“Ninguém pode matar o tempo sem ferir a eternidade”

06ago12

O ser humano que desiste da eternidade adoeceu de uma triste doença, de abandono da humanidade. E os que matam o tempo, escreveu Thoreau, ferem a eternidade. Ando relendo apaixonadamente Thoreau por nesses dias e me lembrei dessas linhas quando li as ultimas resoluções de princípios dos comandantes que rondam a breve. Eu não vou falar sobre o extravio de linguagem e idéias que assola as declarações. Não é o dizer que me impressiona, mas aquilo que no dizer se mostra. Diz-se, por exemplo, que a breve pode seguir por mais um mês ou dois, que deverão ser pagos pelo governo e pela Reitoria, que manda a frequencia, pois as aulas serão repostas algum dia, quanto bem entenderem os comandantes. O que se mostra nesse surrado argumento? Para ser, ao menos uma vez, curto e grosso: que o professor brevista é um matador do tempo. Para ele, pagando as aulas, tudo está pago e apagado. Uma vez repostas as aulas, está feita a justiça ao salário.
Agora, vejamos.
Nenhum professor na Ufesm, em tempo integral e dedicação exclusiva, tem mais do que 16, 18 horas de aulas por semana. Um bom numero tem 12 horas de aula. Um outro grande numero tem 8 horas por semana. Vamos aceitar que existam vinte docentes com vinte horas de aula por semana frente a alunos (adoraria que este numero me fosse contestado; se isso acontecesse eu retiraria todas essas palavras!) Assim, o que é feito com as outras vinte horas? Como elas serão repostas? Como será a contrapartida para elas, depois de levantada a breve?
Esse é um dos terríveis ganhos da breve. Ela mostra como o ensino pode ser dissociado da pesquisa e da extensão, na visão de alguns. Que uma minoria delirante possa provocar tão terríveis estragos e feridas em uma Universidade, isso apenas mostra como podemos, todos nós, desleixar da eternidade.

Anúncios


2 Responses to ““Ninguém pode matar o tempo sem ferir a eternidade””

  1. 1 Róbson

    Outro ganho da breve é expor esse tabu, fazendo evidente a vergonha para qualquer um que saiba o mínimo de aritmética.


  1. 1 Revista Forum: a luta por uma democracia contraditória! | Sociocídio

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: