Eleições para Reitor na Ufesm: onde estamos? (II)

13maio13

Entrevado por uma contratura na lombar, não pude ir tomar um café com a amiga. Ela, bondosa, me escreveu um longo bilhete, para continuar a conversa.

“Eu até que concordo com eleições para Reitor nas universidades federais. Esse processo representa uma oportunidade de debates internos sobre nossa identidade e nossos caminhos. Mas a cada eleição eu me vejo cada vez mais crítica de certos aspectos do processo eleitoral e de algumas consequências do mesmo. Já lá se vão três décadas de escolhas de Reitor pelo voto da comunidade; as eleições para Reitor começaram como uma atitude política de protesto e participação cívica no final do ciclo da ditadura militar no Brasil, no início dos anos 80. Elas representaram a “abertura” política, que somente se consolidou na metade dos anos 80. Naquela época a escolha de reitores era feita pelos conselhos superiores das universidades, que elaboravam listas sêxtuplas; daquela lista, o presidente de plantão retirava o nome de seu agrado. Hoje, acho que há sinais evidentes de fadiga no processo, mas não apenas isso. Há anacronismo, por exemplo. Do jeito que a coisa acontece, parece que certos personagens e sentimentos daquela época continuam existindo hoje, coisa que não é verdade. Não temos mais ditadura militar, não temos mais as dicotomias da época (fundacões versus autarquias), não temos mais uma universidade baseada em regimes de trabalho parcial e sem pós-graduação; praticamente tudo mudou e praticamente tudo continua do mesmo jeito, nesse processo de escolha de dirigentes. E uma nova e equivocada premissa foi introduzida aos poucos: a idéia de que uma universidade federal é uma pequena sociedade política, que deve escolher seus dirigentes por meio de conceitos pilhados do modo de funcionamento das nações. Pelo que se vê por aqui e ali, há gente que flerta com o voto universal, há gente que protesta contra a maioria de docentes nos conselhos superiores. Eu acho que esses conceitos, que tornam o processo de escolha de Reitor parecido com o da escolha de um prefeito ou governador, são totalmente furados. Fizeram sentido faz trinta anos, hoje é puro anacronismo”.

Tenho uma sessão de fisioterapia para tentar amenizar minhas dores na lombar. Amanhã copio e colo a continuação do (longo) bilhete dela. Ela me mandou mais uma fotografia de cavalos e carroça em posto de gasolina. Carroça 2

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