O extravio na sintaxe: “isso é inquestionável”

01ago12

Conheço o Professor Orlando Fonseca de longa data e sei de seu trato e intimidade com a língua materna. É por essa razão que não consigo entender o sentido das palavras atribuídas a ele pelo Sindicato. Deve ter ocorrido algum problema de digitação, creio eu. Veja o leitor o texto, que começa reproduzindo a nota da Reitoria:
“As propostas apontam para a manutenção em aberto do primeiro semestre deste ano, a recuperação das aulas ao longo do segundo semestre e o adiamento do início do segundo semestre em pelo menos uma semana”. Presente à reunião, o pró-reitor de Graduação, professor Orlando Fonseca, negou essa possibilidade, ressaltando que o ideal seria a suspensão do segundo semestre enquanto as aulas do primeiro são recuperadas. “Evidentemente que não há possibilidade hoje de que o primeiro semestre seja estendido tendo iniciado o segundo. Outra coisa é adiar e ir adiando até o final da greve. Isso é inquestionável. Com a permanência da greve (o semestre) não se vai iniciar. Se retomar a questão do calendário, e a possibilidade que está sendo apresentada é de que haja a discussão de como recuperar o segundo semestre”, declarou Fonseca.
a) Em primeiro lugar, não creio que um pró-reitor negue uma possibilidade que consta da nota oficial de sua própria administração;
b) Em segundo lugar, ideais são ideais; cada um fica com o seu, em casos desse tipo;
c) Depois da frase “isso é inquestionável”, nada mais faz sentido; não apenas não sabemos o que é “inquestionável”, como fica sem sentido dizer que “com a permanência da greve o semestre não se vai iniciar”. Oitenta por cento do semestre letivo foi em frente com a breve.
d) A ultima frase (“Se retomar…”) não tem sintaxe.
O Professor Orlando não pode ter dito essas coisas, acho eu. Caso contrário, seria inevitável concluir que, depois de perdida a semântica, agora amarelamos na sintaxe.
O alemão acha que entendeu o recado.
“Professor, deixa de ser bobo: agora é a hora na qual nossos comandantes vão se dar as mãos e vão ficar adiando e adiando, esperando o relho da Dilma. Daí botam a culpa no governo e fica tudo bem”.
Eu, que me extraviava na pragmática, achei que era melhor ir para casa e reler um pouco de Kafka.

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6 Responses to “O extravio na sintaxe: “isso é inquestionável””

  1. 1 Róbson

    Ronai, não era para ser o jogo da amarelinha? Com caridade, aposto em problemas na digitação. Aliás, o prof. Orlando já contestou o modo como palavras foram a ele atribuídas no blog do sedufesme. Em relação à opção a), é pura dialética. Dialética que também nos explicará o futuro contingente que nos aguarda depois da reunião terminada no MPOG: http://www.planejamento.gov.br/noticia.asp?p=not&cod=8709&cat=26&sec=11

    • 2 Márcio

      O Desandes continua firme

    • Pois é. A reunião de ontem a noite, se bem aproveitada, permite a clássica saída “digna”, “mantendo a luta”; se mal aproveitada, vem a tormenta. Quanto à casa, o cenário continua opaco, pois a reunião vai ocorrer sem que a greve tenha sido encerrada. O que me chamou a atenção foi o dado oferecido pela Prograd, de que 75% das aulas estavam prontas. Isso daria duas semanas de aulas, três, para os exames. Partida a diferença, teríamos um adiamento de quinze dias, para que todos saiam contentes. Mas isso tudo num cenário de sonhos sobre pelegos.

    • Obrigado, Márcio. O tom, em certo momento, me pareceu de “a luta continua…”, o que, para bom ouvinte, quer dizer: acabou a longa…


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