Os alfas, o ponto de mutação, e o armário onde ficam guardados os desaforos

09jul12

Hoje tivemos, conforme previsto, nova barrigada na Avenida Roraima. Burocratica e pontualmente a rótula foi colocada em quarentena, com acompanhamento de arenga. Os inconformados com a caminhada eram lembrados pelo microfone das vantagens do imprevisto exercício; os de mala e muleta não gostaram nem um pouco, por certo.
Amanhã cedo, conforme previsto, teremos a ocupação do saguão da Reitoria. Os brevistas vão ficar ali, por um dia e uma noite, quarentenando e arengando, burocrática e melancolicamente, seus mantras de salvação do público. E assim será a derradeira semana de aulas, dedicada aos exames finais. A breve docente na Ufesm, como todos puderam ver, foi um magnífico fracasso. Ela desafiou todas as avaliações de conjuntura, todos os indicativos objetivos; quarenta visionários apostaram nela e perderam; acreditaram no conto da mobilização nacional, que apenas repete a farsa que todos vimos na casa; a Ufesm conta na lista das universidades paradas, e aqui a quarentena vive hoje desses atos de desespero tolo; a polícia rodoviária organiza o trânsito, a Reitoria continua funcionando; os protestantes impedem o CEPE de ter uma sessão e ao mesmo tempo pedem que o Cepe reconheça o protesto. No desespero vituperam contra os Coordenadores de Cursos e contra a imensa maioria dos professores que tiveram outra avaliação de conjuntura e decidiram não aderir ao protesto. Por exemplo, nos termos da inacreditável carta que publiquei abaixo. O conteudo, a forma, os termos, os raciocínios ali contidos exemplificam, definitivamente, as causas, os motivos e as razões pelas quais um professor que se considere razoável não se pode participar das pseudo-assembléias que a atual gestão patrocina. A carta do sindicato apodreceu as relações do mesmo com as coordenações de curso seguindo a mesma lógica de apodrecimento das relações do sindicato com a maioria docente.
Acabou, ponto. O discurso do sindicato somente conta como patologia social, depois da carta.
Onde entra o ponto de mutação? Ele entra como uma pergunta sobre a capacidade de aprendizado das instituições. O que esse episódio ensinará à Ufesm? A aposta do momento, o ponto do momento, é um e apenas um: os brevistas conseguirão arrastar os não-brevistas para sua burocrática e triste sorte? Os brevistas conseguirão fazer com que os não-brevistas amarguem um repouso enquanto eles repõem as aulas, depois de finda a breve, nas calendas de setembro?
É esse o ponto de mutação.
Bastará que os brevistas consigam isso para que apontem os dedinhos para os narizes empinados dos demais e perguntem “quem é o macho alfa da casa?” ” Quem manda nessa zorra aqui, somos nós ou nós?
É disso que se trata: até onde estamos vendo, cumpre-se o calendário de barrigadas, ocupações de Reitorias e demais arrotos.
A massa, por enquanto, como é de costume, mostra que tem paciência e tolerância; tem também um armário grande para ir guardando os desaforos.
Um dia ele enche. Aí vem, ou não, o ponto de mutação institucional.
E tudo o que disso decorre; como se sabe, há malas que vem pelo trem, que nem sempre é o da história. Joga-se, nessa quadra, um dos lances mais importantes na história da Ufesm dos ultimos anos.

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