Montanhas e ratos

18jun13

Nossos sonhos (1 of 1)No debate de hoje o professor PB, da chapa 1 disse que no primeiro mês de seu mandato ele vai convocar uma estatuinte “fora dos conselhos” superiores da Ufesm. Segundo ele, a comunidade deve se “apropriar” da estatuinte; “seja para manter ou trocar”, uma “estatuinte é necessária”, disse ele. Deverá ser ampla, democratica e participativa. Ele acenou para a perspectiva de uma nova estrutura academica, administrativa e pedagógica, com a qual a universidade poderá voar mais alto.
Já o professor FM, da chapa 2, disse que quer manter os pés no chão. Ele disse que faz mais de 30 anos que muitas pessoas discutem o tema na Ufesm e que por duas vezes ele fez rodadas de consultas sobre temas relevantes para uma agenda de mudanças e o tema da estatuinte não apareceu. E que nesse meio tempo, os trinta anos, apareceu apenas um projeto piloto (o do CCSH, nos anos oitenta). Assim, ficou evidente que não faz parte da agenda do candidato FM convocar uma estatuinte, coisa que ele já poderia ter feito, se quisesse.
O professor R deu a impressão de aprovar a intenção de uma estatuinte e deu como exemplo a falta de definição sobre o que é um departamento didático.
Eu comecei a trabalhar na Ufesm em 1976. Participei da estatuinte da Ufesm que resultou no atual estatuto e assim tenho uma certa experiência no tema, mas não acho que isso tenha sido muito bom para mim; eu perdi a inocência quanto a esses sonhos de se encontrar uma “nova estrutura acadêmica, administrativa e pedagógica” para as universidades. E a perda da inocência é como a perda da virgindade, não tem volta. De lá (anos oitenta) para cá, acompanho, sempre que posso, as “estatuintes” das universidades federais. Desde a Usp até a Bahia, para falar em casos mais notórios, são montanhas parindo ratos. Não houve, nesses trinta anos, nenhuma mudança significativa em nenhuma estrutura acadêmica, administrativa e pedagógica que tenha sido resultado de “estatuintes”. Todas as mudanças relevantes nasceram no chão das universidades, devagarinho. E é só por isso que temos hoje um gigantesco sistema de ensino superior que faz inveja a todos os países da América do Sul e Central.
“Estatuintes”, como já escrevi, são cavalos de tróia, etc. A unica coisa que vai interessar na tal da “estatuinte”, na minha opinião, será mudar a composição dos conselhos superiores, transformando-os paritários. E isso vai esvair nossas energias institucionais.
Vamos ficar quatro anos discutindo o que queremos ser quando formos grandes? Eu já sou meio grandinho para fazer de conta que não sei o que quero ou então que acharemos uma fórmula nova para substituir departamentos e cursos e centros. E quanto à reforma pedagógica, essa depende dos professores na sala de aula e não de alguma “estatuinte”.
Metáfora por metáfora, prefiro ter os pés no chão para poder olhar para a frente, para o horizonte.
No dia 3 votarei na chapa 2.
Seu eu perder, do chão não passo.

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3 Responses to “Montanhas e ratos”

  1. 1 EDISON ANDRADE DA ROSA

    Finalmente, alguém fora da administração falou com muita propriedade sobre Estatuiente, tema este recorrente na falacia ,digo, discurso da chapa1, mas esta nunca deixa claro como seria e para que serviria a SUA ESTATUIENTE

  2. 2 Róbson

    Ronai. Vc sabe que lhe acompanho no diagnóstico da falácia que ampara a cortina de fumaça da Estatuinte, fumo que permite ver que o propósito não imediato parece ser tão somente a paridade dos conselhos superiores. No entanto, falácias não são simples de identificar e descrever. Deixo aqui uma contribuição, na forma de uma pergunta: por que o pronunciamento do nosso atual governador é a apresentação de um fator que evidencia um dos componentes da “falácia da pequena sociedade política”?

    Veja o que ele disse hoje, domingo: http://youtu.be/hMjACTJxIH4

    Aprendemos que identificar falácias é parte da crítica da ideologia, e no nosso contexto paroquial isso parece urgente. Se os argumentos não chegam, ainda temos o voto. Um abraço.

  3. 3 Renatinho

    Penso que há sim, muita coisa que mudar. O que está pautando o comportamento conservador é a pura falta de coragem e o comodismo. Vivenciamos constantes e profundas transformações nos dias atuais. É preciso e até mesmo necessário desejar voar mais alto. Ficar com os pés no chão é desejar a continuidade do que está posto. Será que isto basta? Eu desejo algo mais, e convenhamos a nossa universidade não cumpre o papel social paro o qual foi criada. É sim, necessário voar mais alto.


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