Os dois lados da ponte seca; maragatos e chimangos no campus da Ufesm

17jun12

Finalmente meu amigo estrangeiro me explicou a teoria da ponte seca da Ufesm. Ele passou o final de semana em Porto Alegre, com a “carrota” e disse que cada dia que passa compreende melhor a situação do “crevismo universitárrio” brasileiro. Ele me contou que o sindicato da UFRGS vai votar um indicativo de creve nessa semana que entra, mas lá as coisas funcionam de outra forma. Lá o sindicalizado recebe uma senha, entra num sítio e vota. E somente entram em “creve” por maioria mais um dos sindicalizados. Afinal, ele me explicou, “é muito dificil que um grande numero de professores abandone tudo o que faz para ficar quatro horras discutindo. Eu expliquei para ele que nesses termos a turma nos não-crevistas daqui também toparia, ao menos é esse o meu caso. Mas deixamos esse assunto para outro dia e ele me explicou que, conversando com a carrota, ele descobriu que entre os estudantes mais veteranos há uma interessante teoria da ponte, que talvez tenha algo a ver com a creve. Ouvi atentamente o relato dele, que vou tentar transcrever, no meu português.
“É assim. Os estudantes tem algumas brincadeiras de preconceitos, uns com os outros, nada demais. Acho que é esse espírito de Grenal e maragato e chimango que tem por aqui. E eles simbolizam esse preconceito com a história da ponte. Por exemplo, em um lado da ponte fica a Medicina e as Engenharias. Do outro lado as Artes e a Agronomia, por exemplo. Os engenheristas chamam os agronomistas de “batateiros”, que chamam, por sua vez, os medicinistas de “açougueiros” e por aí vai a brincadeira. O que não me pareceu brincadeira é que o pessoal acha que de um lado da ponte ficam os cursos mais difíceis de entrar e de cursar, como as Engenharias e a Medicina, e carreiras científicas como a Física, Química e a Biologia; do outro, ficam os cursos mais fáceis de entrar, como os das Artes, ou de batateiros ou filhos de fazendeiros. A Arquitetura parece ser um caso interessante pois ela aparentemente fugiu das Engenharias e veio para pertinho da ponte, para se aproximar das Artes. Uns cursos por vezes atravessam a ponte; a Educação era junto com os batateiros e depois se bandeou; a Filosofia era junto da Física, e depois atravessou a ponte no rumo do leste. Do lado leste da ponte ficam a História, a Educação Física, por exemplo, fortes na creve.
Eu escutei tudo isso meio embasbacado com a imaginação da gurizada. Mas havia mais.
“A creve, na verdade, não tem muito a ver com a ponte. A creve, entre os estudantes, tem tudo a ver, principalmente, com a precariedade das instalações de alguns cursos que foram criados e que funcionam em péssimas condições, e isso vale até mesmo para cursos antigos, como a Psicologia e a Arquitetura; um, num antigo hospital; outro, num salão quase insalubre da Biblioteca Central. A gurizada entrou, cheia de amor e estudo para dar e deu com a cara no mofo. Creve neles!”
E a ponte com isso, perguntei.
“A ponte? Pois é, a ponte permitiu que os batateiros se unissem aos engenheiros, eu acho, para explicar aos novatos que talvez o trote deles tenha sido mais sutil do que imaginaram!”

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