Meu amigo alemão e suas aprendizagens sobre a Ufesm

25jun12

Encontrei meu amigo alemão nos corredores do Cecêagá hoje, de mangas curtas. Nós outros, gelados de frios, ficamos admirados com a resistência dele. Não era bem isso, era entusiasmo, ele me contou. Ele está entusiasmado com a Marcha pela Educação que está sendo promovida pelos estudantes e tenta ajudar no que pode. Eu havia lido sobre o tema e concordei com ele, a Marcha é dessas coisas boas que a gurizada está levando em frente. Ele chegou mesmo a ser convidado para uma das reuniões com o reitor Felipe, na comitiva estudantil e ficou muito impressionado com o alto nível da coisa toda. Ele disse que nunca havia visto nada parecido. Os estudantes tinham uma agenda anterior de reivindicações muito objetivas e pontuais que era reconhecida pelo reitor; os estudantes reconheciam que algumas reivindicações estavam sendo atendidas, que havia algum progresso; era, disse ele, uma conversa de gente grande, em torno de pontos bem definidos; moradia, alimentação, instalações de ensino, infraestrutura didática.
“E isso”, me pergunta ele, “isso não é bom?” Tive que concordar com ele. Há, sim, algo de bom, entre a gurizada e o Felipe. Ali no quinto andar as pessoas sentam e conversam e tentam se ajustar.
O resto é constrangedor.
(A foto acima, feita pelo amigo alemão, ilustra, segundo ele (está aprendendo a ironia aos poucos) o “sucateamento da universidade”: são dezenas de embalagens descartadas, de computadores recentemente instalados no prédio do Cecêagá).

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One Response to “Meu amigo alemão e suas aprendizagens sobre a Ufesm”

  1. 1 Róbson

    Meu comentário é o compartilhamento de relato feito pelo colega Plínio Smith, que é professor na UNIFESP em Guarulhos, que ilustra bem certa atitude da imprensa em relação às breves universitárias, assim como as figuras do espírito do Movimento Estudantil.

    “Muitos de vocês devem ter visto na TV ou nos jornais os episódios envolvendo alunos do campus Guarulhos da Unifesp, do qual sou professor. A despeito da mudança paulatina de tom, a versão que ficou foi de uma ação desnecessária da polícia contra estudantes que protestavam contra a infraestrutura precária da nossa Escola. Nada mais longe da verdade: o pequeno grupo que se colocou à frente do movimento não tem essa intenção de melhorar a infra-estrutura. Há mais de dois meses professores, técnicos-administrativos e discentes são hostilizados e agredidos cotidianamente por poucos – mas eficazes – indivíduos que se arrogaram “donos do campus”. Eu mesmo tive minha aula invadida, quando fui xingado, hostilizado e ameaçado por estar dando aula (os professores não estavam em greve e, mesmo assim, fui tratado como traidor da greve dos alunos).
    No caso específico, dia 14 de junho, o grau de hostilidade – com ameaças à integridade física dos docentes, diretores e funcionários, que ficaram mais de 5 horas presos na secretaria – subiu a tal ponto que a polícia foi acionada para protegê-los. A reunião dos alunos foi pacífica, mas, após esse reunião, eles tomaram uma atitude agressiva. O campus que havia sido pintado – porque se encontrava vandalizado pelos próprios membros do movimento – foi depredado, pichado, teve vidros e portas quebradas e computadores e mobiliário destruídos. Foi somente quando funcionários e professores se sentiram ameaçados fisicamente, presos na diretoria acadêmica, sem poder sair de lá, com alunos tentando invadi-la, é que a polícia foi chamada a intervir.Professores e funcionários se escondiam embaixo de mesas ou acuados em salas para se proteger dos ataques (que incluíram “chuvas de pedras”).
    Assim, gostaria de deixar aqui o meu registro de solidariedade aos colegas professores, aos técnicos-administrativos e, principalmente, à Direção da EFLCH, vítimas, e não algozes, como muitos querem deixar transparecer em notas e declarações irresponsáveis.”


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