O ambiente acadêmico

11jul12

Tive hoje a tarde uma conversa de alguns minutos com um professor da Ufesm que declamou-se em breve, algumas semanas atrás. Conversamos amavelmente sobre o estado das coisas, tentando imaginar os desdobramentos para o próximo semestre. Resolvi testar um cenário.
– Vamos imaginar nossos dois casos. Se a paralisação se resolver antes da data de início do próximo semestre, eu simplesmente começarei minhas aulas. Você, ao contrário, teria que trabalhar em dobro: teria que dar as aulas do próximo semestre, que já está ofertado e recuperar as aulas do período de paralisação.
Ele ficou um pouco assustado com a perspectiva.
– Mas veja o lado positivo disso. Aqueles que acham que é incorreto você deixar de trabalhar e continuar recebendo o salário vão perder a razão, pois você vai trabalhar dobrado para pagar os dias parados, conforme o prometido. E, no meu caso, não é justo que eu tenha que ficar dois meses esperando você recuperar aulas.
– Mas vai ser complicado isso. Vão conviver dois calendários, o normal, para os que não pararam, e o de recuperação, para os parados. E se um aluno teve alguns professores parados e outros não?
– Daí, como se diz, azar, não? O aluno vai ter dois semestres em paralelo, rabo de um, cabeça de outro. E qual seria a alternativa? Todo mundo que seguiu em frente fica parado, esperando os solistas iluminados?
” – Tem custo nisso, não?”, ele disse. “São vinte e poucos mil alunos de um lado e uns mil e poucos de outro, são mil professores de um lado e uns cento e poucos de outro, não?”
“Pois é”, eu disse. “Tem custo nisso, e não é pouco.”
“Pois é”, ele completou. “É a minha primeira, sou novo na casa. Nunca imaginei que fosse ficar assim, tão complicado!”
E nos despedimos, um pouco mais aproximados pelas complicações novas que se aproximam.
(A foto acima é de um operário da construção civil, no campus da Ufesm, trabalhando no sucateamento do CCSH)

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2 Responses to “O ambiente acadêmico”

  1. 1 Alexandre

    Olá Ronai, não entendi a história do sucateamento do CSSH. Por favor explique-a a um pobre músico que insiste em não brevar…

    • Olá Alexandre, explico então: o CCSH de longe era o Centro de Ensino mais esparramado e mal servido de instalações na Ufesm. Seus cursos espalhavam-se em cinco prédios diferentes, no mínimo. De uns anos para cá ele vem se agrupando num conjunto de prédios novos ali na frente do Planetário – vamos ser vizinhos, quando for inaugurado o novo prédio da Música -. Então eu brinco com isso, pois aqui na Ufesm, que é um canteiro de obras, os brevistas repetem mecanicamente essas palavras de ordem de “sucateamento” da universidade publica. Na verdade, tendo em vista que o numero de leitores do blogue aumentou (eram 16, agora meus registram já mostram quase trinta) eu deveria ter usado aspas na palavra; os leitores antigos estão acostumados com essas ironias, como deixar de usar a palavra “xreve” e falar somente em “breve”, inverter o sentido, no caso do “sucateamento”, etc. Para teres uma idéia, no meu Departamento, todos temos gabinetes individuais, com tudo do bom e melhor, incluindo internet livre nos corredores e salas de aula. É terrivel o “sucateamento” por aqui. Nenhum professor tem mais do que 8 a 10 horas de aula por semana, etc. Não se suporta mais tamanho sucateamento! Grande abraço!


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