Onde estamos (III)

14maio13

Vai aqui o trecho final do bilhete de minha amiga, sobre as eleições na Ufesm (a campanha começa oficialmente hoje):
“Eu bem sei que não temos outro modelo disponível e palatável na atual conjuntura das federais. E imagino que não teremos outro modelo em um horizonte próximo. Parece que o que resta para nós é apenas um pequeno espaço de domesticação das regras do processo. Pelo que li sobre as regras, essa eleição vai acrescentar alguns detalhes interessantes em relação às anteriores. O principal é sobre a gerência da coisa, que fica mais resguardada pelo guarda-chuva dos Conselhos e menos porosa às entidades de classe. Isso foi um avanço discreto e interessante; e algumas regras novas foram acrescentadas, como restrição à compra de espaço nos jornais, locais de propaganda indicados pela comissão, explicitação de gastos de campanha, coisas assim. Mas falta muito para que essas campanhas de reitor sejam adequadas ao ambiente de uma universidade; tudo deveria ser muito discreto; cada chapa teria direito a imprimir um ou dois caderninhos de textos e só. O resto é quase uma vergonha; eu me lembro que na ultima eleição haviam cartazes imensos, verdadeiros outdoors, coisas que nada tem a ver com o tipo de eleitores que temos. Eu quase que decidi meu voto na base de avaliar qual campanha foi a mais discreta e compatível com um ambiente acadêmico. E para essa eleição já tomei uma decisão. Eu não pretendo entrar em nenhuma campanha, e não vou abrir meu voto. Vou tentar apreciar a coisa como um todo a uma certa distância, pensando no que me convém como professora, como pesquisadora, como alguém que valoriza acima de tudo um ambiente adequado para a vida que escolhi. Eu fico pensando sempre onde é que estou, do que eu gosto, no que eu faço. E essa coisa de gostar de formar gente, de gostar de pesquisar precisa de uma ecologia adequada. Podes me acusar de estar ficando conservadora, mas eu tenho uma sensação de que prefiro investir o melhor das minhas energias no meu trabalho específico como professora, pesquisadora, extensionista. Eu não consigo me estripar achando que este ou aquele candidato a reitor vai fazer uma grande diferença; no fundo, todos me parecem muito parecidos uns com os outros. Talvez eu vote naquele que me dê a impressão que vai me incomodar menos. Eu sei, ando meio cética e amarga com a política, mas quem não anda?
Vê se melhora logo para a gente conversar, abraço!”

Vai daqui meu chasque para ela:
Um abraço, minha cara. Fiquei um tanto sem palavras! Amanhã, quem sabe, te digo o que penso disso tudo, enquanto penso sobre metáforas de campanhas e porcos-espinho.
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