O ato administrativo perfeito

27jun12

Um colega, recém admitido na Ufesm, me contou hoje que um aluno seu, que se declamou protestante, lhe disse exatamente essas palavras: “Professor, depois que nossa greve terminar, o senhor terá que repetir as aulas a que faltei, apenas para mim. Isso inclusive tem precedente na Ufesm. O Cepe vai determinar que os professores reponham as aulas para os alunos grevistas”.
Meu colega achou isso um absurdo e repartiu o tema comigo, argumentando que não acredita que isso possa acontecer.
“Afinal, eu estou praticando um ato administrativo perfeito, dentro do calendário do Cepe, e isso equivale, nesse contexto, a um ato jurídico perfeito.” “Se o Cepe me mandar repetir aulas dadas sob alegação de greve estudantil, seus membros vão passar um atestado de imbecilidade jurídica, anulável num estalar de dedos.”
Eu só pude concordar com ele.
Infelizmente, tem gente na Ufesm deixando prosperar esse conto, que alguns até acham romântico, mas que é apenas imbecil.

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3 Responses to “O ato administrativo perfeito”

  1. 1 Róbson

    Ronai, compre um novo dicionário e já constitua o seu advogado: http://dceufsm.blogspot.com.br/2012/06/comissao-juridica-emite-parecer-sobre.html

  2. Ronai e Róbson: eu já havia chamado a atenção em outro lugar para o fato de que, segundo essa caracterização estapafúrdia (para dizer o mínimo) de “trabalho”, nem vocês, nem eu, nem ninguém na UFSM exerce a dedicação exclusiva. Vamos ser todos processados, não grevistas e grevistas.
    Uma definição retórica, para funcionar, precisa ser sutil.

  3. 3 Ronai Rocha

    Róbson, obrigado pelo link. Eu nunca havia lido essa ata, e a leitura foi muito esclarecedora. Estarrecedora, talvez. Minha dúvida é se nesse contexto eleitoral a que aludes no outro post, os atuais dirigentes enfrentariam mais de mil professores em aula para dar ganho de causa ao protesto estudantil. Eu tenho certeza que a atual Reitoria não vai repetir uma farsa como essa de 2006, que somente prosperou porque ninguém, na época, recorreu ao Conselho Universitário ou a um advogado, como sugeres. Se um unico professor for obrigado pela Ufesm a repetir aulas para um unico aluno protestante, eu me candidato a Reitor nas próximas eleições, para poder botar a boca em absurdos desse tipo. Estou seguro que muita gente espera uma oportunidade desse tipo para mostrar sua opinião. E se eu não fizer isso, que é o mais provável, vai ter quem faça. Mas, como disse, não creio que chegaremos a tanto.


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