Um grande falsário

28jun12

A falsificação é uma atividade que pode atingir notáveis níveis de sofisticação. Um desses patamares foi protagonizado por um pintor holandês, Van Meegeren, que não obteve muito sucesso com sua produção assinada. Recusado pelos críticos, dedicou-se a falsificar, com muito esmero, a obra de Vermeer. Logo foi louvado, por ter “descoberto” telas de Vermeer até então desaparecidas. As telas, evidentemente, eram belíssimas e venderam muito bem, enchendo os bolsos de Meegeren. Mas quando isso estava no início, rompeu a Segunda Guerra e acabou o mercado. Meegeren passou a vender seus Veermer para a Gestapo, ávida por obras de arte famosas. Meegeren passou a ser visto como um traidor, pois se aproveitava da ocupação alemã para vender os tesouros veermerianos recentemente “descobertos”. Quando a guerra terminou Meegeren foi acusado de colaboracionista e preso.
Defendeu-se, por certo. Explicou que os quadros, que haviam passado pelo crivo dos maiores especialistas, não eram de Veermer, mas sim dele mesmo, Meegeren. Que, explicou, havia feito algo heróico, a saber, de bobo, os nazistas. Ele havia extorquido dinheiro dos nazistas, entregando em troca obras sem valor nenhum. Por algum tempo ele foi mesmo visto como herói. Umas semanas depois os mesmos especialistas que haviam atestado a autenticidade dos quadros começaram a dizer que sempre haviam farejado algo errado nas telas, pois, pensando bem, elas continham diversas imperfeições, indignas de Veermer. Van Meegeren, portanto, não era um herói, e sim um reles falsário, que deveria ir para a cadeia. De fato, Van Meegeren foi para a cadeia, onde morreu, depois de poucos meses, como um falsário.
Tem coisas que morrem assim, tão falsas como nasceram, apesar das efêmeras glórias que tiveram por um tempo.

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4 Responses to “Um grande falsário”

  1. 1 Róbson

    Meu amigo Pangloss não entendeu o ponto.

  2. Esqueci de acrescentar uma nota, explicando que o amigo alemão gostaria de levar uma conversa sobre contrafações, doppelgangers, imitações e farsas, e isso seria o começo da conversa.

  3. 3 Róbson

    Pangloss agrade a dica, e me pergunta se deveríamos reler “A Tabela Periódica”, de Primo Levi?


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