O jeitinho brasileiro da breve

30jul12

Encontrei o amigo alemão na Cesma, comprando cadernos novos. “Segunda-feira começam as aulas”, disse ele. Fiquei surpreso com tamanha confiança e mal arrisquei um “será?” para que ele me explicasse.
“Se eu entendi algo até agora, foi o seguinte: nada mudou no Calendário Escolar. O Reitor já explicou trozentas vezes que não pode suspender as aulas sob pena de ter que suspender tudo que é tipo de bolsa e mais outras trozentas coisas. O Cepe não vai, portanto, suspender o semestre na reunião da próxima sexta-feira. E os crevistas não podem bloquear a reunião, porque eles querem que a reunião bloqueie o próximo semestre. Um tilema, não”
Resolvi provocar. “Mas e se?”
“Bom, nesse caso o Reitor provavelmente chama o Universitário parra bater o martelo, ele não vai ser louco de peitar uma decisão dessas sem apoio do Conselho Universitário.”
“E se o Conselho Universitário resolver bancar uma decisão dessas do Cepe?”
“Daí eu folto pro Alemanha…”, ele brincou.
Forra te questão, eu acho”, ele continuou. “Se entendi o contexto, o Universitário não iria referendar uma decisão que jogaria quase oitenta por cento dos professores para dentro de uma creve aconizante“.
“E então?”
“E então? Na segunda feira vou estrear uns cadernos novos. A matrícula está feita, os portais estão funcionando na poa. E o professor da segunda-feira já avisou que ele vai seguir na creve do primeiro semestre, mas não na creve do segundo”.
Aí eu me dei por conta que o meu amigo alemão, nessas poucas semanas, tinha pegado o jeitinho brasileiro.

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4 Responses to “O jeitinho brasileiro da breve”

  1. 1 Róbson

    Ronai, aposto uma Guinness com o seu amigo alemão, mas a julgar pelas declarações de diretores e/ou brevistas muito jeitinho brasileiro será preciso. O que ele pensa desta situação? “Outra questão apresentada durante a reunião foi o caso de estudantes que precisam concluir o curso. Conforme ponderou o professor X vice-diretor do Centro Y, em algumas situações os estudantes foram aprovados em concursos públicos e precisam do diploma para assumir os cargos. Nesses casos, segundo explicou a professora Z as formaturas podem ser realizadas normalmente. “O que isso não implica é na necessidade de início do segundo semestre, uma coisa não está atrelada a outra“, explicou a professora.
    Se não há o tal ‘atrelamento’, então é possível se formar sem ter concluído as disciplinas da grade curricular. Por que toda essa discussão sobre terminar ou não as aulas do primeiro semestre? Um seminário, um filme e todos estão aprovados. Calendário condensado, como já aconteceu. Pronto, após 31 de agosto começa tudo normalmente.

  2. Aposta feita. Teremos, mais uma vez, melancolicamente, o festival de jeitinhos que transforma a recuperação do semestre num febeaufsm. Mas isso se e quando a longa terminar… Me ajuda na memória: não creio que nesses trinta anos de greve o Cepe tenha patrocinado calendário condensado, pois esse tipo de recurso seria o reconhecimento oficial da metodologia “seminário-filme-e-fim”. Eu li o texto da reunião e as declarações dos diretores. No caso de um curso da Saúde, a parada de alguns docentes teve a ver com a parada dos servidores, em unidades práticas. É um dos casos mais sérios. O problema da proposta de esperar a conclusão do primeiro semestre é que não há perspectiva de encerramento da longa. O Cepe teria que votar algo assim como: “adiar por tempo indeterminado o calendário escolar…” Outro problema são os numeros. Ninguém fala dos numeros… O amigo alemão aposta que não há mais do que duas centenas de docentes em greve, contra uns mil em aula. Mas nesse caso ninguém apareceu para apostar um quentão com ele… Um sintoma interessanta na fala dos diretores, para além das insinuações do jeitinho brasileiro, foi a preocupação deles com a logistica dos dois calendários. Seria um sinal de que estão encarando o cenário?

    • 3 Róbson

      Tentarei recuperar o dado da ‘condensação’, mas tenho uma lembrança, mesmo que vaga, de uma breve em que o número de semanas sem aula foi maior do que o número de semanas de recuperação de aulas. Buscarei o dado preciso. Tivemos também um outro fenômeno curioso, que foi a interrupção, no meio do verão, da recuperação das aulas, permitindo as férias merecidas. De fato, não se fala em números, a não ser os relativos ao fechamento das notas das disciplinas no Portal. Seria para não ferir suscetibilidades brevistas? Para evitar a sugestão de listas já elaboradas, ou simplesmente tática? Sim, salta aos olhos o fato de que os cenários não são simples, e haverá muito descontentamento, quiçá juridicamente manifesto. De outro lado, o silêncio sobre o tema parece indicar que as aulas no Pós-graduação começam normalmente. Quanto ao alongamento brevista, eu aposto na primeira quinzena de setembro.

      • Faz sentido. Hoje o Governo informou que suspendeu a reunião com os servidores, adiando-a para dia 13…


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