Onde estamos? (I)

10maio13

Carroça
Uma amiga me escreveu. Queria conversar sobre uma foto que havia feito e sobre as próximas eleições para reitor da Ufesm: como estamos, o que somos, para onde vamos, essas perguntas. Eu estava com um buraco na agenda e marcamos um café na hora.
Conversa vai e vem, convergimos num ponto: nossas melhores energias estão voltadas para outras coisas; eu, apesar de ter direito aos caixas preferenciais, não me lembro de viver um período de tantas suaves alegrias em aulas, escritos, encontros com alunos; e meu neto, claro. Ela, com idade para ser minha filha, é puro entusiasmo de horizontes e trabalho. E isso parecia querer dizer: vamos sim escolher um candidato, mas parece haver uma fadiga de material no processo.
“O processo de escolha, como um todo, parece ser pesado demais para a simplicidade da coisa”.
Eu concordei. E ela seguiu.
“Um reitor pode pouco. Ele é, queira ou não, um gereador”, ela disse.
“Como assim, gereador”?
“Assim: ele é capaz de tomar decisões de gerência interna: ele pode distribuir ao seu critério algumas vagas ocasionalmente disponíveis, para apagar incêndios, mas ele não gera vagas; isso é a gerência. Mas ele pode, com algumas pequenas atitudes, animar ou desanimar as pessoas, dependendo de seu perfil ou vontade. Daí a palavra, um “gereador”, mistura de gerente com animador.”
Gostei da idéia da amiga e pedi que ela continuasse.
“Assim, ó.”
Ela adora dizer “ó” e faz isso com muito charme.
“A coisa ficou meio parada nas universidades federais, eu acho. Ninguém quer se incomodar. Os chefes de Departamento não querem se incomodar com os professores. Os diretores de centro não querem se incomodar com os chefes de departamento. Os coordenadores de curso precisam estar de bem com os departamentos. Então, sobra para o reitor ser o incomodado e o incomodador geral. Então, o “dor” do “gereador” é também isso. Ele tem que gerenciar as dores da universidade, que vão sendo transmitidas em cadeia, até chegarem nele.”
Eu olhei para nossos cafés. Será que o rapaz tinha colocado alguma droga neles? Mas, na superfície, fazia algum sentido o que a bela me dizia. E, no fundo, mais ainda.
“E?”
“E o quê?”
“Sim, afinal, o que achas, onde estamos, para onde vamos?”
Nisso o telefone dela tocou.
“E a foto?”, perguntei.
“É essa aqui, mas depois te conto. Esqueci que tenho um compromisso daqui a pouco. Preciso ir.” E me mostrou a foto de uma carroça num posto de gasolina.
Eu não entendi nada.
“A gente se vê logo”, ela prometeu.
E se foi, a bela.
Espero vê-la em breve.
Mal posso esperar para saber mais sobre a foto e o que ela pensa sobre as eleições da Ufesm.

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