O encontro agonístico e uma nova geração de comendadores de pouca pluma

27ago12

Dentre as disciplinas que me fascinaram na escola estava a Biologia. Sempre gostei das discussões sobre a origem da vida, dos estudos de Etologia e das especulações da sociobiologia e do neo-darwinismo. Aos poucos me convenci que, dentro de certos limites, disciplinas como a Filosofia e a Sociologia tem muito a, digamos pudicamente, conviver com a Biologia.
Entre os conceito a que fui apresentado na Biologia, está o de comportamento agonístico. Aprendi algo sobre isso, mais recentemente, com o Cesco e com a Michele, nas entusiasmadas palestras deles sobre observação de aves. O agonismo é, simplificadamente, qualquer forma de encontro entre animais onde esteja presente a agressividade. “Agonístico” tem a ver com lutas e conflitos, em especial aqueles que ocorrem dentro de uma mesma espécie. As variedades do agonismo incluem muitos tipos de comportamentos”, desde as simples ameaças até a agressão física, passando pelos comportamentos de submissão e fuga.
Eu me lembrei dessas coisas ao ler os ultimos relatos dos colegas que insistem em manter o protesto brevista; universidades importantes, como a de Brasília, a UFRGS, a UFSC, a Federal de São Carlos e tantas outras, abandonaram a canoa da breve; Dona Dilma reiterou que as negociações estão encerradas e etc. E, contra todas as evidências, alguns bravos brevistas bradam que a agonia continua. Como devemos interpretar as propostas de continuidade da breve? Seguir a letra ou tentar entender o espírito da coisa? A proposta dos comandantes é seguir com a breve setembro adiante. Eu sugeri, algumas semanas atrás, que apenas nos meados de setembro o agonismo terminaria. Não vai dar outra.
O que se espera agora, além do setembro, do verão, das lamúrias de uns e de outros? Que, como no comportamento das aves, tudo termine em algum tipo de plumagem. Perdida, por certo, principalmente pela gurizada. Os estudantes de graduação da Ufesm, promovidos a vitrine de sacrifício da breve, promovidos ao lugar de pequenos bodes expiatórios do aparelhamento e do extravio sindical, pagarão o mico – eu escrevi mico e não pato – da breve e receberão, todos eles, a comenda da pouca pluma, devidamente depenados na mesa sacrificial dos brevistas. Alguns desses estudantes, talvez muitos deles, como todos estamos cansados de saber, farão parte de mais uma geração que terá um semestre especial – aulas resumidas, condensadas, um filme, dois seminários, um trabalho e voilá – o semestre estará pronto num estalar de dedos. Tudo isso, certamente, depois que o encontro agonístico terminar, com a humilhante vitória dos brevistas.
Os estudantes da pós-graduação, sensíveis que são, compadecem-se dos pintos desplumados pela breve, mas seguem em frente, o que fazer?
Alguns desplumados pela breve consolam-se pensando que perder umas penas é um pouco preço para ajudar na salvação do mundo.
Agonismo é isso. O segundo semestre letivo da graduação da Ufesm comecará em outubro. Esta pluma ninguém tira deles.

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2 Responses to “O encontro agonístico e uma nova geração de comendadores de pouca pluma”

  1. 1 Róbson

    Pois é, Ronai, mas como entre as barrigadas e o çepe há bem mais coisas do que sonha a nossa sociobiologia, eu mesmo já vou buscar apoio jurídico para não precisar trabalhar duas vezes por conta de alguma prática de vingança pré-sacrificial.

  2. 2 Rogério Severo

    Oi Ronai,
    escrevi um bilhete para o Diário de SM de hoje:
    http://www.clicrbs.com.br/dsm/rs/impressa/4,41,3866883,20290
    Abraços,
    Rogério


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