Meu caro Claudemir Pereira: eu, que só tenho amor para dar, mas que simpatizo com um sindicato fantasma…

03set12

Não penses que me escaparam teus votos de bons encontros com alguns pedaços de minha alma, que extraviei nas bandas de Viamão faz já algum tempo. Foi muito bom o tal reencontro; eu arriscaria dizer que fui bem sucedido, mas te conto sobre essas coisas de assombrações noutra hora mais amena. Te escrevo agora para repartir contigo minhas duvidas sobre as ultimas decisões dos professores universitários federais que estão ligados ao sindicato conhecido como “Andes” (ou não “andes”). Eles decidiram não aceitar a última proposta feita pelo Ministérios da Educação e do Planejamento, que prevê reajustes entre 25% e 40%, nos próximos três anos e redução do número de níveis de carreira de 17 para 13. Com isso, esses professores estão diante de um impasse. O acordo foi assinado por uma coisa que eles chamam de “sindicato fantasma”, o tal do Proifes. Nem tão fantasma assim, Claudemir, pois fantasmas não sentam na mesa de Dona Dilema. Eles recusam o acordo, recusarão a bufunfa? Quando alguns professores da Ufesm, simpatizantes ao Proifes, recusaram a breve do Andes local, foram questionados sobre o que fariam com os eventuais ganhos do Andes. Pois bem, agora vem a pergunta: quem assinou o acordo foram as assombrações. Os recusantes vão doar seus caraminguás? Ou vão agora fazer um discurso zebrado, dizendo que ganharam o que recusam?
Fui ao meu cardiologista hoje, perguntar a ele se me permitiria ir a assembléia amanhã. Ele, que havia me proibido essas coisas, a partir de um certo episódio de 2005, disse que dependeria só de mim, bastaria que eu prometesse ser só amor. Bem, “é quase só isso que eu tenho para dar, nessas alturas da vida”, eu retruquei. “Então vai!”.
Mas aí eu lembrei que os colegas brevistas juramentados decidiram não aceitar a proposta da Dona Dilema. E com isso esses meus colegas devem, amanhã, propor seguir com a breve.
Loucura, dirás.
Bem, meu caro, isso eu venho escrevendo faz três meses para meus dezoito leitores.
Assim, de loucura em loucura, decido que vou contrariar meu cardiologista e não irei a assembléia amanhã.
Tenho umas contas a acertar com minhas assombrações, por um lado.
Por outro lado, tenho certeza que dezenas de colegas meus estão cheios de amor para dar ao nossos colegas brevistas e vão votar para encerrar o delírio deles amanhã. Com isso, e mais um pouco de bom senso, na volta do quinze de fevereiro de 2013, estaremos terminando o segundo semestre letivo de 2012. Esses meus colegas vão fazer um gesto de amor ao nosso sindicato.
Se eles merecem esse gesto? Claro que não, um delírio como esse não é digno disso; mas é isso que tornará o gesto mais lindo ainda.
Somado, fique claro, às doações mensais que os brevistas juramentados farão às instituições de caridade de Santa Maria, renunciando piedosamente ao aumento que recusaram oficialmente.
PS: Para quem não entendeu: na última contraproposta, o Desandes abriu mão do aumento salarial para discutir a reestruturação da carreira. Dona Dilema não quer saber nem do mensalão nem do Desandes e não voltou a negociar; já houve acordo firmado com as assombraifes, e a bufunfa está encaminhada ao Congresso Nacional. O resto é choro e ranger de dentes. Sorte das entidades beneficentes, não?

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4 Responses to “Meu caro Claudemir Pereira: eu, que só tenho amor para dar, mas que simpatizo com um sindicato fantasma…”

  1. 1 Edmond Burk

    Professor Ronai, parabéns pelo Blog!!

    Tomara que as inspirações político-filosóficas aqui contidas estimulem alguns colegas na criação de um “Proifes local” (assim ele deixaria de ser “fantasma”…). Com isso,também nos livramos das “diretrizes do politiburo” dos PSTUs, PSOLs, Conlutas e quejandos..nas nossa representação sindical, e iniciamos, de fato, discussões mais produtivas e realistas sobre a nossa Universidade lato sensu. Acho que a idéia teria boa aceitação…

  2. 2 Róbson

    Olá Ronai, pois o meu neurologista já tinha me advertido para os riscos à saúde mental desde os idos de 2000. Porém, creio que devemos essa aos nossos alunos que continuaram trabalhando mesmo com a infraestrutura sequestrada, aos nossos colegas que recusaram os comandos e manobras do Desandes local, e ao çepe que nos colocou a todos em breve. De minha parte, tento me convencer que há algo novo para aprender na arte sofística e na dialética herística que costumam aparecer nestas ágoras do “proletariado” acadêmico.

  3. 3 Róbson

    Ronai, como previsto: muita manobra e ao final, vitória dos brevistas, com os votos do CESNORS. As palavras ‘ladrão’, ‘roubo’ foram ouvidas com clamor quando a maioria levantou-se antes do Sr R. encerrar os trabalhos. Foi um roubo claro, pois aconteceu uma assembléia no CESNORS, mas apenas com a proposta do comando de breve, sem a proposta de saída que foi apresentada aqui. Além disso, tb se levantou que a assembléia deveria ser unificada. Enfim, a tropa de choque mostrou competência, mas a revolta era imensa. De minha parte, foi suficiente. Na próxima semana haverá nova assembléia, mas suspeito que voltarão apenas os de sempre.

  4. Só vou dizer uma coisa, amigo Ronai, além do (imerecido) registro no título desta nota: teus leitores são (beeeem) mais que 18. Hehehehe… Nem que seja somando os meus 18.


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