“Não há, nem almoço, nem protesto grátis”, diz o amigo europeu, enquanto a breve se desvela.

15jun12

“A única lei da economia é que não existe almoço grátis”, diz meu amigo europeu. “E tampouco protestos”. “O caso é”, diz ele, “que nem sempre os custos e prejuízos são visíveis ou de curto prazo”. Eu concordei, mas ele estava entusiasmado com o que andou descobrindo sobre a breve e continuou: “Se toda a universidade parrasse para valer, nem que fosse por cinco dias, aparreceria a verdade desses protestos: eles só funcionam porque a maioria segue trabalhando normalmente.” Aos poucos ele me disse que está compreendendo porque eu me refiro aos protestos como “breves”. Isso que a gente chama de “greve nas universidades”, ele concorda, finalmente, em não chamar de creve, pois parar de trabalhar e e seguir recebendo salário nada tem a ver com o que ele está acostumado a ver na Europa, em nenhum setor. “Na verdade, quando eu contar isso na Eurropa vão me chamar de mentirroso.” E hoje, me disse, “eu descobri que alguns professores que se declaram em creve estão se comunicando com seus alunos pela internet, passando tarefas e conteudos e marcando provas dentro do prazo do calendário escolar”. Outros crevistas se dirigem às secretarias dos departamentos e cursos para resolver problemas de trâmites de projetos com bolsas, oficializar afastamentos, remarcar férias.” “Agorra começo a entender que a creve de que focês falam é um jogo de cena e é porisso que o governo de vocês faz o retruco da creve com outras encenações”. Enfim, a conversa foi por aí. Eu fiquei chateado com essa coisa que ele me disse sobre os professores que estão se valendo da internet para continuar as aulas que não estão dando, e pedi que ele me dissesse o curso onde isso acontece. Ele me disse que eu podia confiar nele, mas que ele está namorando uma moça que estuda no tal curso e não iria expo-la. Eu achei que era uma boa razão e pedi que ele me contasse, finalmente, a teoria da ponte, mas ele tinha um encontro marcado com a “carrota” e que me contaria a história da ponte outra hora.
Aos poucos, fiquei pensando, o meu amigo estrangeiro vai descobrindo que o sindicalismo universitário brasileiro está profundamente dividido, e que quando se fala em lutas e ganhos e negociações, nem sempre fica claro não apenas quem são os agentes das lutas, mas de luta se trata, e que existe todo tipo de combate, inclusive aqueles da boca para fora, como diria Hipólito, o personagem de Eurípedes, na peça do mesmo nome: “minha língua jura, já o meu coração…”

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