Os ganhos da longa e branca breve patrocinada pelos órgãos colegiados superiores da universidade

24ago12

Que a breve iria ser longa e terminar apenas em Setembro, isso se sabia faz muito tempo. O que não se imaginou foi a estratégia de sair dela; pelas beiradas, desorganizadamente, atabalhoadamente, pateticamente. Depois de 100 dias de protesto remunerado, até os mais empedernidos brevistas o abandonam, a começar pela Unifesp de Guarulhos, Unb, Ufrgs, Ufsc; aos poucos descobrimos que em todas elas, a começar pela Federal do Rio, tudo ocorreu como aqui em Santa Maria: o protesto foi de fachada, a partir de uns poucos e voluntariosos cursos, nos quais haviam focos pontuais de insatisfação; apenas em poucas casas, todas elas vítimas da expansão do ensino superior mal administrada – nem sempre pela Dona Dilma – o protesto teve adesão maior. Vide, na região, o caso de Alegrete, por exemplo, ou Frederico.
E surge então o problema: como encerrar um protesto desses? O lema da velha geração de grevistas, a que pertenci, eram apenas três, mas respeitados: não se faz greve de bojo (e essa foi uma delas); não se`entra nem sai sozinho (e estamos vendo as saídas); e não se entra em greve sem uma estratégia de saída. Aqui surge o lado mais patético do protesto em curso. A estratégia de sair consiste em abandonar a bandeira salarial, para que o movimento seja visto como idealista, e dizer que o que interessa é a carreira. A proposta de carreira do Desandes, como se viu abundantemente, nem por sonhos pode ser aceita, pois rebaixa a meritocracia e o “produtivismo”, como eles dizem. Esse rebaixamento do horizonte utópico do Desandes visava uma audiencia com o Governo. Mal conseguiram protocolar a proposta. Não haverá audiência nem contra-contra-proposta do governo. Resta o quê? Como eu escrevi faz algum tempo, resta o nada.
Restam algumas coisas, sim. Por exemplo, a tentativa de aumentar o desgaste da reitoria, na esperança de emplacar os temas internos mais adiante: uma estatuinte populista, por exemplo. Resta adiar ao máximo o início do segundo semestre, já mais por birra do que qualquer outra coisa para tentar acumular forças para a pantomima de defesa de algum estudante protestante, batalha máxima que espera o çepe nas quebradas do setembro.
Eu mentiria se não reconhecesse que torci, uma vez ou outra, para que essa loucura, de alguma forma desse certo, e que eu estivesse errado nos meus pessimismos. Infelizmente não foi isso que aconteceu. Estamos agora aqui meio quebrados por dentro, com algumas evidências inescapáveis; é como se o corpo da universidade tivesse crescido mais do que seu espírito, coisas típicas da adolescência. Bolonha foi fundada em 1200. A Ufesm tem apenas 50 anos. É uma adolescente. A Ufesm tem um sistema de pós-graduação que não para de crescer e que não faz esse tipo de protesto mal pensado; sua importância na cidade não fica prejudicada com o protesto; a cidade apenas dá de ombros, lamenta, fica triste também em ver a patética cena de uma classe média privilegiada fazer de defensores do povo. A cidade, que tem o triplo da idade da Universidade, sabe que não é bem assim. E apenas desdenha, reservadamente, o heroísmo em ar-condicionado.
Os ganhos do protesto não serão poucos, como já se adivinha. Os protestantes, que recusaram nesta semana o aumento assinado pelo Proifes, por certo aumentarão os donativos para as instituições de caridade; e ganharemos, em breve, sonho de consumo, uma lei de greve. Ao menos isso, por pior que seja uma tal lei. Mais de 100 dias de protesto remunerado não deveriam passar em branco, a cor desse protesto patrocinado pelos órgãos colegiados superiores da Ufesm com o chapéu da viuva. Mas quem sabe?
Eu não me sinto muito bem escrevendo essas coisas, mas me sentiria muito pior se não o fizesse.
Como me disse um comandante da breve, “o que fazes por aqui, assombração?”

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3 Responses to “Os ganhos da longa e branca breve patrocinada pelos órgãos colegiados superiores da universidade”

  1. 1 Róbson

    Ronai, essa veio em 1995, se bem me lembro:

    Greve
    Grave
    Trave
    Trava
    Treva

    Da greve à treva? Breve!

  2. 2 Frank

    Doublets carrollianos, Róbson. Cortem as cabeças!

  3. 3 Gisele Secco

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