Sobre a vitória dos penicos

11ago12

Os brevistas, incapazes de mobilizar mais do que vinte por cento dos docentes da Ufesm (numero que zelosamente está escondido até hoje e que somente ficará evidente quando forem contadas as efetivas aulas de reposição), foram pedir penico ao Cepe e fizeram história. Uma história vergonhosa, por certo. Ganharam o penico, no qual, daqui para a frente, ficarão fermentando os odores dessa nova fase da história do neo-sindicalismo penico. Não por acaso o acontecido repetiu-se em outras federais. O fenomeno do peniquismo sindical generalizado é um índice confiável do estado de deterioração que envergonha a história – ops, eu ia escrever aqui “do movimento dos trabalhadores”. O peniquismo é uma espécie de doença infantil do grevismo, que por sua vez, etc…
Não é disso que quero falar aqui. O que mais me preocupa é saber se os comandos de penicos conseguiram arrebatar o estoque nacional de narizes de palhaços, para que sejam distribuidos aos mais de mil professores e aos mais de vinte mil alunos que não aderiram ao protesto deles. Por parte dos pelegos, a tarefa seria mais fácil, pois bastaria comprar umas poucas dezenas de penicos para entregar em troca. O produto, no entanto, tem pouca oferta.
Algumas semanas atrás, neste mesmo blogue, eu previ a cena: o penico-mor da breve brandindo seu ossudo dedinho indicador na frente do nariz dos professores em aula: “Viram, papudos!” “Viram como é que se faz para que quarenta valentes derrubem mil e tantos alienados?”
Eles venceram. Tiveram que destruir a universidade por dentro, ao peso de mentiras, novilíngua e bravatas, para conseguir isso. Mas venceram, impondo a lógica do penico. Quebraram a espinha da Reitoria, pisotearam na pós-graduação, debocharam dos mortos, riram muito acendendo velinhas e carregando caixões de defuntos pelo Campus. Não se importaram em enxovalhar o sindicalismo sobre o qual a Sedufsm foi construída. O que importava, disseram alguns, era um prosaico argumento de razão instrumental, a impossibilidade prática de se fazer dois semestres concomitantes.
Os penicos venceram. Daqui para a frente ninguém pode dar um peido na universidade sem a licença deles. Menos mal que a universidade deles tem o tamanho de um penico.
Eles venceram e quebraram a espinha da universidade.
Tudo bem. A gente recomeça tudo de novo.

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12 Responses to “Sobre a vitória dos penicos”

  1. 1 Marina

    GREVISTAS DA UFSM REALIZAM ENTERRO SIMBÓLICO – Entre os “sepultados” estavam a falta de democracia de Dilma e do reitor
    http://www.sedufsm.org.br/index.php?secao=noticias&id=1338

    É super democrático praticamente forçar toda a Universidade a entrar em greve. Ou não?

  2. 4 Victor da Filosofia

    Aqui a tropa de choque do P-Sol meio que ganhou o apoio de uma gestão de DCE que não quer parecer pelega. Tirando o pessoal da extrema-esquerda, engajadão nesse projeto de desgastar o governo, ninguém parece saber bem o que está fazendo.

    • 5 Ronai Rocha

      Temos muitos personagens, alguma emoção, mas o enredo é um enrosco errante, não?

  3. 6 Gisele Secco

    Pois eu fico pensando que uma gestão de DCE verdadeiramente “pra frente” deveria ser a primeira a propor novas formas de mobilização e luta, mostrando que esse modo enroscado de proceder só faz tropeçar…

  4. 7 Runildo Pinto

    Mais sobre o pelgos carregadores de penico!

    O DCE, aparelhado pelo peleguismo Ptista, aposta e faz o jogo sujo da desmobilização!!

    Att.

    Runildo Pinto

  5. 8 Runildo Pinto

    Uma vez pelego sempre oportunista!
    Estou sabendo a muito tempo que pelegos que seguram o penico do governo ptista, são os primeiros a correr para o banco receber o aumento dos salários, fruto da luta e sacrifício de “uns”. Esta é a prática histórica de pelegos como este tal ronai – boca de lobo. Oportunistas e negligentes, e incompetentes na sala de aula, assim, mesmo porque, como a maioria dos alunos querem somente o canudo, que assim seja! É assim! Alguém contesta? Este tal ronai deve ser da turma do pimenta!!
    Passe bem!
    Runildo

  6. 9 Gisele Secco

    Prezado Runildo,
    gostaria de lembrá-lo que também é uma infeliz prática “histórica” falar sem saber do quê – como você, por exemplo, falando d”esse tal Ronai”, o melhor professor que muitos alunos do curso de Filosofia já tiveram.
    Aliás, esse mesmo curso, sempre acusado de peleguice… olha, eu até canso antes de começar. Informe-se sobre o curso, a alta qualidade de seus professores e alunos, e depois, também, sugiro que capine uma horta repetindo os mantras que melhor lhe aprazem – de preferência em silêncio para não passar tanto ridículo.

  7. 10 Gisele Secco

    P.S.: “Capinar uma horta” não diz respeito, antes de sua previsível interpretação pseudomarxistaparanóica, a nenhum preconceito para com os pequenos agricultores, tá? É só porque se trata de uma ação que, além de útil, ajuda a acalmar os nervos (colocar o pé na terra, etc) – por isso, provavelmente, virou expressão da linguagem comum aí no Sul.

  8. 11 Gilberto

    carissimo, brilhante teu texto. a luta ensina que se há um aliado do qual discordamos as diferenças devem ser negociadas antes da batalha; batalhas somente são travadas contra os potenciais inimigos: FHC, a putavelha. Esse era ele, e mesmo sem ter nada a ver diretamente com a folha de pagamento, posso pagar caro pelas posições que venho tomando em relação a esse movimento escroto: ESCROTO, por não ir além das cifras: só quer a folha depositada em dia e o resto que se foda. os professores universitários, nobres portadores de alguns papéis carimbados, deram a lição histórica de Marx – um passo à frente, um passo atrás. Oportunistas, camuflados sob o protesto legítimo da UFAM, se meteram numa greve sem eira nem beira, e, romantizando vosso penico, repetem Emile Zola: é uma greve sem culhões. Cifrônica, meramente. Vergonhosa por não serem capazes de afirmar: QUEREMOS TANTOS MIL! Jogaram, e estais plenamente certo, 30 anos de aprendizado no penico. A intelectualidade que luta pela casa na praia esqueceu-se de que simplessmente, através de suas entidades representativas, retirou-se da vida pública há uma década. Aparece agora, das sombras, reivindicando um lugar na mesa. Vergonha! Como diria Marx, o pior analfabeto é o analfabeto político.

  9. 12 Gilberto

    mas falando seriamente: que merda tenho eu a ver com o tamanho da folha de um professor que ganha por 40 horas, “gasta” 8 em sala de aula, fica puto quando propõem que faça 12, e em pesquisa não mostra bosta nenhuma? onde anda esse professor quando eu preciso dele? o último que eu vi andava atropelando contingentes pelo dever de catar as cria na escola e a mulher no ginecologista. sério: tem gente muito boa, que não se mede por cifrões, mas tem uns merdas, aqueles que foram dar umas cheiradas na Europa, que não valem 50o pila… ô grevezinha buceta essa


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