conta para cumprir as metas e garantir a sua FG.
        Mas para mim a reflexão que tem que ser feita é sobre o momento sindical hoje no Brasil. O lado bom desse caso na ufesm é que o sindicato de vocês é combativo. O nosso é cooptado e subserviente.

  2. 4 Vitor Biasoli

    Athos, concordo contigo: o sindicato dos professores, aqui em Santa Maria, é combativo, tudo bem. O resultado desse combate, no entanto – a situação de greve que vivemos na UFSM -, é um tanto “jogo de cena”, como o Ronai se refere. Explicando melhor: os mesmos professores que cruzaram os braços para não ministrarem aulas no Cursos de Graduação continuam com suas outras tantas atividades… no Mestrado, p.ex.
    Estes nossos governantes – que entendem de greve – me parece que respondem na mesma moeda: outro jogo de encenação.
    O resultado é terrível!


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