Os números da breve na Ufesm carecem de interpretação?

06ago12

Um amigo me escreveu para dialogar sobre os números divulgados pela Reitoria sobre o encerramento dos diários de classe. Ele observou que eu falei que havia ao redor de oitenta por cento de professores com o semestre encerrado, e isso não era coerente com os numeros divulgados pela Reitoria. Eu respondi para ele – e torno publico aqui – a forma como vejo o tema. Como tantas outras coisas na vida, os numeros dos diários de classe dão margem para muitas interpretações, se a gente tiver um pouco de curiosidade, virtude que deve ser cultivada em universidades, eu acho. s numeros apresentados pela Reitoria, entre outras coisas, antes de serem usados como argumentos para um lado ou para outro, deveriam ser contrastados com uma série histórica de dados sobre a entrega de diários de classe na Ufesm. Eu me dei ao trabalho de conversar com servidores da Universidade que conhecem o assunto e eles me asseguraram que nunca houve um semestre no qual todos os diários tivessem sido encerrados no dia previsto. Há semestres nos quais o percentual de professores que não entregam os diários de classe na data oficial de encerramento chega a vinte por cento. Assim, é falta de consciência crítica (ou apenas cretinismo, idiotice, etc) usar os números cruamente, como muitos o fazem. Ou alguém acha que todo nós encerramos os cadernos na data combinada? Por outro lado, até as pedras da avenida Roroaima sabem que alguns professores encerraram as aulas, deram as notas mas não entregaram os diários. Assim, a soma dos diários não tramitados não conferirá nunca com os os números da eventual reposição de aulas.
Assim, em resumo, os números, na forma como foram apresentados, pela falta de uma série histórica, podem dar a entender que 100% dos professores da Ufesm sempre são pontuais. Isso é falso.
O unico levantamento sobre a breve até hoje feito e divulgado foi aquele do Diário de Santa Maria, que concluiu que havia algo ao redor de 80% de atividade didática. Com isso chego nos meus 80%. Por outro lado, o universo de abrangência da Ufesm não é apenas a graduação. A universidade é uma só. Na pós-graduação a breve foi quase nula. E com isso eu chego mais uma vez nos oitenta por cento. Se não fosse pelo absurdo, eu seria a favor de esperar que a greve termine para a gente ver quantos professores efetivamente não concluiram o primeiro semestre. Seria cômico, se não fosse, mais uma vez, trágico.

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