Menos

22maio14

Schirmer, segundo o Diário, teria dito que “vai ser um desastre”. O presidente da Cacism, mesma fonte, falou do “sepultamento da função regional da UFSM”. O reitor da própria teria dito que se trata de um “momento histórico”. Eu, depois de ver a PK e a galera falando no CEPE a favor de cotas e Sisu, tive um pico de epifania. Pensei, essa gurizada. Há malas que vem pelo trem, mantra que repito nessas horas de luzquefuzque.
O velho Mariano, o fundador, foi chamado de (a meia-boca, nas costas) de visionário, maluco, quando pensou, cincoenta anos atrás, em criar a Usm. Ele criou a Usm, faz esses anos todos, pensando para a frente, trazendo professores e ideias de muito longe. Teve suas crises, por certo, no tempo da ditadura. Mas ele não era bobo, não valia a pena sacrificar a coisa como um todo e fez as concessões que achou adequadas. Afinal, quantos anos tem a idéia de universidade? Uns 1.500 anos? Onde anda a ditadura hoje? Essas coisas, uma pena, tem gente grande que não leva em conta.
Fui colega do Schirmer no Maneco, temos franqueza, e tenho a liberdade de dizer: menos, meu caro. Não vai ser um desastre.
Já penso diferente em relação ao sepultamento. Ou parecido com isso. A tal da função regional da Ufesm sempre foi uma faceta secundária, importante, relevante, mas secundária. Universal, por definição, contrasta com “partícular”, “regional”, por aí. Se Santa Maria tem a importância que tem na pampa, há um lugar para isso para a UFesm, desde que foi fundada, e na qual o vestibular é uma vírgula. Pouco mais do que zero.
E, vamos e venhamos, poupem o rei-thor e sua equipa dessa decisão. Aconteceu, como já aconteceram outras coisas na Ufesm, das quais ninguém, em sadia mente pode apontar o responsado.
Se a primeira universidade criada no mundo tivesse CPF, seria uma empresa que perderia, em antiguidade, apenas para a Apostólica Igreja Católica. Não admira, penso, que sejam instituições tão complicadas em seus relacionamentos locais. As primeiras universidades do mundo (Crusius, Ernst Robert, Literatura Européia e Idade Média Latina, Edusp, 1996) foram criadas por grupos de estudantes, que simplesmente as desfaziam quando elas não atendiam os requisitos da criação) que duram até hoje (Bolonha) duram o que duram porque estão prioritariamente ligadas nessa coisa do universal.
Assim, penso, não há nem desastre nem sepultamento. Nem momento histórico. Menos.
Talvez um shit happens, para aliviar.
Menos, menos.
Trabalho, que é bom, não falta.

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