“Quem tem patente, título e ‘paper’ vai ganhar mais. É uma questão de princípios.”

25jul12

A frase acima, “Quem tem patente, título e “paper” vai ganhar mais. É uma questão de princípios” está nessa notícia do Globo sobre a reunião de ontem entre o governo e os dois grupos de negociação, Andes e Proifes. Depois de dois meses parecem surgir com mais clareza algumas diferenças conceituais que estavam apenas sugeridas. Um leitor da cena, muito malvado, chegou a sugerir que frases como essa sobre o ‘paper’ esperavam apenas um contexto adequado para serem ditas; a idéia seria a de deixar que o discurso “antiprodutivista” fosse cada vez mais assumido pelo Andes, de modo a mostrar que a defesa do “plano de carreira” esconde uma concepção de universidade na qual o mérito e o título fazem pouca diferença. Se é assim, não sei. Mas isso me fez lembrar uma conversa que tive, faz poucos dias, com um servidor da Ufesm, portador de diploma de curso superior. No setor em que essa pessoa trabalha há quatro profissionais. Um deles pediu afastamento e fez um mestrado, faz alguns anos. O meu interlocutor, um tanto inconformado não apenas com seu salário, mas com seu plano de carreira e com a conduta profissional de seu colega, fez uma pergunta brutal: “Afinal, para que serve um Mestrado ou um Doutorado?” Antes que eu respondesse, ele continuou: “Na minha opinião, esses títulos deveriam ser condicionais. Afinal, a pessoa fez o curso e defendeu sua dissertação ou tese para, entre outras coisas, entrar para o mundo da pesquisa; se ela, dentro de um certo prazo, nada pesquisa e nada escreve e nada publica, o título deveria ser cassado. Não fica evidente que a pessoa fez o mestrado apenas para ganhar um pouco mais? Depois que ela sobe na carreira, ela dá um tchau para a pesquisa e nunca publica uma linha. Para que serve um título desses, se no nosso setor não há a menor diferença no meu trabalho e no dele?” Eu fiquei pensando que esse assunto de plano de carreira é de fato bem complicado. Essa notícia aqui, em seu ultimo parágrafo, parece confirmar que há, sim, um problema de conceitos no meio da breve.

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2 Responses to ““Quem tem patente, título e ‘paper’ vai ganhar mais. É uma questão de princípios.””

  1. 1 Róbson

    Pois aqui está a proposta governamental:
    http://proifes.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Proposta-do-governo-entregue-na-mesa-de-negocia%C3%A7%C3%A3o.pdf
    Aparentemente um dos sindicatos ficou satisfeito. Agora estarão em destaque as diferenças em relação aos conteúdos conceituais, as formas de consciência e etc..

    • 2 Alexandre

      Bem, pelo que vi na última tabela proposta, a diferença salarial entre os níveis auxiliar, assistente e adjunto cai muito, o que me parece significar (corrijam-me se me engano) que o reconhecimento do mérito acadêmico do doutorado diminui bastante. Fora isso, parece-me também que um professor sem nenhuma pós poderá chegar ao nível adjunto 4 por tempo de serviço. É isso? Se for, a nova proposta visa a premiar os que estudaram menos. Devo estar errado… pois não faz muito sentido…


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